08

4895 Palavras
Na quarta-feira acordei praticamente morto, cada canto do meu corpo doía de uma forma que eu não conhecia, quando fui me levantar da cama para ir ao banheiro senti como se minhas tripas estivessem escorrendo pela v****a, como as mulheres suportam isso? Me arrastei até o banheiro, fiz xixi, troquei aquele absorvente imundo e quase vomitei com o cheiro, quando acabei me arrastei de volta para a cama, eu não tinha condições nenhuma de sair de casa hoje, tampei a cabeça com o edredom e voltei a cochilar, acordei assustado com um vento nas costas. — Acorda bela adormecida! — eram a Alinne e a Sara. — você já está atrasado. — Não vou me levantar não! — falei com voz sofrida. — Tem certeza que é só menstruaçao? — Sara perguntou. — Imagina então se fosse os homens que tivessem que parir? — Estaríamos extintos a milhões de anos. — as duas começaram a rir e fazer chacota da minha cara, quanto mais eu ouvia suas vozes mais minha cabeça doía. — Chega! — gritei e então senti uma coisa estranha escorrer de mim, a sensação era mais nítida do que a do sangue. — o que foi isso? — Isso o que? — Eu não sei... senti algo escorrendo. — as duas se entreolharam sem entender. — Você está menstruada isso é normal. — Alinne falou sem dar importância. — Não é não. — me levantei e segui para o banheiro, assim que abaixei o short do pijama junto com a calcinha percebi que no absorvente havia uma pasta de sangue, senti o vomito na garganta no mesmo instante, dessa vez não consegui controla-lo e vomitei no chão. — que inferno! — Você está bem? — então a porta se abriu e Alinne pôs a cabeça para dentro do banheiro. — Eu pareço estar bem? — perguntei irritado. — Adianta dizer que isso é normal? — falou entortando os lábios para o lado, respirei fundo, até quando eu continuaria nesse inferno? Troquei novamente o absorvente e Sara chamou a empregada para limpar o banheiro para mim. — Não se acostuma não. — ela falou assim que terminou. — temos que ir, você vai faltar mesmo a aula? — Eu não to me aguentando em pé— respondi. — Tudo bem, descansa, passaremos aqui depois. — Alinne disse compreensiva, quando elas iam saindo eu me lembrei de algo. — Esperem. — as chamei de novo, a empregada estava terminando de limpar o banheiro, fiz sinal para que as meninas esperassem até a mesma acabar e só então falei. — eu estava pensando aqui e acho que o Cauã não pode sair impune em relação ao que fez com a Milena. — Você está planejando algo? — Alinne já sorriu maquiavélica. — Eu até tive algumas ideias mas acho que vou precisar da ajuda de vocês. — falei. — Eu to nessa! — Alinne concordou imediatamente. — Não sei se isso é uma boa ideia não. — Para de ser careta sara. — Alinne deu um empurrão na amiga. — Já que não tenho outra escolha, estou nessa também. — Sara cedeu. — Vou pensar em algo até mais tarde. — era possível sentir a quilômetros a animação de Alinne, essa definitivamente era das minhas. — Beleza então. — falei, elas se despediram e saíram, eu até ia voltar a dormir mas meu estomago começou a roncar desesperadamente e eu resolvi levantar para comer algo, ao sair do quarto dei de cara com o Micael. — Fala ai moleque. — eu disse ao passar por ele, para completar ainda lhe dei um t**a na cabeça, o engraçado foi ver a cara de perdido que o menino fez, isso nunca perderia a graça. Passei o dia jogado na cama, muitos diriam que vida boa mas eu daria tudo para estar no meu serviço agora, pois apesar de não fazer nada eu me sentia mais cansado do que nunca. Já ia dar três horas quando as meninas apareceram. — Trouxemos uma coisa ótima para você. — Alinne disse — O que? — perguntei e em seguida ela jogou sobre mim uma caixa