— O que estamos fazendo aqui?
— Aula de direção. — explicou abrindo a porta.
— Você não ta falando sério. — comecei a entrar em pânico, Eduardo deu a volta no carro, veio até minha porta e abriu a mesma. — eu não... eu não consigo.
— É claro que consegue, vamos, pula para o outro lado. — me incentivou, olhei fundo em seus olhos buscando sinal de brincadeira, mas não, ele realmente estava falando sério.
Fiz o que Eduardo mandou, escorreguei para o banco do motorista, fechei a porta e segurei firme o volante com as duas mãos olhando fixamente para frente, meu coração batia acelerado e meu estomago revirava.
— Primeiramente, respira fundo. — eu podia ouvir a voz de Eduardo mas meus membros estavam travados e eu não conseguia virar o rosto em sua direção. — você está segurando o volante com muita força, relaxa os braços, continua respirando até se acalmar.
— Eu não consigo fazer isso.
— Você já tentou dirigir algum vez?
— Não, mas...
— Se você nunca dirigiu como pode saber que não consegue? — como eu não sabia o que responder apenas fiquei em silencio. — vamos tentar, qualquer coisa eu estou aqui.
— Ok. — concordei e respirei fundo novamente.
— Primeiramente, o pedal esquerdo é a embreagem, o do meio o freio e o da direita o acelerador. — apontou para os pedais próximos ao meu pé— aqui é onde muda as machas, pisa na embreagem para mim. — obedeci. — primeira. — deu um pequeno toque com alavanca para frete. — segunda. — deu dois toques para trás. — terceira. — deu um toque para frente, um paro o lado e outro para a frente. — e quarta. — dois toques para trás. — entendeu?
— Acho que sim. — falei balançando a cabeça positivamente.
— Então da partida no carro. — falou enquanto voltava a macha para a posição inicial.
Respirei fundo novamente e fiz o que Eduardo pediu, dei partida no carro, da primeira vez não deu certo, tentei novamente e ouvi o motor roncar, por mais que eu tentasse ficar calma meu coração parecia que saltaria para fora a qualquer instante.
— Afunda o pé na embreagem e joga uma primeira. — assim o fiz. — agora acelera um pouco e vai soltando com calma a embreagem. — tentei, mas o carro morreu. — dá partida de novo. — falou enquanto voltava a macha para o ponto morto.
Novamente refiz o que ele mandou, liguei o carro, pisei na embreagem, coloquei primeira, depois acelerei, diferente da primeira vez eu acelerei um pouco mais, quando fui tirar o pé da embreagem soltei um pouco rápido e o carro seu um pulo para frente.
— Ai meu deus! — entrei em desespero, parei de acelerar e o carro morreu de novo.
— Calma, não precisa se desesperar, você só tem que tirar o pé da embreagem um pouco mais devagar e ir aumentando a aceleração gradativamente. — explicou novamente, respirei fundo, concordei e recomecei, dessa vez a arrancada saiu um pouco mais suave e eu não deixei o carro morrer. — muito bem, agora acelere um pouco mais e joga uma segunda.
— Como eu faço isso?
— Pisando na embreagem, soltando o acelerador e puxando para a segunda marcha, em seguida volta a acelerar e tira o pé da embreagem.
— Tá. — concordei e fiz como Eduardo mandou, o carro deu um pequeno soco quando entrou na segunda mas não morreu.
— Agora é só continuar acelerando dessa forma e tomar cuidado com a direção, fique sempre na sua mão. — ele puxou o volante um pouquinho para seu lado. — nas curvas você fecha bem e permaneça atento, sempre preparado para dar de cara com um carro, caso aconteça pare o carro imediatamente, para parar é só pisar na embreagem e no freio ao mesmo tempo. — balancei a cabeça positivamente demonstrando que tinha entendido, depois de um tempo meu corpo foi tranquilizando. — você está indo muito bem. — sorri. — vamos passar a ir de carro para o serviço e todos os dias na volta você vai treinar.
— Tudo bem.
— Você vai ver, em pouco tempo você vai achar isso a coisa mais fácil do mundo.
— Assim espero.
Eduardo deixou eu guiar por mais um bom trecho, depois ele assumiu a direção e voltamos para casa.
— Tem uma barraquinha de caldo de cana ótimo aqui perto. — falou. — está afim?
— O que é caldo de cana?
— Ta de brincadeira que tu não sabes o que é caldo de cana. — ele me encarou abismado.
