A festa do casamento foi normal. Houve tudo como os conformes: A valsa dos noivos, as fotos, o bolo. Shawn tirou Karen pra dançar e Alejandro tirou Camila, como mandava a tradição. Os dois representaram o papel perfeitamente bem. Por fim chegou a hora de ir embora. Todos especulavam que os noivos iam fugir pra lua-de-mel (não tanto, Shawn explicou que Camila tinha fobia de aviões, uma mentira deslavada, de forma que viajariam pra perto de carro. Outra mentira, passariam as duas semanas dentro do apartamento, sem aparecer), mas os dois só estavam exaustos de terem que se aguentar. A limousine os levou até a torre n***a. Os dois passaram pelos fotógrafos na portaria, atravessando o lobby e pegando o elevador. Shawn digitou uma seqüência de números e o elevador começou a subir. Camila, cansada, nem olhou quantos andares subiram. No fim o elevador abriu, dando a uma anti-sala com a parede revestida em mogno, uma mesa e um arranjo de flores, que dava para uma sala enorme, com paredes de vidro que mostravam uma Nova York adormecida. Tudo impecavelmente luxuoso, mas Camila ainda estava exausta. Adorava aquele vestido, o adorou desde que o planejara, mas a combinação dele, a cauda e os saltos estavam matando-a. Shawn andou pelo corredor, afrouxando a gravata, e parou em um quarto de hospedes.
Shawn: Seu quarto. - Disse, apontando com o ombro. Camila entrou. Um quarto de hospedes simples, cama de casal, dois criados mudos com abajures, penteadeira, closet, poltronas e um sofá. Tudo em tons de cinza e paredes brancas.
Camila: Fico encantada. - Disse, olhando a cama, com seu jogo de seis travesseiros, parecendo irresistível.
Shawn: Bonito vestido. – Camila o olhou, estranhando - Imagino que seja de sua coleção.
Camila: Camila Cabello Designers. Posso te dar um cartão, se quiser. - Debochou, olhando em volta.
Shawn: Ótima oportunidade de divulgar sua marca. - Elogiou, se aproximando. Camila parou, na defensiva - Vestido ousado, para uma festa que eu disse que seria familiar.
Camila: Vou refletir sobre isso enquanto durmo. - Debochou, rindo em seguida. - Boa noite, Shawn - Dispensou, cansada da cara dele por hoje.
Shawn parou ao lado dela, tocando as correntinhas das costas do vestido. As costas dela estavam inteiramente nuas com o decote traseiro, e as pontas dos dedos dele roçaram a pele dela, deixando um rastro quente, fazendo-a se retrair. Ela olhou, desconfiada e apreensiva. Ele a encarou, sorrindo de canto.
Soubera que ela adorava aquele vestido assim que a vira com ele... Então as mãos dele puxaram o tecido delicado com brutalidade, rasgando tudo o que encontravam pelo caminho. O corpo dela sacudia com a brutalidade dele. As correntes se partiram, as rendas finas se rasgando até que só sobrou um bolo de pano no chão. Foi muito rápido. Camila parou, tapando os s***s com os braços, de calcinha, cinta-liga e meias brancas no quarto. Ela arfou, olhando sua obra de arte destruída no chão.
Shawn: Isso é pra você aprender... - Disse, se desvencilhando e puxando a cauda do vestido, rasgando-a no meio, fazendo Camila cambalear -...a me levar a sério quando eu te der uma ordem. - Disse, largando os retalhos do vestido no chão. Camila perdera a voz no susto, ainda olhando o vestido rasgado, desolada. Levara meses trabalhando naquilo! - Boa noite, Camila. - Desejou, debochado, e deu as costas, tranqüilo, saindo do quarto.