de trufas da Cacau Show. — Eu detesto doce. — Mas é bom para a TPM, ajuda a acalmar os nervos. — Quem te disse que eu to nervoso? — perguntei irritado, Alinne me olhou com as sobrancelhas erguidas, só então percebi que eu realmente estava nervoso, não falei nada apenas abri a caixa e devorei um dos bombons, o engraçado é que aquilo me relaxou mesmo, então aproveitei para comer alguns mais, não era sempre que eu tinha o prazer de comer chocolates caros assim de graça. — E então já pensou o que vamos fazer? — Alinne se jogou do meu lado na cama, enquanto Sara foi se sentar na cadeira da escrivaninha. — Ainda não desistiram dessa ideia maluca? — Sara perguntou. — O Cauã merece uma vingança bem dada, ele magoou a Milena. — Alinne respondeu decidida. — Eu to nessa, mas não quero problemas para o meu lado. — Você pensou em algo? — Alinne se voltou para mim. — Nem pensei direito. — admiti. — só sei que tem de ser alguma coisa ligada a masculinidade dele, algo que faça as pessoas pensarem que ele seja gay. — E isso afetaria isso como? — Sara perguntou. — E tu ainda pergunta? A pior coisa para um homem é ser tachado de gay. — falei. — só não sei como podemos fazer isso. — Você pode dizer para tudo mundo que ele não era fã de s**o. — Alinne propôs. — Não sei. — Isso não vai funcionar. — Sara disse. — vão achar que a Milena está ressentida e inventando calunias. — Acho que eu tive uma ideia melhor. — um sorriso surgiu em meu rosto enquanto as ideias criavam liga no meu cérebro. — O que é? — Alinne perguntou curiosa. — Por enquanto é segredo. — falei e ela fez cara de chateada. — só preciso de um lugar para colocar meu plano em pratica, algum lugar bem movimentado e com muitas pessoas conhecidas dele. — Sábado vai uma social de uns amigos do Cauã. — Sara disse. — a maioria dos nossos amigos foram convidados, inclusive amanhã mesmo vou pegar o convite de nos três, tenho certeza que o Cauã também vai estar porque o irmão do dono da festa é amigão dele. — Ótimo, já temos um plano, um local e agora só falta eu dar um telefonema. — conclui — Você vai mesmo nos deixar na curiosidade? — Alinne quase choramingou. — Aconselho a não faltarem nessa festa. — falei sério e em seguida ri. Se tem uma coisa que eu adoro é tramar essas histórias mirabolantes, tanto que essa foi uma das principais razoes do Eduardo não ter acreditado em mim na questão da troca de corpos. As meninas ficaram me enchendo o saco até tarde, depois que elas se foram eu fui obrigado a descer para jantar, não aguentava mais a Elsa me perguntando se eu estava bem, se eu ainda estava sofrendo pelo Cauã e principalmente não aguentava mais ela me chamando de "filhinha", "princesa" ou "bebê". — Vejo que está melhor. — o pai de Milena já foi logo dizendo assim que me viu chegar a copa, como era mesmo o nome dele? — Para mim ela está cada dia mais estranha. — Micael não perdeu a oportunidade de dizer. — Não implique com sua irmã. — Elsa saiu em minha defesa. — está melhor filhinha? — Mais ou menos. — me sentei e tratei de começar a devorar tudo que estava na mesa, em certo momento parei e percebi que o pai de Milena me encarava com um sorriso de canto. — Vejo que abandonou aquelas ideias idiotas de regime. — ele disse em tom brincalhão. — Deixe ela em paz Afonso. — Elsa o repreendeu. — Milena sempre abusa um pouco quando está de TPM, tenho certeza que assim que acabar ela volta a sua alimentação normal. — Vocês mulheres e suas regras sem sentindo. — Afonso falou balançando a cabeça negativamente. — Mulher que não se cuida perde a vez para outra. — pode ser impressão minha ou eu senti uma certa rispidez na voz de Elsa, como se a frase tivesse um sentido