— Acho que eu nunca tomei.
— Em que mundo você vive?
— No meu. — respondi também rindo.
— Você por acaso é uma daquela patricinhas mimadas que vivem numa bolha cor de rosa?
— Isso foi ofensivo. — fiz cara seria mas em seguida ri. — mas acho que é isso mesmo.
— Então temos que mudar isso urgentemente. — Eduardo disse. — e para começar você vai comer um bom pastelão de feira e tomar um caldo de cana.
— Tudo bem. — concordei e ele seguiu para o tal lugar.
Assim que chegamos percebi que se tratava realmente de uma barraquinha, também havia uma carrocinha dentro dela um moedor de cana. A cana era moída na hora e era servida bem gelada, como o dia estava quente foi um alivio para meu estômago, o pastel também era frito na hora, escolhi um de carne e devo admiti que estava delicioso. Comi um pastel e tomei um copão de caldo de cana, aquilo era muito bom, como eu nunca tinha experimentado aquilo antes?
— E então? Aprovado?
— Aprovadíssimo. — falei enquanto terminava de devorar o resto de meu pastel. — acho que vou até levar um pouco para casa.
— Isso eu já não aconselho.
— Porque?
— Caldo de cana só é bom espremido na hora. — explicou. — quando você quiser nós voltamos aqui de novo.
— Olha que vou cobrar. — falei rindo e Eduardo fez o mesmo.
Depois dali seguimos de volta para casa, eu estava tão cheia que nem queria jantar, fui direto tomar um banho e quando sai Eduardo estava jogado no sofá mexendo na Netflix.
— O que vamos assistir? — perguntei me sentando no outro sofá.
— Você escolhe dessa vez. — entregou o controle para mim.
— Que tal um romance?
— Serio? Tem mesmo que ser um romance?
— Você falou que eu podia escolher. — me justifiquei.
— Maldita hora que eu disse isso. — ele falou meio bravo e aquilo me fez ri.
Optei por um dos meus filmes favoritos, na verdade eu só tinha assistido uma vez e tinha amado, na hora que o encontrei na Netflix senti vontade de ver novamente, o filme é "O seu jeito de andar", um dos poucos que já me fizeram chorar de verdade. Eduardo passou praticamente o filme todo reclamando e eu brigando com ele, no final demos mais risada do que prestamos atenção, mas valeu a pena
Na segunda-feira acordei cedo, me arrumei, fui ao banheiro e fiz minhas necessidades, ao chegar na cozinha percebi que Eduardo ainda não tinha acordado, peguei meu celular, olhei as horas e percebi que realmente era mais cedo que o normal, resolvi preparar o café, como eu não tinha noção de como fazer procurei alguma explicação no google, não me pareceu muito difícil então resolvi tentar, quando estava terminando de colocá-lo na garrafa o Eduardo apareceu na cozinha.
— Você no fogão? Ta querendo incendiar a casa logo sedo?
— Muito engraçado. — falei sem humor.— pode ficar tranquilo que eu já terminei e não incendiei nada.
— Aleluia irmão. — Eduardo pegou um copo e se serviu com um pouco de café, depois tomou um gole enquanto eu o encarava apreensiva.
— E então? Ficou bom? Foi a primeira vez que tentei fazer isso.
— Até que não ficou r**m. — ele respondeu mas fez uma careta então não acreditei, resolvi tomar um pouco para ver, o café estava h******l, muito forte e sem doce.
— Isso ta h******l. — falei e Eduardo riu.
— Tem gente que gosta de café extra forte.
— Eu sou um desastre na cozinha mesmo. — suspirei.
— Não é nada que não possa ser mudado. — Eduardo falou. — vou te dar umas aulas de culinária.
— Você?
— Da duvidando dos meus dons culinários? — ele perguntou e eu pensei por um instante.
— Na verdade não. — respondi rindo, devo admitir que das poucas vezes que Eduardo cozinhou ele realmente era muito bom naquilo.
Depois daquele café da manhã h******l nós seguimos para o serviço, como Eduardo tinha proposto no dia anterior fomos de carro para que na volta eu treinasse um pouco mais. Ao chegar na empresa Eduardo se prontificou a estacionar o carro enquanto eu já fui entrando para meu setor, m*l pisei dentro da empresa já avistei o Humberto e o Claudio conversando, eles também me viram no mesmo instante, não tinha como eu ir por outro caminho então continuei andando na direção onde eles estavam.
