— Três anos. — respondeu. — sei que nos casamos apenas porque ela engravidou do Artur, mas eu tinha esperança das coisas darem certo.
— Nem sempre nossos planos saem como pensamos. — acho que falei aquilo mais para mim mesmo do que para ele.
— To começando a achar que você trocou mesmo de corpo com aquela garota. — cai na risada e ele fez o mesmo — falando nela, ela tá se divertindo horrores junto com os rapazes.
— A meu deus. — me levantei num pulo.
— Ficou preocupado?
— Preocupado é pouco. — voltei na direção de onde a festa estava rolando, logo avistei Davi no meio dos homens, eles estavam jogando sinuca e rindo, aparentemente estava tudo normal.
— Ela só está se divertindo. — percebi que Eduardo tinha me acompanhado. — sabe que vocês dois combinam.
— Porque tá dizendo isso?
— Ela parece um clone seu. — explicou. — e deve ser lésbica também porque te juro que vi ela secando a b***a das meninas. — engasguei com meu próprio ar, por essa o Davi me paga
A festa durou até o começo da noite, Davi fez questão de se afogar na cerveja enquanto eu me continha para não afoga-lo na piscina, só não o fiz porque seria meu corpo que eu mataria. Davi ria e fazia piadinhas sem graças, enquanto eu permanecia calada em canto e bastante constrangida. Depois de mais um tempo, já cansada de estar ali eu me aproximo do Davi a fim de chama-lo para ir embora.
— É melhor irmos. —falei.
— Mais já? —perguntou rindo. — acabamos de chegar e a festa tá demais. — pela sua voz era nítido perceber a embriaguez.
— Já estamos aqui a horas. — eu disse tentando conter a irritação. — além do mais amanhã você tem aula na faculdade.
— Sério isso?
— Muito sério. —respondi e ele respirou fundo.
— Tá bancando o tiozão hoje porque em Davi? — Yago se meteu na conversa. — tá com medo de algum cara aqui tomar sua mina? —é lógico que ele estava falando do seu irmão, Yuri, que desde que chegamos não desgrudou do Davi.
— Medo nenhum. — um sorriso surgiu em meu rosto. — tenho certeza que ela e o Yuri fariam um belo casal. —Davi me olhou sério. — bom eu já vou indo, amanhã pego cedo no serviço e estou muito cansado. —me despedi. —Yuri cuida bem da minha prima tá.
— Isso é com nós mesmo. — já fui logo me afastando.
— Eu vou também. —logo ouvi a voz do Davi.
— Mas já Milena? —Yuri perguntou.
— Assustou a garota. —um rapaz que eu não conhecia falou.
— Fica tímida não. —essa voz era do Yago, todos os caras ficaram rindo e zoando, eu também não resisti e cai na risada.
— Você me paga. –Davi falou baixo ao passar por mim.
— Desconta em todas as merdas que você fez hoje. — ele nem se quer me olhou e apenas mostrou-me seu dedo do meio. — espera realmente precisamos conversar. —dei um pequeno galope para apanha-lo.
— Não venha com seus sermões.
— Eu não estava brincando quando falei da aula de amanhã. —só então ele parou. —eu faço faculdade de psicologia e você tem que ir no meu lugar.
— Não tenho não.
— Então eu não tenho que ir para o seu serviço.
— O problema é seu. —ele disse parecendo não se importar. — a única pessoa que precisa ralar para ter dinheiro agora é você.
— Porque você tem que ser tão teimoso em Davi? — fui ignorada novamente. — eu conversei com a Ingrid hoje, por um segundo eu achei que estava enganada sobre você, mas acho que ela é que esta. — só então Davi parou, mas também não me olhou e muito menos disse uma só palavra. — você só se importa com seu próprio umbigo. — passei por ele e caminhei a passos largos para fora da casa.
— O que é que eu tenho que fazer? — senti meu coração se aliviar um pouco ao ouvi-lo falar.
— Você tem que ir para a faculdade por mim.
— De psicologia? Eu nem sei que p***a é isso direito.
— Você não precisa entender tudo do assunto, é só enrolar na aula, anotar as explicações e eu te ajudo com os trabalhos e outras coisas. — tentei explicar.
— Isso não vai dar certo.
— Isso já não está dando certo. — corrigi-o.— vou mandar uma mensagem para a Alinne e pedir que ela vá te ajudar e ase arrumar e a chegar na faculdade, pelo menos esteja acordado as sete horas no máximo.
— Isso é moleza. — ele riu. — quero ver tu acordar as seis.
— Falando em acordar. — me lembrei de algo. — o que mesmo é seu serviço?
— Tu sabes que eu trabalho numa transportadora né? — balancei a cabeça assentindo. — e não sabe o que uma transportadora faz?
— Eu sei o que uma transportadora faz, eu só não sei o que você faz lá. — respondi.
