Dia 3 — por Milena.
Acordei as seis horas com o celular despertando, a preguiça tomava conta do meu corpo e eu demorei quase um século para me levantar, na verdade foi só dez minutos mas pareceu muito tempo para mim. Quando finalmente consegui sair da cama fui direto para o banheiro fazer minhas necessidades, lavei o rosto, escovei os dentes e quando sai percebi que Eduardo já estava na cozinha preparando o café, ele parecia pronto para o serviço, como eu não tinha outra escolha voltei para o quarto e me troquei vestindo a roupa que Davi tinha mandado.
— Bom dia! —falei ao Eduardo assim que cheguei a cozinha.
— Bom dia! —ele respondeu sério. — o café está pronto, é melhor tomar logo pois já estamos atrasados.
— Tudo bem. —concordei e fui fazer o que ele tinha mandado.
Depois do café eu escovei os dentes e saímos, pegamos um ônibus e aproximadamente uma hora depois estávamos chegando a transportadora, confesso que meu nervosismo era tanto que eu chegava a suar frio. Ao descer do ônibus Eduardo foi à frente cumprimentando todos que viam.
— Olha só quem resolveu voltar pro serviço. — um rapaz moreno se aproximou de mim, será que era o tal Humberto que o Davi falou? — o Eduardo disse que você não estava bem.
— Isso só pode ser falta de mulher. —outro rapaz apareceu.
— Vai deixar ele falar assim com você? — o moreno me cutucou, fiquei totalmente perdida e sem saber o que dizer, eu tinha que falar algo que o Davi diria, mas nenhuma m***a medida que poderia sair de sua boca veio a minha mente naquele momento.
— Ai Humberto. —por sorte alguém gritou. —estão precisando de você e o Cláudio no galpão 5.
— Hora de trabalhar.— Cláudio falou, ele é Humberto caminharam para dentro da empresa.— tu não vai vir não o preguiçoso? —perguntou para mim, respirei fundo, no exterior eu tentava parecer normal, mas por dentro eu parecia que teria um treco a qualquer instante.
Não vi um dia demorar tanto a passar, as horas pareciam se arrastar e tudo naquela empresa parecia um enigma para mim, Davi fez parecer que seu emprego era simples, mas não era, na verdade era muito complicado, eu estava completamente perdida tendo que criar uma rota quando Cláudio veio me chamar para almoçar.
— Você tá com uma cara péssima.
— Nada tá dando certo, d***a! —falei irritada.
— Vamos almoçar que depois eu te dou uma mão nisso aí.
— Sério? — fiquei até feliz.
— Eu já to acostumado a tirar você de roubadas.
— Que roubadas? —perguntei.
— Vai dizer que não lembra? Quantas vezes você já veio trabalhar de ressaca e m*l conseguia parar em pé. — falou rindo. —se não fosse eu você já estava na rua a muito tempo.
— Esse sou eu. —sussurrei e me levantei saindo do meu pequeno escritório logo atrás de Cláudio.
Almocei junto com ele é o Humberto, como Davi tinha me dito o último só sabia reclamar da esposa, tive que me segurar ao máximo para não falar o que não devia. Na parte da tarde Cláudio me ajudou com os planejamentos, prestei atenção em tudo, no final não era tão complicado assim é meu dia que começou uma m***a terminou um pouco melhor.
Quando finalmente cheguei em casa, eu estava exausta, nunca pensei que trabalhar cansasse tanto, mas ao mesmo tempo eu estava feliz comigo mesmo, por mais difícil que o dia de hoje tivesse sido, eu consegui supera-lo e isso significava muito. Como Eduardo iria encontrar sua ex, tivemos que pegar ônibus diferentes, ele foi para seu compromisso e eu voltei para casa, dentro do ônibus percebi que havia uma mensagem do Davi, resolvi abrir e ler.
"E então? Como foi o dia?"
"h******l! Seu trabalhar é chato e eu me enrolei toda."
"Espero que não tenha feito merda." — ele respondeu após alguns instantes.
"Só não fiz porque seus amigos me ajudaram."
"Eu não falei que eles são gente boa?"
"Até que são sim." — fui obrigada a concordar, até porque se não fosse os dois eu tinha me dado muito m*l hoje.