— Fala ai Davi! — Claudio me cumprimentou sorrindo, Humberto apenas fechou a cara e se afastou sem dizer nada.
— Ele ainda ta com muita raiva de mim, não é?
— Na verdade ele ta com outros problemas. — Claudio respondeu.
— Problemas? Que tipo de problemas. — minha curiosidade falou mais alto.
— Vem vamos para sua sala, o chefe quer essas planilhas prontas ainda essa manhã e eu vou te ajudar, enquanto isso a gente conversa.
— Tudo bem. — concordei e seguimos para minha sala, ao chegar na mesma já fui logo me sentando em minha cadeira e liguei o computador em seguida. — conta ai, o que aconteceu com o Humberto?
— A Josi saiu de casa. — respondeu enquanto organizava a pilha de papeis.
— Serio? Quando?
— Ontem à tarde. — falou. — você não sabe o que aconteceu.
— Se você não contar ai que não vou saber mesmo.
— Para começar eu conheci umas amigas suas.
— Minhas? — perguntei confusa, só me faltava agora ele começar a falar sobre pessoas que nunca vi na vida.
— É, uma se chama Milena. — realmente fiquei surpresa.
— Como você conheceu ela?
— Tô saindo com uma amiga dela. — respondeu meio sem jeito.
— Oi? Que amiga?
— O nome dela é Sara, você deve conhecer também.
— Conheço, é claro que conheço. — eu disse com um pouco de empolgação, quem diria que a tal cara era o Claudio, esse mundo é definitivamente muito pequeno.
— Espero que vocês não se conheçam do jeito que estou pensando. — levei um segundo para perceber a insinuação em sua voz.
— Não, é claro que não. — neguei no mesmo instante. — somos só amigos.
— Quem bom. — ele sorriu parecendo aliviado. — sua amiga, a Milena é uma figura. — falou uns instantes depois. — ela quase me matou de rir.
— O que ela fez? — perguntei com um pouco de receio.
— Ela armou uma vingança para o ex namorado. — começou a contar e eu fiquei tensa na cadeira. — ela contratou a Sabrina, aquela travesti que você conhece, para a mesma fazer um escândalo com o cara no baile que nós fomos.
— Serio? — eu não estava acreditando no que estava ouvindo, eu sabia que o Davi estava tramando algo, o que me impressiona é que até a Sara mentiu para mim.
— Serio, eu quase morri de rir. — Claudio confirmou. — a tal cara saiu da boate soltando fogo pelas ventas. — eu vou ter que ter uma conversinha muito seria com o Davi.
— Mas o que isso tem a ver com o Humberto?
— A é, quase me esqueci, no domingo nós fomos almoçar todos juntos, eu, a Sara, a Milena, a Alinne, que você também deve conhecer, o Humberto e a Josi. — falou. — eu até fiquei com vergonha cara, o Humberto passou o tempo todo paquerando na cara dura a Alinne.
— E ela fez o que?
— Pô, não queria dizer não, mas a garota parecia bem interessada. — respondeu. — ela deve ser sua amiga também mas tenho que dizer, essa não vale muita coisa não. — me surpreendi com aquilo, era da Alinne que ele estava falando, da minha melhor amiga, senti uma vontade imensa de defende-la, mas se Claudio estivesse falando a verdade, se a Alinne tivesse mesmo dado moral para o Humberto sendo que a esposa dele estava do lado, ela realmente estava vacilando.
— Mas mudando de assunto. — falei depois de um tempo em silêncio. — você gosta mesmo da Sara? — Claudio riu sem graça.
— Sinceramente? Acho que to gostando sim.
— Ai que bonitinho. — falei de afinando a voz, Claudio ergueu o rosto no mesmo instante e me encarou abismado. — digo... que legal!
— Você é uma figura. — por fim Claudio riu e balançou a cabeça negativamente. — pronto, já adiantei bem o seu serviço, agora é so você terminar.
— Tudo bem.
— Mas fica esperto, tem que terminar até a hora do almoço. — Claudio ainda avisou antes de sair
— Tudo bem.— falei baixo para mim mesma ao senti a pressão sobre os ombros, eu já tinha me familiarizado um pouco com o serviço mas confesso que minha cabeça esquentou para deixar tudo pronto até a hora do almoço, por sorte consegui, quando terminei fui levar os relatórios até a garagem e entreguei para os carregadores, só entao eu pude sair e tomar um ar, como eu não estava com muita fome eu segui até um canto isolado da transportadora e peguei meu celular para ligar ao Davi, desde sábado eu estava querendo falar com ele e de agora não passa.