Camila saiu da redoma do vestido, se abaixando, totalmente arrasada, apanhando um retalho de renda rasgada. Ela amara o vestido, e ele o destruíra. Era um sinal simples e claro de que o jogo havia começado. Camila, abalada e furiosa, desceu dos sapatos e se deitou de lingerie mesmo, só se encolhendo debaixo do lençol e dormiu. Estranhamente, no dia seguinte, não houve nenhum ataque. Ela esperou, pronta pra rebater. Havia um closet enorme, com todos os tipos de roupa, de modo que ela pôde se servir em paz. Vestidos sociais, de marca, luxuosos, de cores escuras e neutras, sapatos também de marca, de vários modelos, roupas intimas, camisolas, camisas, calças... Tudo. Para seu contentamento eram coisas no padrão que ela usaria se pudesse escolher - por um minuto achou que ele a colocaria pra se vestir de empregada, ou em trapos. A tranqüilidade só durou até a segunda noite de casados. O quarto de Camila não tinha porta - mais uma humilhação que ela precisava agüentar. Ela estava se preparando pra dormir. Shawn passou no corredor, ela não viu. Ele parou, olhando... Ela tirava algo de um frasquinho laranja. A nécessaire que ela conseguira contrabandear pra lá na mesinha ao lado, aberta. A fúria dele se ligou como um interruptor. Camila viu o olhar dele em si e escondeu o frasco nas costas, mesmo sabendo que era tarde. Usava uma camisola roxa, de uma seda delicada, de modo que não tinha onde esconder.
Shawn:O que é isso? - Perguntou, entrando no quarto.
Camila: Nada que seja da sua conta. E saia daqui. - Ordenou.
Shawn: Você está usando drogas na minha casa?! - Perguntou, e não dava pra saber se o maior sentimento era o ódio ou a incredulidade.
Camila: Não são drogas, não seja e******o. Saia daqui. - Ordenou, raivosa.
Shawn avançou pra ela e Camila deu impulso na cama, pronta pra se jogar no chão, mas ele a apanhou pelas pernas, puxando-a pra si e agarrou o braço dela. Camila se debateu, acertando uma joelhada na barriga dele, mas perdeu. Ele torceu o braço dela, tomando o frasco, olhando o rotulo.
Não eram drogas, exatamente. Eram receitados pra ela por um medico.
Shawn: Remédios pra dormir? - Perguntou, procurando se acalmar.
Camila: São receitados. Não consigo dormir sozinha. - Admitiu, humilhada - Parabéns pela descoberta. Agora devolva meus remédios e vá embora.
Shawn: Não consegue dormir sozinha? - Perguntou, debochado. A princesinha não podia se esforçar nem pra pegar no sono. - Vou colocar você pra dormir. - Avisou, ameaçador.
E ele a atacou. A puxou pelo braço, trazendo-a pra si, a sacudiu pelos ombros. Camila não tinha nem chance em uma luta física com ele - estava completamente subjugada. Entrou em pânico. Ele avançou, e após morder o ombro dela com força as mãos subiram por debaixo da sua camisola, apalpando as coxas dela a força, empurrando-a para a cama. Camila gritou, mas não havia ninguém pra ouvir e ele riu dela, erguendo-lhe a camisola até o quadril. Camila trancou as pernas, se debatendo, mas era fraca demais. Shawn desceu a boca pelo colo dela, mordendo-lhe um dos s***s com brutalidade, enquanto as mãos tateavam as cegas, se forçando entre as pernas dela, arrancando-lhe um gemido angustiado. Os olhos dela se encheram d'água, do mais puro e absoluto desespero. Ela não queria, não era possível que aquilo estivesse acontecendo...
E não estava.
Na verdade, Shawn estava parado de pé do lado da cama. Apenas a sacudira pelos ombros, de fato, mas nunca pretendeu atacá-la - Deus o protegesse, tinha nojo daquela mulher - Então logo após aquilo ela começou a se bater. A inicio ele achou que estivesse tentando bater nele, mas ela bateu as pernas e caiu deitada na cama, totalmente vestida, se batendo sozinha, grunhindo e pedindo para ele soltá-la. Implorava. Ele observou, incrédulo, parado onde estava, os cabelos alvoroçados pela primeira briga pelo frasco de remédios, vestindo uma calça abrigo preta e uma camisa cinza. Verdade seja dita, estava sem reação. Viu as lagrimas escorrerem pelo canto dos olhos dela e coçou o cabelo, indeciso. Camila podia estar bem armando pra cima dele.