Depois que desci do ônibus eu me arrastei até o apartamento, eu só queria cair na cama mas a fome falou mais alto e eu percebi que teria de fazer algo para comer antes, o problema é que eu não sabia cozinhar, não sabia nem ferver agua para ser sincera. Resolvi tomar um banho primeiro e só depois foi procurar umas receitas na internet para fazer, demorei um século olhando várias receitas, como não havia muitas coisas no armário optei por uma macarronada simples mesmo, a essa altura eu comeria até o reboco da parede se deixassem.
Como dizia na receita, coloquei uma panela com água no fogo, quando começou a ferver eu coloquei o macarrão e deixei cozinhando, fui me sentar na sala e peguei o celular, queria mandar uma mensagem para a Alinne perguntando se o Davi havia se comportado, sei que se eu perguntasse para ele não adiantaria nada.
"Oiiii! Então, foi difícil aturar o Davi?" — enviei e fiquei aguardando a resposta que não demorou a vir.
"Que nada, kkkk, ele é super tranquilo."
"Estamos falando do mesmo Davi?"
"É claro, o menino é divertido."
"Não vai me dizer que já se interessou?"
"Se ele não estivesse no seu corpo..."
"Você é nojenta!" — respondi enquanto revirava os olhos. — "mas ele se comportou na faculdade"
"Ele tentou."
"O que você quer dizer com isso?"
"Ia tudo bem até ele cantar uma das suas professoras, aquela morena bonitona."
"Ta brincando? Ele não fez isso."
"Infelizmente fez sim, kkkk."
"Eu vou m***r o Davi!"
"Não é para tanto, no final ele conseguiu reverter a situação e a professora parece ter engolido"
"Esse cara é um retardado!"
"Kkkk, para piorar o Davi quase deu de cara com o Cauã."
"Serio! E ai?"
"Por sorte eu dei de cara com o Cauã primeiro e consegui evitar o encontro." — respirei um pouco mais aliviada.
"Ufa! Mas me conta, como estão as coisas com você e a Sara? E com meus pais? Estou com tantas saudades de casa, parece que tem um século que estou nesse maldito corpo."
"Na sua casa está tudo, seus pais estão engolindo o Davi, só o Micael que está meio desconfiado."
"Meu irmão é esperto, vai acabar sacando algo."
"Vamos torcer que não, mas mudando de assunto, tenho uma bomba para te contar." — fiquei curiosa.
"Fala logo." — enviei e Alinne começou a me atualizar de alguns fatos, um deles foi a Sara ter conhecido um carinha ai e se encantando, para a Sara estar esse rapaz deve ser mesmo muito interessante, fiquei até curiosa para ver quem é.
Eu e Alinne ficamos conversando por um longo tempo, me distrai tanto que só voltei a realidade quando a porta do apartamento se abriu e Eduardo surgiu pela mesma.
— Que cheiro é esse? — Eduardo perguntou aspirando o ar, fiz o mesmo e só então senti o cheiro horroroso de queimado. — tem alguma coisa queimando?
— Aí m***a! — foi então que me lembrei do macarrão no fogo, me levantei num pulo e corri para a cozinha, a água do cozimento tinha secado, o macarrão colou no fundo e virou carvão. —d***a! — desliguei o fogo e levei a mão na testa.
— Nossa! —Eduardo surgiu atrás de mim com uma careta no rosto. —eu sabia que tu eras m*l na cozinha, mas dessa vez você se superou.
— E agora? O que eu vou jantar? — minha fome voltou com força total e eu fiz cara triste.
— Podemos pedir um lanche. —ele sugeriu.
— Que lanche?
— Sei lá. —arqueou os ombros. — eu vou querer aquele xtudão da lanchonete da esquina.
— Eu também quero. —me deu até água na boca, o que é estranho pois esses lanches gordurosos nunca fizeram parte da minha dieta.
— Tudo bem, vou ligar pra lá e pedir. — Eduardo falou rindo, em seguida pegou o celular e ligou para a tal lanchonete. — pronto. — ele disse assim que encerrou a chamada. — daqui a pouco eles entregam, vou tomar um banho e se chegar antes de eu sair pode pegar o dinheiro na minha carteira, que está lá no quarto sobre o criado.
— Está certo. — concordei no mesmo instante que ele seguia para seu quarto.
