Eu nunca tinha visto aquela casa parecer tão grande. E tão vulnerável. Era como se cada parede soubesse que algo estava sendo arrancado dali. Minha mala estava fechada. Pequena demais para o que eu estava sentindo. O quarto ainda carregava o cheiro de Matteo — madeira, couro, aquele perfume discreto que sempre ficava na pele dele — e eu odiei o fato de querer memorizar aquilo. Porque memorizar é coisa de despedida. A batida suave na porta me fez virar. Giulia De Luca entrou primeiro. Elegante. Serena. Decidida. Aquela mulher não parecia estar sendo enviada para o exílio. Parecia estar conduzindo uma operação militar. E, de certa forma, estava. — Está pronta, querida? — perguntou. Havia firmeza na voz dela. Mas também algo maternal. Protetor. — Estou — respondi. Ela se aproximo