Shawn: Camila? - Chamou, sem paciência, apanhando-a pelos braços. Só piorou. Ela soltou um som angustiado, soluçando em seu choro - Abra os olhos. Olhe pra mim. - Ordenou, mas ela não atendeu. Ele não tinha certeza de que ela estava consciente.
Então os movimentos dela mudaram. Se tornaram mais bruscos, mais descontrolados. Shawn sabia reconhecer uma convulsão quando via uma. Ele a deitou, detendo os quadris dela com uma perna, que passou por cima dela, o tronco com o antebraço e a cabeça com a mão, tentando imobilizá-la.
Shawn: GAIL! - Rugiu, com a cabeça virada pro corredor. Camila continuava se debatendo, uma mecha do cabelo caindo por cima da mão dele, que segurava a testa dela. A governanta apareceu segundos depois, se assustando com a cena - Vá chamar Liam. Mande ele subir aqui, agora! - Ordenou, e a outra saiu correndo.
Ele xingou consigo mesmo, soltou a testa dela e enrolou a mão em um lençol, pondo dentro da boca dela, protegendo a língua. Como era de se esperar em uma convulsão, Camila o mordeu. Ele grunhiu, mas se manteve. Que p***a era aquela? Alguns instantes depois Liam chegou, de bermuda e camisa, com Sophia e Madison atrás dele. As duas pararam na porta, observando.
Liam: Sophia, chame uma ambulância. - Disse, preparando uma seringa que trouxera no bolso. Sophia assentiu, saindo correndo.
Quando Gail disse que Shawn pedira por ajuda enquanto segurava uma Camila que se debatia, ficou obvio que ela estava em convulsões, e ele veio preparado. Sophia saiu às pressas e Madison avançou, apanhando o braço de Camila e imobilizando-o, de modo que Liam conseguiu aplicar a injeção. Segundos depois Camila desfaleceu, ficando imóvel, uma ultima lagrima correndo pelo canto do rosto. Liam levou a mão até o pulso dela, olhando o relógio em seu pulso, e Shawn soltou a mão da boca dela.
Sophia: Eles estão vindo. - Disse, e Liam assentiu.
Madison: Que d***o você fez com ela?! - Perguntou, exasperada, se virando pra Shawn.
Shawn: Não fiz nada, ela caiu sozinha. - Disse, entre dentes pela dor na mão. Ele desenrolou o lençol manchado de sangue, encontrando as feridas exatas dos dentes dela em sua mão. Rasgou um pedaço limpo do lençol, enrolando a mão - O que foi isso? - Perguntou, se virando pro irmão.
Liam: Correndo o risco de ser obvio, uma convulsão. Instantânea, segundo você. - Alfinetou. Shawn grunhiu.
Shawn: Nós estávamos brigando, eu só a sacudi pelos ombros, só isso. - Liam esperou - Ela começou a alucinar e depois a convulsionar. Não sei o que houve, nós já brigamos 500 vezes antes. - Descartou.
Liam: Sobre o que era a briga? - Perguntou, tentando entender.
Shawn: Ela tem remédios pra dormir. - Disse, simples. Liam olhou o frasco. Estava cheio. Não justificava.
Liam: Não entendo. - Disse, voltando a monitorar o pulso de Camila - Parece que temos muito que conversar com Camila.
Alguns minutos depois a ambulância chegou. A imprensa fez a festa ao ver Camila sair desacordada, em uma maca, com uma mascara de oxigênio no rosto e aparelhos monitorando-a, e o magnata Shawn Mendes descomposto, usando um sobretudo por cima do moletom. Uma vez no hospital, Liam sumiu lá dentro e Shawn ficou na recepção, resumidamente puto da vida pelo escândalo. Isso já estava começando errado.