subliminar, talvez eu tivesse enganado, por isso nem tocaria no assinto com Milena, só sei que depois disso o silencio reinou na mesma, aproveitei para encher um pouco o saco do meu irmãozinho, o moleque até parecia ser gente boa. Dia 7 — por Milena Finalmente era sexta-feira, passei o dia inteiro abatida só de pensar que já havia se passado uma semana desde que peguei Cauã com outra garota, a sete dias eu era normal e agora estou aqui, ainda perdida e sem saber o que fazer, ontem à noite Sara me ligou com um boa notícia, ela tinha descoberto um psicanalista que acredita veemente na teoria da transmigração de alma, ele não só acreditada fielmente no que dizia a teoria como também fazia suas próprias pesquisas sobre a transmigração antes da morte, parece ridículo eu admiti, mas o que está acontecendo comigo também é ridículo então está tudo tranquilo. Sara enviou uma mensagem para o tal cara e agora era só esperar uma resposta e torcer para que a mesma me ajude em alguma coisa. Mas voltando ao meu dia exaustivo, eu estava tão entretida pesquisando rotas no mapa do google que nem percebi que Claudio e Humberto entrando na sala. — Fala ai Davi. — levei um susto, acho que nunca me acostumaria a ser chamada de Davi. — sabia que teu parceiro aqui ta apaixonadinho. — era Humberto que dizia zoando o outro. — Apaixonado é teu cu. — Ta apaixonado sim. — Eu só disse que a garota é legal. — Claudio tentou se justificar. — E também disse que ela te convidou para uma festinha dos amigos dela amanhã. — Isso não tem nada demais. — Tu ta se amarrando meu filho. — Humberto insistiu. — se eu fosse você escapava logo, mulher só serve para encher o saco. — me senti ofendida mas me controlei para não dizer nada. — Problema com tua senhora de novo? — Claudio perguntou rindo. — Pô aquela mulher só pega no meu pé— Humberto puxou uma cadeira para se sentar. — ela vive reclamando que eu não faço nada em casa, que eu não dou atenção a ela e agora ta querendo implicar com o futebol e a cervejinha que eu tomo com os caras no domingo. — eu realmente estava escutando aquilo? — Pera ai, deixa eu ver se eu entendi. — por mais que eu soubesse que não deveria me meter, por mais que o Davi tenha me dito para apenas concordar, meu instinto não permitia aquilo. — você trabalha de segunda a sábado, sai sedo e volta tarde, ai no domingo, o único dia que você tem para ficar com ela, você sai para ficar com seus amigos e deixa a mulher sozinha? — os dois me olharam incrédulos. — e você ainda se sente no direito de dizer que ela é chata? — Qual foi Davi? — Humberto riu meio sem jeito. — Eu é que pergunto? Você ama essa mulher? Porque to achando que não, nunca vi preferir um bando de homem a uma mulher. — o jeito que eu falei até me lembrou um pouco o Davi. — Não é bem assim não, eu dou tudo que aquela mulher quer. — Humberto pareceu um pouco irritado. — tudo que ela inventa de comprar eu pago. — E só porque você paga as contas dela você se sente no direito de deixa-la de lado e ainda reclamar? Vê se acorda, quando foi a última vez que você a chamou para sair? Que a levou para jantar? Que comprou flores para ela ou fez uma surpresa romântica? — minha voz alterou um pouco, acho que toda minha magoa por conta do Cauã estava refletindo na situação. — você acha que é só porque já esta casado com ela que não precisa fazer nada, que ela já está garantida, pois você fica esperto, se tu não valorizar o que tem em casa outro homem vai valorizar, ai depois não adianta chorar o leite derramado. — O que deu em tu hoje? Nem parece o Davi que eu conheço. — Humberto se levantou irritado. — até parece que tu tens moral para vir me repreender. — Eu posso até