Dia 1— parte 2.
A tarde, rodamos por um longo tempo nas proximidades da faculdade, perguntamos em vários comércios se alguém tinha visto a cigana e nada, nem sinal da bruxa, por fim as meninas já estavam exaustas e resolvemos parar, fomos até uma lanchonete e nos sentamos para comer algo enquanto discutíamos nossos próximos passos.
— Eu voto por voltarmos para casa. —Sara disse se recostando na cadeira. — tá óbvio que não vamos encontrar essa mulher hoje.
— E vamos simplesmente desistir? —perguntei indignada.
— É lógico que não. —ela respondeu. —eu vou fazer minhas pesquisas na internet e tentar descobrir o que está acontecendo com você.
— E também vamos ficar de olho na faculdade, se vermos sinal dessa cigana não vamos deixa-la escapar. —Alinne completou.
— E enquanto isso eu faço o que? — Alinne e Sara se entreolharam. —posso ficar na casa de uma de vocês? —fiz bico, as duas se olharam novamente.
— Olha amiga. —Alinne começou. —você sabe como meus pais são, meu padrasto principalmente, ele é super careta e surtaria se eu levasse um homem para casa.
— Também estou na mesma situação. —foi a vez da Sara falar. — meu cunhado é muito ciumento, ele ia ficar puto em ver outro homem lá em casa, acabaria brigando com minha irmã e consequentemente ela brigaria comigo. —Sara morava com a irmã mais velha e o cunhado, já o resto da família dela era do interior e eles m*l se viam.
— E pra onde eu vou? —perguntei manhosa.
— O jeito é você voltar para o apartamento do Davi. — Alinne respondeu enquanto tomava um gole de seu suco.
— Mas o cara que mora lá não acredita em mim. —falei.
— Então sua única opção é ser o Davi. —Sara falou.
— Como assim? —perguntei sem entender.
— Você vai fazer tudo que esse Davi faz, vai viver a vida dele. —ela explicou.
— Isso é impossível. —cruzei os braços e fiz bico.
— Você não tem opção Milena. — Sara insistiu. —você não pode voltar para casa.
— Mas como eu vou fingir ser esse cara? —apontei para meu próprio corpo e fiz careta.
— Primeiramente para de fazer essas caretas. —Alinne disse me olhando entediada.
— Em segundo, preste atenção em tudo que possa te dar uma dica sobre como agir. — Sara completou. — por fim não diga nada sem pensar e principalmente não tente contar a verdade.
— Porque não?
— Porque ninguém te conhece como a gente, eles acharam que você está louca e te internarão num hospício. — Sara explicou.
— Acho que não consigo. — falei triste.
— Você tem que conseguir.
— Sabe o que estou pensando? —Alinne falou do nada enquanto deixava seu copo de suco sobre a mesa. —se a Milena está no corpo desse Davi, quem sabe ele não esteja no seu corpo.
— De onde você tirou isso? —Sara perguntou.
— De um filme. — ela respondeu naturalmente.
— Isso não é um filme. —Sara se estressou.
— Mas a Alinne pode ter razão. —falei pensativa. — talvez se eu encontrar meu corpo eu descubro um jeito de voltar para ele. —as duas não disseram nada e apenas me encaram também pensativas. —nós temos que procurar meu corpo.
— A polícia já está fazendo isso. —Sara fez questão de me recordar. —essa é outra grande razão para você voltar ao apartamento, se esse Davi estiver em seu corpo ele irá para casa.
— Enquanto isso eu e a Sara vamos procurar alguma explicação para essa situação na internet. —Alinne completou.
— Isso me parece um péssimo plano.
— Um péssimo plano é melhor que plano nenhum. —Sara filosofou.
Já era bem tarde, as meninas pegaram o número do celular do Davi e eu não tive outra opção a não ser voltar para a casa do mesmo, durante o caminho eu fiquei remoendo as dicas das meninas, no fundo eu tinha certeza absoluta que aquilo daria m***a.
Demorei um tempo para encontrar o caminho de volta, por sorte não tive que pegar ônibus novamente pois Alinne me emprestou o dinheiro para o táxi, achar o bairro foi fácil, o difícil foi achar a rua e principalmente o apartamento.