— Fala ai! — Davi atendeu no segundo toque.
— O que você estava pensando? — já fui logo perguntando.
— Eu estava pensando em ir almoçar, to morto de fome.
— Não se faça de desentendido. — fiquei um pouco irritada. — eu estou falando da sua armação contra o Cauã.
— Armação? Eu não chamo isso de armação, chamo de vingança. — ele disse. — quem te contou? Aposto que foi o fofoqueiro do Claudio.
— É foi ele sim e eu não gostei nadinha de ficar sabendo dessa palhaçada.
— É sério que você vai defender aquele i*****l? — Davi perguntou. — depois ainda perguntam porque não damos valor as mulheres, vocês vivem pagando de burras.
— Isso não é verdade.
— A não é verdade? O cara te traiu e você não ta ai defendendo o coitadinho?
— Eu não defendi ele. — falei meio baixo e pude ouvir uma gargalhada do outro lado.
— Tu é muito trocha garota. — ele falou por fim, fiquei calada sem saber o que dizer. — a mulher do Humberto é outra.
— Na verdade ela o abandonou.
— Serio? Já estava passando da hora.
— Pensei que vocês fossem amigos. — falei.
— Nós somos. — respondeu firmemente. — só que não posso deixar de perceber que ele anda vacilando esses últimos tempos.
— Falando em vacilo. — me lembrei de algo. — é verdade que ele ficou paquerando a Alinne e ela deu moral? — Davi demorou um pouco a responder, percebi então que era verdade.
— Ela deu um pouco de moral sim, mas prometeu não sair com ele e nem manter contato.
— A Alinne ta passando de todos os limites. — falei.
— Algum dia ela já teve limites? — brincou.
— HaHaHaHa, só quem faz piadinha dela sou eu, ouviu bem?
— Ciumenta! — falou rindo.
— Quase esqueci de te falar. —comecei a dizer. —o Eduardo acredita em nós agora, ele até pediu para a irmã dele arrumar um horário com uma vidente para mim.
— Sério? O que tu fizeste para ele acreditar?
— Nada.
— Não acredito em você.
— Eu também não to pedindo para você acreditar. — falei de m*l humor.
— Eu te mato se me fama for estragada.
— Fama de que? —me fingi de pensativa. —fama de galinha?
— Você fala isso, mas aposto que gostaria de se esbaldar no meu corpinho.
— Sonha. —ouvi ele ri.
— Mas diz aí, você acha que esse negócio de vidente vai funcionar?
— Sei lá, mas é melhor que nada.
— Tem razão. —ficamos em silêncio um instante. —quer dizer que agora eu posso voltar para minha casa?
— Nem pensar. —falei no mesmo instante. —você pode sossegar o facho ai.
— Tu és muito chata.
— Sou mesmo. —concordei com desdém. —mudando de assunto, como meus pais estão?
— De boa. —respondeu sem dar importância.
— Só isso?
— Teu irmão é legal.
— Vocês estão se falando?
— Claro, ele é gente boa.
— Não deixa ele perceber nada.
— Fica tranquila, o papai aqui tem tudo sobre controle.
— Esse é meu medo. —falei e novamente o ouvi rir, eu e Davi conversamos por mais um tempo, depois nos despedimos e eu fui almoçar rapidamente pois ainda tinha muito serviço no resto do dia.
Na volta para casa como prometido Eduardo me deu outra aula de direção, ainda tive dificuldade mas foi melhor do que no dia anterior. Já era noite quando chegamos no apartamento, me lembrei então de contar ao Eduardo que tinha conversado com o Davi.
— Liguei pro Davi hoje.
— E aí?
— Ele ficou feliz em saber que agora você acredita na verdade.
— Acreditar eu até acredito, mas confesso que ainda é estranho. —ele falou rindo.
— Pra mim também é.— concordei. —vou tomar um banho que o dia foi cansativo.
— E ainda não acabou não. —Eduardo disse enquanto eu me afastava indo em direção ao corredor.
— O que mais temos para fazer?
— Esqueceu sua aula de culinária?
— Na verdade eu tinha mesmo me esquecido. —respondi enquanto ria sem graça.
Tomei um banho rápido, na verdade nem tão rápido assim, eu precisava fazer a barba pois a mesma já estava começando a me irritar, no processo eu quase arranquei uma lasca do rosto fora, aquilo era ridiculamente difícil de se fazer.