não valer nada. — concordei. — só que existe uma grande diferença entre nós dois, eu não assumi compromisso nenhum com ninguém, já você sim. — Sabe de uma coisa. — ele estava ainda mais irritado. — eu to pouco me fudendo para o que você acha, a mulher é minha e eu trato do jeito que eu quiser. — Humberto saiu em seguida. — UAU! — Claudio permanecia calado apenas ouvindo tudo. — cara tenho que concordar com o Humberto, você nem parece o Davi que eu conheço. — Uma hora ou outra a pessoa tem que amadurecer. — voltei minha atenção para o computador, minhas mãos tremiam e meu coração estava acelerado, eu nunca fui boa de discutir com ninguém e falar de um assunto tão delicado assim para mim era complicado. — Talvez você tenha razão. — Claudio concordou. — vou falar com o Humberto, ele ta nervoso, daqui a pouco vocês voltam a ficar de boa. — apenas balancei a cabeça concordando. — que ele não me ouça, mas acho que tu ta certo. — ergui os olhos do computador e encarei Claudio que já estava na porta. — ele vacila demais com a Josi. — Ta com cara de apaixonado mesmo em. — falei brincando e ele me encarou sério. — Até você! — por fim riu e saiu, já sozinha eu consegui respirar fundo, fechei os olhos, as imagens do Cauã com a outra garota passaram por minha mente, meus olhos arderam para chorar, porque é tão complicado para os homens entender como certas coisas machucam, ser ignorada ou trocada dói e traição dói mais ainda, quem dera se por uma única vez eles pudessem sentir exatamente o que a gente sente, talvez as coisas seriam diferentes, talvez eles pensassem antes de agir, antes de nos magoar. Voltar para casa naquela tarde foi como chegar ao paraíso, apesar de estar morrendo de fome eu só queria cair na cama e dormir por uma semana, assim que entrei no apartamento já fui logo me jogando no sofá, fechei os olhos e deixei meu corpo relaxar. — Você está muito quieto. — Eduardo falou ao mesmo tempo que se jogava ao meu lado no sofá. — Não foi nada. — continuei de olhos fechados. — Porque será que eu não acredito nisso? — Eu tive uma discussão com o Humberto. — respondi. — Você e o Humberto? Pensei que vocês fossem amigos? O que aconteceu? — Ele começou a falar algumas coisas da esposa que eu não gostei. — Isso não é novidade. — Eduardo disse. — a novidade é você ficar contra o Humberto. — Eu só não concordo com as atitudes dele. — Essa é outra novidade. — pelo seu tom de voz e o sorriso em seus lábios eu sabia que Eduardo estava brincando, no mesmo instante a campainha tocou. — Quem será? — perguntei sem animo nenhum para me levantar e ir atender a porta. — Não faço a menor ideia. — Eduardo se levantou com a mesma preguiça que eu estava e foi ver quem era. — Felícia!?— confesso que me assustei ao ouvir o nome da ex dele. — Oi Eduardo! — logo a mulher entrou mesmo sem ser convidada, olhei por cima dos ombros e a vi, devo admitir que ela era muito bonita, logo atrás vinha um garotinho de aproximadamente uns cinco ou seis anos. — O que você veio fazer aqui? — Vim trazer o Artur, tenho compromisso hoje e minha mãe também não pode ficar com ele. — respondeu, em seguida ela me viu sentada no sofá, sua expressão ficou pesada e seria no mesmo instante, algo me diz que ela não gosta do Davi — Você sabe que eu trabalho amanhã. — Eduardo tentava conter a irritação. — Eu não to nem ai. — Felícia disse. — é sua semana de cuidar dele então se vira, além do mais você já quase não faz nada para o garoto. — É sério que vamos discutir na frente dele? — ela respirou fundo buscando calma. — Eu pego ele domingo. — em seguida Felícia já foi jogando a mochila do garoto nos braços do Eduardo. — você já sabe as regras não é? Não dormir tarde, não se empanturrar de porcarias, não passar o dia inteiro na frente da televisão e principalmente não ficar muito tempo perto dele.