Acordei com o som suave dos soluços de Nikolai ecoando pelo corredor. Sem hesitar, dirigi-me ao seu quarto e o encontrei sentado em sua cama, lágrimas escorrendo por suas bochechas rosadas.
— O que houve, Nikolai? — Perguntei, preocupada, enquanto me aproximava e o envolvia em meus braços. — Por que está chorando?
Nikolai olhou para mim com tristeza em seus olhos.
— Eu... eu queria ter uma mãe. — Disse ele, sua voz pequena e vacilante.
Meu coração se apertou ao ouvir suas palavras. Compreendendo sua dor, abracei-o com mais força, deixando-o encontrar conforto em meu abraço.
— Eu sei, Nikolai. — Respondi, minha voz suave e reconfortante. — Mas você tem alguém aqui que se preocupa com você. Você tem o papai.
Nikolai se aconchegou em meus braços, suas lágrimas lentamente se acalmando. Depois de nos deitar na cama, murmurei palavras suaves e reconfortantes para Nikolai, prometendo-lhe meu apoio e carinho.
— Estou aqui, Nikolai. — Sussurrei. — Você não está sozinho. Sempre estarei ao seu lado. — Essas palavras pareciam acalmar seus soluços, e lentamente ele foi se acalmando até finalmente adormecer novamente.
...
A manhã começou com um movimento brusco no quarto, seguido pelo som suave das cortinas sendo puxadas. Meus olhos piscaram abertos, meu coração acelerando com a surpresa de ver Viktor parado ali, perto da janela. Eu estava apenas com uma camisola, me sentindo repentinamente exposta diante dele.
Tentei instintivamente cobrir meu corpo com os braços, envergonhada pela sua presença inesperada. Seu olhar percorreu todo o meu corpo, observando cada centímetro, deixando-me desconfortável com sua intensidade.
Nesse momento tenso, Nikolai começou a se mexer na cama ao meu lado, acordando com um bocejo sonolento. Seus olhos curiosos se fixaram em Viktor, quebrando o clima tenso entre nós. A presença inocente do menino foi um alívio bem-vindo, dissipando a tensão que pairava no ar.
Lentamente, ergui-me da cama, sentindo-me desconfortável com a situação.
—Desculpe...— Murmurei, tentando encontrar as palavras certas para explicar o que tinha acontecido na noite anterior.
Viktor parecia ignorar minha presença, dirigindo sua atenção para Nikolai, que o encarava com uma expressão de curiosidade inocente. Senti um aperto no peito ao perceber que ele estava completamente indiferente ao meu desconforto.
Respirando fundo, reuni toda a coragem que pude e pedi desculpas novamente.
— Sinto muito pela situação... — Falei, antes de me virar e deixar o quarto às pressas.
O silêncio me acompanhou enquanto eu caminhava pelo corredor em direção ao meu próprio quarto. A vergonha ainda queimava em minhas bochechas quando finalmente fechei a porta atrás de mim, agradecendo por estar sozinha novamente.
Depois de me arrumar e tomar um banho rápido, segui para a sala de jantar para ajudar Nikolai a tomar seu café da manhã. Ao entrar na sala, deparei-me com uma cena inesperada: a mesa estava posta com pratos adicionais e mais pessoas presentes do que o habitual.
Viktor estava lá, é claro, e ao seu lado estava Nikolai, sorrindo animadamente. Além deles, havia a governanta Ivanova, Sergei e um homem alto e imponente que eu não reconhecia.
Ele me chamou para me juntar a eles, e eu me sentei à mesa, sentindo-me um tanto desconfortável com a presença do estranho. Viktor então fez as apresentações.
— Luna, esta é Ivan Skolov, chefe da segurança. — Ele disse, indicando o homem ao meu lado. A mesa estava elegantemente posta, com uma variedade de pratos deliciosos. — Ah, Luna, que bom que você chegou, sente-se conosco e tome o seu café da manhã.
Conforme me aproximava da mesa, percebi a presença de mais duas pessoas. Uma delas era Ivanova, a governanta, cujo rosto amigável contrastava com sua expressão solene. Do outro lado da mesa, havia um homem alto e imponente, cujo olhar penetrante me fez sentir um arrepio involuntário.
— Esta é Luna, nossa nova babá. — Anunciou Viktor, e todos me cumprimentaram com acenos e sorrisos cordiais.
— É um prazer conhecê-la, Luna — Disse Ivan, sua voz profunda ecoando pela sala. — Espero que se sinta bem-vinda em nossa casa.
— Obrigada. — Respondi, tentando esconder minha ansiedade sob um sorriso educada.
Enquanto tomávamos café, Nikolai se mostrava animado e tagarela, contando histórias sobre seus brinquedos favoritos e suas aventuras imaginárias. Eu o ajudava a comer, cortando sua comida em pedaços pequenos e encorajando-o a comer devagar.
Durante toda a refeição, evitei o contato visual com Viktor, me sentindo desconfortável por estar vestindo uma camisola tão curta na presença dele. Mantive-me em silêncio, concentrando-me em cuidar de Nikolai e ignorando a sensação de seu olhar sobre mim.
Apesar da tensão no ar, a atmosfera na sala de jantar permanecia cordial, com conversas leves e risos ocasionais. No entanto, eu m*l podia esperar para terminar o café da manhã e escapar para a segurança do meu quarto.
Enquanto Viktor permanecia em silêncio, Ivan decidiu quebrar o gelo, dirigindo-se a mim com um sorriso amigável. Sua voz grave e calma preencheu o espaço na mesa, trazendo um pouco de leveza ao ambiente tenso.
— Então, Luna, de onde você veio? E o que a trouxe para a Europa? — Perguntou Ivan, com um tom curioso.
Olhei para ele, encontrando seus olhos atentos e calorosos, e percebi que ele estava genuinamente interessado em conhecer minha história. Decidi responder honestamente, buscando encontrar uma maneira de explicar minha situação de forma concisa.
— Eu sou do Brasil. — Comecei, escolhendo minhas palavras com cuidado. — E eu vim para a Europa em busca de uma nova oportunidade, uma nova vida, quero estudar. — Evitei falar sobre meu ex.
Ivan assentiu, parecendo compreensivo.
— Compreendo. A Europa certamente oferece muitas possibilidades para quem está disposto a aproveitá-las.
Depois de terminar o café, a atmosfera tensa à mesa me deixou aliviada quando Nik pediu para ir brincar um pouco. Sem hesitar, me levantei e concordei, sorrindo para ele enquanto o acompanhava até o parque dentro do terreno da mansão. Parecia ser um lugar recentemente construído, com balanços, escorregadores e outras estruturas coloridas que certamente encantaria uma criança como Nik.
Enquanto ele corria para explorar o parque, observando-o com um olhar atento e cuidadoso, senti um momento de paz se instalar ao meu redor. O sol brilhava no céu, as árvores balançavam suavemente ao vento e o riso alegre de Nik preenchia o ar.
Percebendo que eu poderia relaxar um pouco enquanto ele brincava, me permiti sentar em um banco próximo, respirando fundo e admirando a tranquilidade do ambiente, e sentindo a melhor sensação, a de estar sem medo, essa sensação eu não sentia a meses.