— Acho que é aqui. —avisei o motorista ao perceber a familiaridade dos prédios.
— Tem certeza?
— Não mas tenho que arriscar. —paguei a corrida, agradeci e desci do carro, aparentemente o prédio era aquele mesmo, fui até o portão principalmente, por sorte estava destrancado, o problema agora era descobrir em que andar ele morava, eu não tinha prestado atenção na hora que sai e pelo jeito não havia porteiro ali, fiquei enrolando um pouco no saguão torcendo para que alguém aparecesse logo.
Já estava ficando irritada quando o elevador abriu e uma moça de meia idade saiu do mesmo.
— Boa tarde Davi! —ela falou sorrindo para mim e então seguiu para o portão.
— Espera. —a chamei. —pode parecer estranho, bem estranho na verdade. —ela me olhou um pouco assustada. —em qual apartamento eu moro mesmo?
— Você não sabe? — e agora? O que eu ia falar?
— Digamos que eu abusei bastante na noite passada e minha memória está um pouco afetada. —respondi torcendo para que ela acreditasse.
— Quantas vezes eu já te falei para parar de usar essas drogas? O que sua mãe iria dizer. — ela começou o sermão. —você é tão jovem, procure a casa de Deus meu filho.
— A senhora está certa. —concordei. — mas qual é mesmo meu apartamento?
— 403. —respondeu sorrindo, em seguida acariciou meu ombro gentilmente. —fique com Deus e se cuide.
— Obrigado. — agradeci e fui para o elevador, o apartamento ficava no terceiro andar, subi e já fui logo em direção a porta do mesmo, assim que parei em frente a porta tirei o bolo de chaves do meu bolso, tentei umas duas até encontrar a certa
— Você tem que conseguir.
— Sabe o que estou pensando? —Alinne falou do nada enquanto deixava seu copo de suco sobre a mesa. —se a Milena está no corpo desse Davi, quem sabe ele não esteja no seu corpo.
— De onde você tirou isso? —Sara perguntou.
— De um filme. — ela respondeu naturalmente.
— Isso não é um filme. —Sara se estressou.
— Mas a Alinne pode ter razão. —falei pensativa. — talvez se eu encontrar meu corpo eu descubro um jeito de voltar para ele. —as duas não disseram nada e apenas me encaram também pensativas. —nós temos que procurar meu corpo.
— A polícia já está fazendo isso. —Sara fez questão de me recordar. —essa é outra grande razão para você voltar ao apartamento, se esse Davi estiver em seu corpo ele irá para casa.
— Enquanto isso eu e a Sara vamos procurar alguma explicação para essa situação na internet. —Alinne completou.
— Isso me parece um péssimo plano.
— Um péssimo plano é melhor que plano nenhum. —Sara filosofou.
Já era bem tarde, as meninas pegaram o número do celular do Davi e eu não tive outra opção a não ser voltar para a casa do mesmo, durante o caminho eu fiquei remoendo as dicas das meninas, no fundo eu tinha certeza absoluta que aquilo daria m***a.
Demorei um tempo para encontrar o caminho de volta, por sorte não tive que pegar ônibus novamente pois Alinne me emprestou o dinheiro para o táxi, achar o bairro foi fácil, o difícil foi achar a rua e principalmente o apartamento.
— Acho que é aqui. —avisei o motorista ao perceber a familiaridade dos prédios.
— Tem certeza?
— Não mas tenho que arriscar. —paguei a corrida, agradeci e desci do carro, aparentemente o prédio era aquele mesmo, fui até o portão principalmente, por sorte estava destrancado, o problema agora era descobrir em que andar ele morava, eu não tinha prestado atenção na hora que sai e pelo jeito não havia porteiro ali, fiquei enrolando um pouco no saguão torcendo para que alguém aparecesse logo.
Já estava ficando irritada quando o elevador abriu e uma moça de meia idade saiu do mesmo.
— Boa tarde Davi! —ela falou sorrindo para mim e então seguiu para o portão.
— Espera. —a chamei. —pode parecer estranho, bem estranho na verdade. —ela me olhou um pouco assustada. —em qual apartamento eu moro mesmo?