— apontou para mim. — o Davi é uma péssima influencia para o Artur. — Você já disse isso inúmeras vezes. — Eduardo parecia prestes a explodir. — E vou continuar dizendo enquanto você morar com esse traste. — por algum motivo me senti ofendida apesar de saber que ela não falava de mim e sim do Davi, conhecendo um pouquinho dele como conheço, não sei se posso dizer que ela está exagerando. — me liga se acontecer alguma coisa. — Tudo bem. — Eduardo concordou. — Tchau meu filho. — Felícia se despediu do garoto. — Tchau mamãe. — eles se abraçaram e a mulher saiu logo em seguida. — E ai moleque como você está? — Eduardo falou para o garoto, em seguida largou a mochila no chão e pegou-o no colo. — To bem. — o menino respondeu com uma vozinha engraçada. — Agora que a chata da sua mãe foi embora nós podemos nos divertir horrores não é? — Artur concordou com um balançar positivo de cabeça. — fica com o Davi um pouquinho que eu vou ligar para sua dinda e ver se ela pode vir ficar com você amanhã. — Ta. — Artur concordou, Eduardo pôs o menino no chão, pegou a bolsa do mesmo e seguiu para o quarto. O menino se aproximou de mim e sentou-se em silêncio no outro sofá, ele me olhava meio acuado. — Oi! — falei na intensão de puxar assunto. — você quer assistir televisão, eu conheço uns desenhos ótimos. — Minha mãe disse que eu não posso conversar com você. — definitivamente ele não gosta de mim. — Ela não precisa ficar sabendo. — fui até o garoto e me sentei ao seu lado. — pode ser nosso segredo, o que você acha? — o menino concordou sorrindo. — amigos? — fechei a mão e ergui apenas o dedinho mindinho, Artur fez o mesmo e enroscamos nossos dedos. — Que tal escolhermos um desenho agora? — Pode ser o macaco? — ele já parecia bem mais animado. — Que macaco? — o George. — Acho que nunca vi esse desenho. — admiti rindo. — Eu te ajudo a achar. — o jeitinho que ele dizia era encantador. — OK. — entrei na Netflix e logo achamos o desenho, "George, o curioso", m*l dei play e o Artur começou a falar sem parar me contando Cada detalhe do desenho. — Pronto, já falei com a Duda. — Eduardo surgiu de novo na sala. — ela vai vir ficar com você amanhã. — OBA! — o menino ficou de pé e começou a pular. — eu adoro a tia Duda. — Pode sossegar ai, amanhã você vai passar o dia todo com ela. — Eduardo o puxou e o pôs sentado ao seu lado. — que tal pedirmos uma pizza? — Pode ser de chocolate? A mamãe não deixa eu comer. — Artur fez beicinho no final. — Tudo bem, vamos pedir duas, uma de calabresa e outra de brigadeiro. — Eduardo começou a mexer no celular. — E "refligerante". — falou igual ao cebolinha, aquilo me fez rir. — Sua mãe come meu rim se souber que você está tomando refrigerante. — Eu prometo não contar para ela. — Artur falou fazendo um X com os dedos em frente a boca. — Com quem que tu ta aprendendo isso? — Eduardo perguntou e em seguida olhou para mim. — acho que sua mãe tem razão, o Davi é um péssimo exemplo. — Só hoje, por favor! — novamente o menino fez bico enquanto juntava as mãos em frente ao queixo. — Só hoje. — Eduardo cedeu. — Oba! — novamente o menino comemorou animado. Eduardo fez o pedido e foi tomar banho, enquanto isso Artur continuou a me contar o desenho e comentar a cenas. Quando Eduardo saiu foi a minha vez de tomar um logo e bem quente banho, demorei tanto que quando sai as pizzas já tinham chegado. Nos servimos e voltamos para frente da televisão. — Que tal escolhermos um outro filme, já estou enjoado de ver esse macaco chato. — Eduardo disse. — O George não é