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1311 Palavras
— Até que enfim chegaram, pensei que não viriam mais. — Sara falou, ela parecia muito feliz. — Sabe como eu sou para sair de casa, demoro um século para me arrumar. — Alinne explicou, enquanto dizia notei que Humberto a comia com os olhos, sua esposa ao lado parecia ter notado e não ter gostado muito. — Deixa eu apresentar. — sara falou. — esse é o Humberto e a esposa dele, Josi. — Muito prazer. — Alinne disse sorrindo. — O prazer é meu. — é claro que Humberto respondeu no mesmo instante sem nem ao menos piscar. — Ai Humberto. — Claudio chamou a atenção do amigo e só entao ele desviou o olhar de Alinne. — a Milena é amiga do Davi. — Amiga? Sério? — só entao ele olhou para mim, algo naquele olhar me deu náuseas, ele estava visivelmente imaginando coisas. — Sim, amiga, só amiga. — cortei curto e grosso, nunca me importei com esse jeito sem vergonha do Humberto, isso até ele me olhar daquela forma, eu definitivamente não mereço isso. Nisso o garçom apareceu, nos sentamos e fizemos nossos pedidos, eu fiquei perto da Josi que permanecia calada, Alinne estava praticamente de frente para o Humberto e as trocas de olhares dos dois estavam tão na cara que chegava a ser constrangedor. Os únicos que pareciam não notar era o Claudio e a Sara, eles pareciam estar em um mundo paralelo, conversavam, riam, definitivamente tinha cheiro de romance no ar. — Então...— resolvi puxar assunto com a Josi. — quer dizer que você é professora? — Como você sabe? — maldita boca a minha. — Acho que o Davi comentou. — Sério? — ela pareceu confusa e Humberto me encarou de um jeito nada amigável. — É ele falou por alto. — eles pareceram engolir. — você da aula para criança? — Na verdade eu dou aula numa escola de ensino médio, sou professora de matemática. — respondeu. — Que legal. — falei e voltamos a ficar calados, eu já falei que sou péssimo em manter assunto, principalmente com mulher. — deve ser bem cansativo. — Na verdade é sim, mas também é gratificante. — pelo jeito que ela falava estava na cara que realmente gostava do que fazia. Nossos pratos chegaram e comemos praticamente em silencio, vez ou outra Claudio e Sara iniciavam um assunto geral, até cheguei a trocar algumas ideias com eles, a única que ficou calada foi a Josi, estava na cara que ela percebeu os olhares de Humberto e Alinne e estava chateada. O assunto ficou mais animado enquanto esperávamos a sobremesa ficar pronta, a essa altura todos estavam mais soltos e rolava altas risadas, fora as piadas sem graça que o Claudio insistia em soltar, não sei como ele não havia espantado a Sara ainda. — Eu vou ao toalhete. — Josi anunciou em um certo momento enquanto se levantava da mesa, fiquei olhando-a sair, Humberto parecia nem ter notado sua ausência, ele e Alinne conversavam animadamente. — Eu também vou ao banheiro. — me levantei e segui atrás da Josi, a encontrei no banheiro encarando o espelho. — está tudo bem? — me arrisquei a perguntar. — Está. — ele respondeu forçando um sorriso. — só estou um pouco cansada, essa semana foi puxado no colégio. — Minha semana também pareceu um século. — falei me posicionando também em frente ao espelho e fingindo arrumar o cabelo, na verdade eu estava era imitando a Josi. — Você trabalha? — Na verdade eu só estudo. — respondi. — E estuda o que? — Psicologia. — Nossa que legal. — sorriu, dessa vez de forma sincera. — você tem cara mesmo de psicóloga. — Sei se isso é verdade não. — falei fazendo careta. — Você é bem legal, confesso que fiquei um pouco apreensiva quando o Claudio disse que você era a miga do Davi. — Por que? — Porque as amigas dele nunca são flor que se cheire. — explicou e eu ri. — Você também é bem legal. — falei. — É melhor voltarmos. — Josi disse por fim, lavei as mãos e sai logo atrás dela, dali podíamos avistar a mesa e a primeira coisa que notei foi que tanto o Humberto quanto a Alinne não estavam lá. — Vou procurar o Humberto. — Josi avisou também notando que o marido havia desaparecido, ela se afastou, olhei em direção ao terraço e avistei os dois conversando, eles se despediram e Humberto voltou para dentro, apressei o passo e me aproximei de Alinne. — O que estava acontecendo aqui? — Ai que susto! — falou levando a mão no peito, Alinne não tinha me visto chegar. — não estava acontecendo nada, só estavamos conversando. — Sei. — na verdade eu não acreditei nem um pouco. — Ele é um gato. — ela falou baixo e sorriu. — e pediu meu telefone. — E você deu? — Claro, por que não? — Ele é casado. — falei. — E daí? Quem deve fidelidade é ele e não eu. — Você vai ter coragem de sair com ele? — eu estava me controlando para não aumentar a voz. — vai ter coragem de bancar a outra? — Eu não vou sair com ele, ta! — ela respondeu mas eu não levei muita fé. — qual foi em Davi? Da querendo dar lição de moral agora? Pelo que eu sei você não é nenhum santo. — ao dizer Alinne saiu em seguida, eu por minha vez fiquei ali estático sem saber o que estava acontecendo comigo, ela estava certa, esse não era eu, nunca foi. Voltei para mesa alguns minutos depois, permaneci o resto do tempo ali calado, pensativo e só torcendo para que aquele almoço acabasse logo. Após o almoço eu voltei para casa novamente com a Alinne, os dois calados e m*l olhando um na cara do outro. — Olha Davi. — Alinne puxou assunto assim que parou em frente à minha casa. — eu prometo que não vou sair com o Humberto, prometo também que não vou responder nenhuma mensagem dele. — É melhor assim, a Josi é uma garota legal. — Você está mudando sabia? — Isso é assustador. — comecei a rir de nervoso. — Pelo contrário, é muito legal. — Se você diz. — não dei importância e sai do carro. Segui direto para dentro de casa, ao passar pela sala de jogos ouvi o barulho do videogame, me aproximei e vi Micael entretido jogando. — Ai moleque, posso jogar com você? — perguntei, só então ele tirou o fone e voltou a atenção para mim. — Eu ouvi direito? Você quer jogar comigo? — É isso mesmo. — respondi. — to precisando espairecer. — Desde quando você sabe jogar? — E ta me tirando? Se bobear eu jogo melhor que você. — me sentei ao lado dele e tomei o controle de sua mão. — Essa eu quero ver.— ele pegou um outro controle e começamos a jogar, eu conhecia bem aquele jogo mas o moleque jogava muito bem, foi complicado mas no fim eu consegui vencer. — não acredito que você venceu. — Micael estava inconformado. — Eu não só ganhei como te dei uma surra. — impliquei empurrando-o. — Também não é pra tanto. — ele falou rindo. — você ta muito diferente Milena, qual foi? Não vai me dizer que são d***a. — Que d***a o que moleque. — dei um empurrão nele. — eu só resolvi mudar um pouco, sair do meu mundinho sem graça. — Já estava passando da hora. — Agora vamos parar de papo e jogar outra partida? — perguntei. — Só se for agora. — ele disse de imediato, jogamos por um logo tempo, aquilo me distraiu, nos divertimos horrores e eu me lembrei um pouco de quem eu era.
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