O vento da Sicília soprava cortante, carregando o cheiro de maresia e de algo mais antigo: pólvora e morte. Dentro do SUV blindado, o silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som rítmico do motor. Matteo del Luca encarava a escuridão através do vidro. Seus dedos tamborilavam no cabo da pistola em seu colo. Ele não estava inquieto; estava em transe. O tipo de transe que precede uma tempestade de sangue. — Matteo. — A voz de Rocco quebrou o silêncio. O braço direito estava com o celular em mãos, a luz da tela iluminando as cicatrizes que contavam a história de uma lealdade forjada no fogo. — Meus informantes acabaram de confirmar. Ele não está mais no armazém do porto. Vittorio sentiu o cheiro de queimado e recuou. Ele está na Chiesa di San Sangue. A igreja abandonada nos limites