Liguei a televisão e comecei a procurar algum filme para assistir na netflix, o lanche acabou chegando antes do Eduardo sair do banho, fiz o que ele mandou e peguei dinheiro na sua carteira para pagar seu lanche, acabei encontrando uma foto de um menino na mesma e me distrai olhando-a.
— O lanche chegou? — levei um susto ao ouvir a voz do Eduardo, me virei em sua direção quase com o coração na goela, novamente me deparei com ele sem camisa, mas dessa vez Eduardo estava de bermuda e secava os cabelos na toalha.
— Chegou sim. — guardei a foto rapidamente e peguei o dinheiro, depois peguei o cartão do Davi e paguei tudo, por sorte a senha que encontrei no outro dia estava correta.
— Cara to morto de fome! — Eduardo apareceu na sala no minuto seguinte, ele pegou seu lanche e foi se sentar no sofá, em seguida pegou o controle da televisão e começou a zapear em meio aos filmes de ação. — acho que esse deve ser bom. — falou e olhou para mim.
— Pode ser.— na verdade eu detestava filmes de ação ou terror, para mim não passava de violência e eu me assustava muito fácil.
Assim que abri a caixinha de lanche percebi que aquele hambúrguer era enorme, Eduardo devorava com muita vontade sem se preocupar em sujar o rosto ou não, até tentei fazer o mesmo mas não dava, me irritei com a primeira sujada de maionese, resolvi pegar uma colher na cozinha para comer.
— É sério isso? — Eduardo perguntou rindo quando me viu voltar com a colher.
— Eu não consigo morder esse negócio sem sujar a cara inteira. — me justifiquei, aquilo só o fez rir mais.
— Desde quando isso importa?
— Porque é tão difícil para você aceitar que eu não sou o Davi? Meu nome é Milena, nós trocamos de corpo e o Davi está no meu. — tentei mais uma vez.
— Porque se eu aceitar isso eu vou estar definitivamente assinando meu atestado de insanidade. — ele respondeu. — isso não existe Davi, no máximo você está passando por uma confusão de personalidade, é melhor procurar um psiquiatra, isso pode ser expresse ou drogas.
— Quem dera que fosse isso. — falei baixo, ficamos em silencio por algum tempo, o clima ficou estranho, meio pesado, me lembrei de algo e resolvi tentar apaziguar a situação. — como foi seu encontro?
— Com a Felícia? — ele perguntou e eu balancei a cabeça positivamente. — complicado como sempre, ela insiste em aumentar o valor da pensão e disse que se eu não concordar vai ne levar na justiça.
— Mas isso não é justo.
— Vai falar isso para ela. — um sorriso sarcástico surgiu em seus lábios. — eu já pago além do que deveria.
— E você pretende fazer o que?
— Não há nada que eu possa fazer, o dinheiro que ela quer eu não posso dar, só me resta esperar e ver se ela vai mesmo levar na justiça.
— Mas você acha que se vocês forem a justiça ela consegue?
— Eu espero que não. — sorriu, dessa vez de forma mais tranquila.
— Vai dar tudo certo! — falei, continuamos a conversar sobre outros assuntos, procurei ao máximo não prestar atenção no filme que estava passando, mas devo admitir que não era tão r**m assim, outra coisa que não era r**m era o lanche que eu estava comendo, na verdade aquilo era delicioso, quanto mais eu comia mas eu sentia vontade de comer.
Depois de comer eu fui obrigada a arrumar a bagunça que tinha feito mais cedo, eu demorei uma eternidade tentando tirar todo o preto da panela mas mesmo assim não consegui, no fim além do preto estar em toda a panela ainda estava nas minhas unhas, aquilo era nojento, mas se tratando de unhas de homem não era tão importante.
— Conseguiu limpar? — Eduardo surgiu na cozinha.
— Não. — lhe mostrei a panela.
— Isso não vai sair. — ele falou rindo. — você me deve uma panela.
— Porque não falou isso antes? Eu nem teria tentando limpar. — eu estava irritada, não com o Eduardo mas sim com a panela. Quando terminei, dei boa noite para o Eduardo e segui para o quarto, limpei minhas unhas e me joguei exausta na cama, nem acredito que amanhã eu teria que fazer tudo outra vez, até quando isso iria durar? Eu precisava urgentemente procurar um jeito para voltar ao meu corpo