chato. — Artur falou bravinho. — Está certo, ele não é, mas podemos escolher outro filme. — Eu escolho. — Eu não mando mais nada mesmo. — Eduardo brincou e eu cai na risada. O menino acabou decidimos por um filme chamado "animais unidos jamais serão vencidos", admito que não dava nada por ele mas no final me acabei de rir, assistimos o filme completo, depois Eduardo apareceu com um joguinho de tabuleiro, nos sentamos no chão da sala e ficamos lá até quase onze horas, só paramos de jogar porque Artur já estava caindo de sono, Eduardo foi colocar o menino para dormir e eu aproveitei para juntar os pratos sujos e lavar. — Cara, nunca vi uma criança ter tanta energia. — Eduardo falou em meio a um bocejo enquanto chegava na cozinha. — preciso dormir também. — ele se serviu de um copo de agua. — Boa noite! — falei enquanto ele saia da cozinha. — Boa noite! — respondeu de volta. Quando terminei de lavar os pratos eu segui para meu quarto, assim que entrei no mesmo já fui logo reparando que meu cesto de roupa suja já estava transbordando e eu precisava de roupa limpa pois meus uniformes também tinham acabado, o problema era que eu nunca tinha colocado roupa para lavar na vida, acho que eu não saberia ligar uma máquina, mas isso também não mudava o fato de eu precisar lavar as roupas. — Não deve ser difícil. — falei para mim mesma, em seguida separei algumas roupas e segui para a área de serviço. Assim que dei de cara com a máquina e aquele tanto de botões eu comecei a desconfiar que talvez não seja tão fácil assim, abri primeiramente a água e deixei encher, eu não sabia se era assim, mas o que poderia dar errado? Quando estava cheio eu coloquei a roupa, em seguida peguei a caixa de sabão em ** e despejei um pouco, acabei me descontrolando e despejando um pouquinho demais, o problema era descobrir como tirar o sabão dali, talvez não dê problema, liguei a máquina, como eu tinha colocado bastante água, um pouco da mesma começou a pular para fora, tampei a máquina para acabar com o problema, ai que eu estava enganada, eu tinha botado muito sabão e a espuma começou a subir e a vazar para fora, comecei a entrar em desespero e apertei vários botões, nada funcionou e a espuma começava a se espalhar por toda a área de serviço que não era muito grande. — Ai d***a! — sai dali e corri até o quarto do Eduardo, ele estava dormindo em um colchonete no chão, me aproximei dele e o cutuquei com força. — O que foi? — perguntou sonolento. — Eu preciso de ajuda. — já fui logo puxando-o para que o mesmo ficasse em pé. — O que ta acontecendo? — o arrastei até a área de serviço que agora já estava completamente cheia de sabão. — que m***a! — ele foi tentar desligar a máquina, escorregou e caiu de costas no chão, fui tentar ajudá-lo a se levantar e cai também. — c*****o! — ele se esgueirou até um canto da máquina e puxou a tomada da mesma, no mesmo instante tudo cessou. — o que aconteceu aqui? — Eu só queria lavar minhas roupas. — falei chorosa. — E gastava colocar uma caixa de sabão em **? — Na verdade não foi um caixa. — respondi. — foi só meia. — Eduardo me olhou indignado. — eu nunca tinha feito isso antes poxa. — ele só balançou a cabeça negativamente e se colocou em pé com dificuldade. — e agora? — E agora? — perguntou de volta. — Vamos ter que limpar essa bagunça. Quando acabamos de secar toda a espuma já iria dar uma hora da manhã e eu estava caindo de sono, Eduardo ainda me explicou como colocar a roupa para lavar, eu quase tinha feito certo, só tinha exagerado no sabão. — Definitivamente essa foi nova para mim. — do nada ele começou a rir, estávamos os dois molhados e emplastados de sabão, comecei a achar graça da situação também e no fim já estávamos os dois morrendo de rir. — como alguém me faz uma bagunça dessas? — Eu já falei. — Mesmo assim.