— Morreu ai dentro? —ouvi uma batida na porta, me assustei e cortei novamente o rosto.
— d***a! —reclamei baixo.
— Tá tudo bem? —m*l ele terminou de dizer eu abri a porta. —o que aconteceu com tua cara?
— Isso é h******l! —reclamei. —nunca mais faço a barba.
— Pera aí, tenho um creme bom para isso. —Eduardo foi até o quarto e voltou com a tal pomada, passei no rosto e senti o mesmo refrescar. —melhorou?
— Cem por cento.
— Bora fazer a janta então porque eu to com fome.
— Tudo bem. —o acompanhei até a cozinha. —o que vamos fazer?
— Strogonoff de frango com arroz. —ao ouvi-lo minha boca se encheu de água.
— Adoro!
— Então bora pôr a mão na massa, comece dourando o arroz. —falou em um tom levemente autoritário.
— E como eu faço isso?
— Primeiro você coloca uma vasilha de água ferver. —explicou bem devagar. —em outra boca do fogão você coloca uma panela, põe um pouco de óleo nela, quando o mesmo esquentar você joga o arroz e mexe até que fique moreno, aí por fim é só colocar a água quente, sal e deixar cozinhar.
— Só isso?
— Tá achando fácil? Então faz. —balancei a cabeça concordando, fiz passo a passo que ele falou, no final alguns caroços de arroz iam queimando, mas nada que atrapalhasse muito.
Enquanto o arroz cozinhava Eduardo me explicou como fazer o strogonoff, o preparo do mesmo era um pouco mais complicado mas acho que consegui deixa-lo gostoso. Depois de tudo pronto eu arrumei a mesa e sentamos para comer, Eduardo foi o primeiro a experimentar e eu fiquei na expectativa pela sua opinião.
— E então? Ficou bom? —ele fez um pouco mais de suspense.
— Ficou muito bom!
— Ai meu Deus! — comemorei animada ao mesmo tempo que batia palmas. — nunca na minha vida eu tinha me imaginado cozinhando.
— Você leva jeito.
— Depois dessa você vai ser obrigado a me ensinar outros pratos.
— Eu não preciso ficar te ensinando tudo, é só você procurar na internet outras receitas. —ele disse.
— Então você vai ser minha cobaia de testes.
— Agora fiquei com medo. — Eduardo fez cara de preocupado e eu ri. —tu tá só falando e nem experimentou ainda.
— Não seja por isso. — peguei uma garfada da comida e levei na boca, realmente aquilo estava muito bom, nem parecia ter sido eu mesma que tinha feito.
Eu e Eduardo terminamos a refeição em meio a conversa, quando acabei, me levantei e comecei a tirar a mesa, eu tinha me acostumado a arrumar a cozinha todos os dias.
— Pode deixar. —Eduardo disse. —como você cozinhou, hoje eu lavo a louça.
— Tem certeza?
— Regras são regras.
— Então eu vou para o quarto descansar. —avisei e me afastei.
— Espera aí. — Eduardo me chamou de volta. —eu tinha me esquecido, falei com a Duda, ela marcou uma sessão para você amanhã.
— Com a vidente? —ele balançou a cabeça positivamente. —você acha que isso vai funcionar?
— Não custa nada tentar.
— Tem razão. —concordei. —boa noite!
— Boa noite! — Eduardo respondeu de volta, segui para o quarto, antes passei no banheiro e escovei os dentes, ao chegar no quarto peguei o celular e me joguei na cama, disquei o número da Alinne e pus chamar, fui atendida no primeiro toque.
— Sabia que tu ia me ligar.— ela foi logo dizendo.
— Você faz m***a metas e eu sou obrigada a te dar bronca.
— De que m***a mesmo você ta falando?
— São tanta né?
— Não enche Milena. —falou meio brava. — fiquei sabendo que você estava defendendo o Cauã.
— Não foi bem assim.— falei. — eu só achei errado vocês armarem para cima dele.
— Errado foi ele te trair. — Alinne me corrigiu. — o que fizemos foi diversão. — ela riu por fim.
— Ele ficou muito bravo?
— Você nem imagina quanto. — continuou rindo. —parecia um vulcão prestes a explodir, foi muito engraçado. —foi minha vez de rir.
— E você em? Que história é essa de dar moral para o Humberto com a mulher dele do lado?