— Você não sabe? — e agora? O que eu ia falar?
— Digamos que eu abusei bastante na noite passada e minha memória está um pouco afetada. —respondi torcendo para que ela acreditasse.
— Quantas vezes eu já te falei para parar de usar essas drogas? O que sua mãe iria dizer. — ela começou o sermão. —você é tão jovem, procure a casa de Deus meu filho.
— A senhora está certa. —concordei. — mas qual é mesmo meu apartamento?
— 403. —respondeu sorrindo, em seguida acariciou meu ombro gentilmente. —fique com Deus e se cuide.
— Obrigado. — agradeci e fui para o elevador, o apartamento ficava no terceiro andar, subi e já fui logo em direção a porta do mesmo, assim que parei em frente a porta tirei o bolo de chaves do meu bolso, tentei umas duas até encontrar a certa
— Não vai furar. — ele ainda avisou apontando o dedo para mim.
— Claro. —concordei.
— Cara eu não vejo a hora da festa. —Yago disse esfregando as mãos. —vai ter cada mulher gostosa.
— A Alice vai? —Eduardo perguntou.
— É logico, ainda vou traçar aquela gata. — Yago falou e eu revirei os olhos, por sorte ninguém percebeu.
— Então se prepara Davi. —Eduardo virou-se para mim, a questão é que eu não fazia ideia do porquê ele tinha dito aquilo. — se a Alice vai a Ingrid também vai.
— E isso é r**m? —deixei escapar.
— Vocês se acertaram? —todos me encaram.
— Acho que não. —respondi meio em dúvida.
— Tu tá estranho. —Eduardo me observou, fiquei totalmente sem reação, por sorte no mesmo instante o celular do Yuri apitou.
— É mensagem da Fernanda. —falou enquanto lia. —ela e as meninas estão num barzinho aqui perto.
— Partiu pra lá então? —Yago foi o primeiro a se levantar apressado.
— Isso tudo é falta de b****a? —Yuri perguntou.
— Entende uma coisa. —Yago parou fazendo pose de quem iria filosofar. —b****a nunca é demais. —homens! Pensei comigo mesmo, só pensam com a cabeça de baixo.
— Vocês vão? —Yuri perguntou alternando o olhar entre eu e o Eduardo.
— Eu passo, to cansadão. —Eduardo respondeu.
— Para de ser frouxo cara. —Yuri reclamou. —tu nem sai mais com a gente direito.
— A Felícia te largou mas deixou a coleira. —Yago brincou.
— Boa! —o irmão aprovou a provocação e os dois fizeram um toque de mão.
— Vocês venceram. —Eduardo se levantou e veio em minha direção. —vou me arrumar rapidão.
— E você Davi? Vem também? —sobrou para mim.
— Eu passo.
— Porque cara?
— To me sentindo muito bem ainda não.
— Sabe qual o nome disso? — Yago perguntou. —idade. —ele mesmo respondeu, os irmãos começaram a conversar e eu aproveitei a brecha para correr até o quarto, respirei aliviada ao entrar no mesmo, primeira batalha vencida, só não sei até quando vou aguentar isso.
Minutos depois Eduardo veio avisar que estava saindo, fiquei mais tranquila ao perceber que estava finalmente só, não que isso melhorasse muito a situação, eu ainda estava num apartamento estranho, num corpo que não era meu e convivendo com pessoas que eu não conhecia. Peguei o celular e a carteira no meu bolso, deixei a última sobre a escrivaninha e me sentei na cama para futicar no aparelho, havia várias mensagens e algumas ligações do Eduardo.
As mensagens eram do w******p, ao entrar no aplicativo a primeira coisa que me chamou a atenção foram os nomes dos contatos, eram coisas tipo: "f**a fácil", "Morena bunduda", "Garganta profunda", "Chupa gostoso", entre outros, a única menina que havia um nome comum era a tal Ingrid que o Eduardo mencionou mais cedo, haviam várias mensagens dela sem ler, a curiosidade falou mais alto e eu abri a conversa:
Ontem.
18:50 — Onde você esta?
19:00 — Me responde Davi!