Aaliyah: Irmão. - Disse, entrando no saguão do hospital. Ela o abraçou, e Shawn esperou - Você não tentou matar ela, não é? - Perguntou, e ele sorriu.
Shawn: Ainda não. - Disse, beijando a têmpora dela, e ela assentiu, toda a preocupação deixada de lado.
Levou algumas horas, então Liam voltou. Madison bateu pé de que iria pra lá, logo Niall também estava. Shawn conversava, tranquilo, com Aaliyah.
Liam: Tudo bem. - Anunciou, e os outros olharam - Ela teve uma crise nervosa, que levou as alucinações, não se sabe por qual motivo. As alucinações elevaram os batimentos dela ao ponto de levá-la as convulsões. Ela está estável agora. - Todos concordaram - Está acordada, e bem. Você precisa conversar com ela. - Disse, se virando pro irmão. Shawn ergueu as sobrancelhas - Seja o que for que aconteceu, levou ela a taquicardia. Não deve se repetir. Ela está acordada, vá. - Ordenou, e Shawn se levantou.
Camila não estava nada bem, na verdade. Tinha um soro com medicamentos no braço, aparelhos monitorando o coração, um tubo de oxigênio no rosto. Os lábios estavam pálidos, assim como o rosto. Vestia o avental do hospital, e os cabelos estavam soltos na cama. Os cantos dos olhos estavam molhados pelas lagrimas. Se sentia sufocada, ameaçada. Mil lembranças desagradáveis afloravam na cabeça dela, lembranças de antes de New Jersey e seu reinado em St. Jude, lembranças que ela lutara pra esquecer por muito tempo. Um momento sobre o domínio físico dele e viera tudo a tona. Shawn entrou no quarto e ela o olhou, respirando fundo e secando o rosto.
Camila: Você não podia nem esperar amanhecer? - Perguntou, irritada.
Shawn: Você quer me explicar que d***o foi isso? - Cobrou, parando ao lado da cama com as mãos nos bolsos - Você não é doente, e aquilo não foi fingimento. Eu tenho o direito de saber. - Camila sorriu. Antes de se casar fora forçada a fazer todos os exames de saúde possíveis.
Camila: Pobre Shawn, um dia depois e seu contrato já começa a mostrar brechas. - Disse, juntando toda a maldade que tinha naquela frase, mas ainda foi pouco, a voz saiu tremula.
Shawn: Só vou perguntar uma vez: O que aconteceu? - Perguntou, e ela continuou sorrindo, olhando pra ele. - Eu vou descobrir de qualquer modo, só estou te dando a chance de ser você falar.
Camila: Quando sair, avise a enfermeira que o ar condicionado está forte demais. Estou com frio. - Dispensou, debochada. - Vá pro inferno. - Mandou, olhando o teto.
Shawn curvou as mãos em punhos, guardando-as dentro do bolso do sobretudo pra se controlar e não esganá-la. A idéia era muito atraente, agora que ela estava frágil naquele ponto. Resolveu que sair dali era o melhor agora.
Shawn: Tudo bem, vou deixá-la descansar. - Disse, com um sorriso de canto - Mas devo parabenizá-la. Seu teatrinho de "A virgem intocada" convenceu a todos. - Disse, e deu as costas. De algum modo ia descobrir, pior pra ela. Já estava na porta quando a resposta veio.
Camila: Eu não sou virgem desde que tinha seis anos de idade. - Disse, e ele se virou para olhá-la. Ela tinha os olhos duros, pousados nele - Perdoe-me se quando alguém tenta me forçar fisicamente a algo, meu corpo reage m*l. - Debochou - Agora suma daqui.
Shawn parou um instante, olhando-a, se lembrando da Camila perfeita, rainha de St. Jude, comparada a informação que recebera agora. Duas lagrimas caíram pelo rosto dela, e ela rosnou, impaciente ao ver que ele ainda estava ali. Levou a mão até o lado da cama, tocando a campainha pra chamar a enfermeira raivosamente. Ele deu as costas e saiu dali, sem dizer nada. Perante isso não havia nada a ser dito.