— Meu serviço é bem simples mas precisa de atenção. — ele começou a dizer enquanto voltávamos a caminhar pela calçada. — como a empresa é muito grande somos contratados para vários transportes ao mesmo tempo, o serviço do Eduardo é receber esses pedidos e o pagamento, já o meu trabalho é organizar as cargas e planejar as rotas, depois de feito é so encaminhar para a motorista.
— Como assim organizar carga e planejar rota? — eu estava completamente perdida.
— Digamos que o caminhão pode transportar vários pedidos para pessoas diferente, tudo ao mesmo tempo. — explicou pacientemente. — você vai organizar as localidades mais próximas, para não ter que ficar indo e voltando, entendeu?
— Acho que sim.
— E a rota é o trajeto que o caminhão vai fazer, você deve procurar caminhos que diminuam o tempo de entrega e também o dinheiro que vamos gastar.
— Isso é muito difícil. — comecei a ficar ansiosa. — acho que eu não vou conseguir.
— Você pega o jeito. — me encorajou. — mas se você tiver qualquer dúvida, é preferível perguntar, porque se você perder qualquer carga ali, o prejuízo é muito grande e a empresa não perdoa.
— E eu pergunto para quem? O Eduardo?
— Pra ele vai ser um pouco complicado pois vocês trabalham afastados, mas você pode procurar o Humberto ou o Claudio, eles trabalham ajudando a transferir carga de um caminhão para o outro.
— Mais gente desconhecida. — respirei fundo.
— Eles são legais, são parceiros meus e como nós trabalhamos praticamente juntos você vai acabar esbarrando com os dois.
— Da para me falar um pouquinho deles?
— Bom, os dois sempre estão juntos, o Humberto é mais moreno, quase n***o na verdade, ele é casado e vive reclamando da esposa, então apenas concorde.
— Homens. — revirei os olhos.
— Já o Claudio é que nem eu solteirão, ele é bem divertido e adora convidar eu e o Eduardo para uma cervejinha no final do dia.
— Mais bebida.
— La vem a vovó reclamona.
— Eu não sou vovó. — falei ofendida.
— Mas é reclamona e careta. — ele disse e eu fechei a cara. — relaxar um pouco e se divertir não é problema nenhum.
— Mas eu sei me divertir.
— O seu tipo de diversão não é divertido. — falou num ar sério. — antes que eu me esqueço, você tem que usar a camisa de uniforme e botina de p******o.
— Já que você falou em roupa, eu espero realmente que essa seja a última vez que eu te veja com as roupas do meu irmão e espero também que você comece a se produzir um pouquinho mais.
— Para que eu preciso me arrumar? Não pretendo arrumar homem.
— E quem disse que mulher só se arruma para impressionar homem?
— E não é?
— É logico que não. — respondi. — nos arrumamos para ficar bem com nós mesmas, é algo que levanta a autoestima e que nos torna mais dispostas a enfrentar o dia.
— Para mim ainda sim é bobagem.
— Você é muito machista. — desisti de argumentar com ele, Davi parecia que ainda morava em uma caverna.
Quando finalmente cheguei em casa eu só queria um bom banho e cama, antes que eu me esquecesse enviei uma mensagem para a Alinne pedindo que ela fosse ajudar o Davi, ela concordou no mesmo instante. Depois fui tomar meu banho e quando sai segui para a cozinha a fim de achar algo para comer, estava terminando de fazer um sanduiche quando Eduardo chegou.
— Já em casa? Pensei que fosse se divertir um pouco com sua amiguinha.
— Porque home só pensa em s**o? — falei sem pensar, quando percebi Eduardo me encarava sem entender.
— Homem não pensa só em s**o, mas você é exceção, você respira s**o.
— Eu já disse que estou tentando mudar.
— Isso é pela Ingrid não é? Será que finalmente você se tocou que ela é a mulher certa para você?
— Talvez.
— O Yago ficou amarradão na sua amiga.
— Ela também gostou muito dele.— dei ênfase no muito.
— E porque ela praticamente saiu fugida?
— A Milena não leva muito jeito com rapazes, mas se ele insistir tenho certeza que pega. — minha vingança está lançada.
— Vou avisar para ele. — Eduardo falou e seguiu para o quarto em seguida, isso seria bom para o Davi aprender o quanto é h******l quando uma mulher não quer ficar com o cara e mesmo assim ele fica no seu pé.
Ao terminar meu lanche, lavei meu copo e segui para quarto, levei um susto ao dar de cara com Eduardo saindo da banheiro, ele tinha acabado de tomar banho, estava com os cabelos molhados e gotas de água escorria por seu peito, na cintura havia apenas uma toalha enrolada, quase me desmanchei ali mesmo, senti minhas pernas bambearem e tive que me conter para não dar na cara, por sorte ele pareceu não perceber, apenas se desculpou e seguiu para seu quarto, só então eu segui para meu ainda sentindo algo revirar no estomago.
— Isso não vai dar certo. — falei para mim mesma. — definitivamente não vai dar certo.