19:30 — Estou te esperando aqui em casa para conversarmos.
19:30 — Não podemos continuar nessa situação.
20: 30 — Não acredito que você vai me ignorar de novo.
20:31 — Você é um i****a!
20:32 — VAI SE FUDER TAMBEM!
20:45 — As coisas poderiam ter sido tão diferentes.
Fiquei perplexa com as mensagens, além de eu estar num corpo de um homem, ele ainda era um b****a, por todos os homens eram assim? Pela primeira vez hoje eu me lembrei do Cauã, me lembrei do que ele fez comigo, nenhuma mulher merecia ser tratada feito um lixo, resolvi mandar uma mensagem para essa tal Ingrid.
Hoje.
19:20 — Sinto muito se fui um b****a com você, eu não mereço uma garota tão incrível assim.
Talvez essa mensagem fizesse alguma diferença para essa garota, em algumas vezes as palavras machucam, mas as elas também curam. Em seguida entrei um pouco no f*******: do celular, desisti ao ver o tanto de notificações que tinha ali, a maioria eram curtidas em fotos, elogios tipo: "gato", "gostoso", "esse eu pego muito", cara essas meninas também não tinham o mínimo de decência, era uma v*******a em cima da outra.
Larguei o celular, os poucos instantes mexendo naquilo já me deram dor de cabeça, resolvi procurar alguma coisa no quarto que me situasse nessa nova situação, achei notebook mas quando fui ligar o mesmo percebi que tinha senha, desisti, resolvi abrir o armário, não havia nada além de roupa, subi na cama e olhei em cima do guarda-roupa, avistei uma caixa grande, resolvi pega-la e ver o que tinha dentro.
Ao abri a caixa me deparei com vários papeis, alguns contracheques dentro de um envelope, carteira de trabalho, abri a mesma e foleei, Davi trabalha na empresa Rodovix, a mesma que o Eduardo, larguei a carteira e abri outro envelope, eram papeis de banco, li atentamente algumas partes, era o contrato do cartão de credito, um sorriso brotou em meus lábios quando eu avistei escrito de caneta no final da página o que parecia ser uma senha, graças aos céus Davi era como eu e sempre deixava suas senhas anotadas. Guardei aquele envelope e peguei outro, era um diploma, faculdade de administração, junto com o diploma havia três fotos, da formatura, em uma delas estava só ele e o Eduardo, isso só prova que eles se conhecem a bem tempo.
Não havia nada mais de interessante na caixa, resolvi pegar o celular e pesquisar que empresa era aquela que eles trabalhavam, descobri em poucos instantes que era uma transportadora, fiquei preocupada, eu nem sabia direito para que servia uma transportadora, imagina então eu ter que trabalhar em uma.
Aquilo me deu dor de cabeça, peguei a latinha de cerveja que eu havia trago para o quarto, abri a mesma e bebi um gole, eu realmente espero encontrar uma solução logo, resolvi procurar um pouco sobre troca de corpo, eu me irritei e não achei m***a nenhuma me correspondesse a minha situação, por fim desisti de vez e resolvi tomar um banho, eu estava fedendo e cada poro do meu corpo suava, peguei um roupa leve, minha toalha e fui para o banheiro, tranquei a porta, em seguida arranquei aquela roupa e entrei debaixo do chuveiro, a água quente me fez relaxar um pouco, aproveitei para tirar aquela maldita barba e também os pelos do sovaco, eu queria entender como os homens conseguem ficar com esse tanto de cabelo debaixo do braço, dá calor e coça, além de ser nojento.
Depois do banho fui até a cozinha procurar algo para comer, abri todas as gavetas até encontrar um resto de pão de forma, na geladeira tinha água, cerveja e um resto de requeijão, espero realmente que aquele troço não esteja velho, também com a fome que estou eu comeria até pedra. Depois de comer, voltei para o quarto e cai na cama, fiquei um tempo rolando de um lado para o outro, tudo ali era estranho, eu sentia falta da minha casa, do meu quarto e da minha família, comecei a chorar, o que de tão r**m eu fiz para merecer isso? Me questionei por um longo tempo até que adormeci pelo cansaço.