— ele continuava se acabando de rir. — eu devia ter gravado isso. — E depois mandado para o Faustão. — completei. — Seria uma bela cacetada. — concordou. — vou tomar um outro banho e ir dormi. — falou por fim e seguiu para o quarto, também segui para o meu, escolhi uma roupa, depois que Eduardo saiu do banheiro eu também passei outra agua no corpo para tirar o sabão e fui dormir, demorei um tempo para adormecer relembrando da bagunça que fiz, acho que nunca me diverti tanto assim. No sábado acordei no horário de sempre, me arrumei para o serviço e sai na frente porque Eduardo iria esperar a irmã chegar primeiro. Ao chegar na transportadora fui direto para minha sala, não vi nem sinal dos rapazes e dei graças a deus por isso. Por ser sábado o serviço estava mais tranquilo, a única parte chara foi ter que repassar as rotas para os motoristas, era a segunda vez que eu fazia isso nessa semana e ainda não tinha me acostumado a trabalhar no meio de tantos homens. Pouco antes do horário do almoço recebi uma ligação muito estranha do Davi, ele queria saber várias coisas sobre o Cauã, coisas bem intimas na verdade, quando eu perguntei porque ele queria saber tudo aquilo Davi simplesmente desconversou e falou que era para o caso de cruzar com o Cauã de novo, eu não acreditei nem um pouco naquilo, tinha certeza que Davi estava aprontando algo então liguei para a Sara e perguntei a ela, a mesma disse que não estava acontecendo nada então deixei para lá, Sara não gosta de armações, diferente da Alinne, por isso se ela disse que dava não estava aprontando nada eu acreditava. O expediente no sábado também era menor, em vez de pararmos as cinco como nos outros dias, nos parávamos as duas. Eu e Eduardo voltamos para casa juntos, finalmente a semana tinha acabado e eu poderia descansar, nunca em toda minha vida eu pensei em trabalhar tanto e com certeza nunca tinha ficado tão cansada. m*l Eduardo abriu a porta do apartamento já ouvimos a vozinha estridente do Artur. — Olha quem chegou. — Maria Eduarda falou assim que nos viu. — Pai! — Artur veio correndo para os braços de Eduardo. — podemos ir jogar bola no campinho. — Eu m*l cheguei e você já quer que eu saio de novo? — ele perguntou erguendo o menino do chão. — você se comportou? Obedeceu a madrinha? — Artur balançou a cabeça positivamente. — é verdade Duda? — É sim. — respondeu. — o Artur é um amor! — Então acho que você está merecendo ir jogar bola. — Oba! — Artur quase pulou do colo do pai. — Obrigada por ter ficado com ele. — Eduardo falou para a irmã. — Não foi nada, sem pre que precisar estou as ordens. — Tudo bem. — Então eu já vou indo. — ela anunciou pegando sua bolsa sobre a estante. — tchau Eduardo. — se despediu do irmão com um abraço, em seguida virou-se para mim. — tchau Davi. — Tchau. — acho que eu nunca me acostumaria a ser chamada de Davi. Maria Eduarda saiu em seguida, m*l ela fechou a porta Artur reapareceu na sala já com a sua chuteirinha nos pés. — Podemos ir? — Calma. — Eduardo riu. — preciso de um banho primeiro, você também vem Davi? — Ir onde? — Jogar futebol com a gente. — Eduardo respondeu. — Acho melhor não. — fiz uma careta. — Vamos também. — Artur fez carinha de pidão. — Vai ter coragem de dizer não para isso? — realmente aquela carinha de cachorro sem dono derretia qualquer coração. — Tudo bem, vocês venceram, eu vou também. — eu detestava futebol, detestava ficar suada e nunca tinha pegado em uma bola, aquilo sim seria demais, para não dizer o contrário.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR