Marcelo
Quando entro na sala onde meus soldados mantêm o alvo preso*, vejo o olhar de desespero dele ao perceber do que se trata. Mantenho meu olhar fixo nos dele, enquanto vou arrastando uma cadeira pra perto da onde está amarrado. Endireito meu terno e me sento de frente para o mesmo. Relaxo minhas costas na cadeira e o vejo ajeitar a postura diante de mim, mostrando respeito a minha pessoa.
— Estou esperando.- minha voz rasga o lugar, o fazendo estremece*.
— Senhor Teófilo, sei dos meus deveres com a organização e deixei claro para o senhor Smith que pagarei quando os investimentos tiverem dando lucro.- ele tenta parecer firme, mas todos os músculos do seu corpo demonstram seu pavor.
— Entendo.- balanço a cabeça ainda o encarando.- mas acho que o senhor também entende que os compromissos com a organização tem que ser cumprido de qualquer maneira, não entende?- pergunto calmamente, o vendo engolir ao balançar a cabeça afirmativamente.- e então? Como resolvemos essa situação?- junto os dedos das mãos, as apoiando nos joelhos dobrados.
— Senhor Teófilo, preciso de mais tempo par…- antes que ele termine de me enrolar, dou um soco* em seu nariz tão rápido, que ele só sente a dor* quando eu já estou na minha posição novamente.
O sangue jorra para todos os lados e vejo seu osso nasal pra fora do lugar, mostrando que fora quebrado.
— Vou perguntar novamente e espero que não tente me fazer perder tempo dessa vez.- me endireito na cadeira, colocando meu cotovelo no joelho e olhando fixamente em seus olhos, enquanto o homem segura firme seu nariz, se contorcendo se dor*.- como vamos resolver isso senhor Jhonson?.- insisto. É um pouco difícil fazer com que ele se concentre em minhas palavras, com o ferimento que acabei de lhe causar.- acho que o senhor não entendeu a gravidade da situação, eu ainda estou tentando lhe ajudar. O senhor nos deve 5 milhões de dólares e enquanto diz não ter gerado lucros, sabemos que investiu 10 milhões em uma empresa norte América no sul da França. Os cálculos dizem que os lucros já ultrpassaram os 7,5 milhões de dólares. O que está acontecendo? O senhor está tentando nos enganar?.- pergunto enquanto ele continua tentando estancar o sangue que jorra do seu nariz. Encaro ela mais 3 segundo e ele continua calado.
Perco a paciência.
Estou vivendo um inferno desde que descobri que Angelina ainda não rompeu seu noivado com aquele bastardo*. Não entendo como isso ainda não foi resolvido, preciso saber o que aconteceu, mas quero perguntar isso olhando dentro dos olhos dela. Preciso resolver todas essas pendências por aqui, para finalmente voltar ao Brasil e ouvir suas explicações. Não vou me conformar em perdê-la para aquele merdinha*.
Levanto da cadeira e vou andando até o armário do outro lado da sala. Jhonson é mais um de muitos empresários a pedir empréstimo à organização e tentar ser espertos o suficiente para nos passar a perna. O que eles não sabem, é que rastreamos cada centavo que sai de qualquer empresa nossa. Jhonson investiu 10 milhões de dólares em uma empresa de placas solares que já lhe rendeu uma boa grana de volta. Mas sabemos que perdeu parte do dinheiro em jogos de caça-níqueis.
Atualmente, sabemos que pagou 500 mil dólares pra um matador* de aluguel matar* a mim e mais 500 mil para matar* Smith, isso tudo para se livrar da dívida acumulada. Seu azar*, foi ter contratado um cara que precisou da minha ajuda para rastrear o paradeiro de um alvo que lhe valia bilhões. Entregar Jhonson para mim foi uma das maneiras que ele escolheu para me agradecer por isso.
Abro o armário que contém um galão de gasolina e volto para perto do homem que está agora quase coberto por sangue.
Nós estamos em um túnel na Geórgia, onde Jhonson mantém residência com sua família. Meus homens o pegaram quando saia de sua empresa. Mataram* sua proteção e o trouxeram para mim.
Chego perto de Johnson e começo a despejar o conteúdo do galão em todo o seu corpo. Ele toma um susto quando o líquido é derramado de repente. Quando se dá conta do que se trata, Johnson entra em pânico*.
— Não, não por favor, eu faço qualquer coisa.- ele começa a gritar.- eu vou pagar, estou com o dinheiro, posso pagar agora mesmo.- diz se debatendo na cadeira.
— Então o senhor confessa que estava tentando me fazer de i****a*?.- pergunto deixando o galão vazio cair no chão.
— Não, eu só vou usar todos os meus recursos, até minhas economias para pagar. Posso ser útil, posso te apresentar a pessoas importantes, influentes internacionais, na Itália, França e China. Posso trazer bons investimentos para a organização, faço todo quanto é tipo de trabalho senhor Teófilo, pelo amor de Deus, eu sou pai de família.- ele súplica.
Paro de pé de frente para ele e puxo o esquerdo do bolso. Vejo quando Jhonson começa a chorar.
Se não fosse pelas correntes o prendendo pela cintura e pelo peito*, provavelmente ele já teria tentado correr.
— Só tem um problema.- eu digo acendendo o isqueiro.- eu já sou influente o suficiente pra isso.- jogo o isqueiro e o fogo toma conta do seu corpo imediatamente.
Viro as costas logo a seguir, ouvindo seus gritos enquanto é engolido pelo fogo. Emerson está ao lado da porta filmando tudo e vem logo atrás de mim quando tem conteúdo suficiente.
— Sabe o que fazer com isso?.- pergunto enquanto vamos caminhando para a estrada.
— Sim senhor, mandarei para cada um dos conselheiros das empresas em nome do senhor Johnson e marcarei uma reunião imediatamente.- ele diz, e eu aceno com a cabeça.
— Isso, estarei esperando na presidência. Mantenha-me informado.- digo.- mande para meu celular o conteúdo que disse está em mãos.- olho para Emerson por um estante e vejo uma linha fina se formar em seus lábios, ele acena com a cabeça logo depois.
Emerson sabe o quanto esse assunto me perturba, mesmo com nosso relacionamento totalmente profissional, temos uma ligação de respeito, provavelmente o estado em que eu fiquei quando me deu a noticia o incomodou bastante.
— Agora mesmo senhor.- ele diz exitante, mas obedecendo a ordem.
Entramos no carro e eu deixo os rapazes cuidarem do corpo de Johnson. Faremos com que a família tenha um corpo para enterrar e que tudo chegue até a polícia como um acidente de carro.
◆◆◆
A segurança da empresa é tão falha, que eu passo pela portaria sem ser parado nenhuma vez. Mas é claro que estou bem vestido e com uns seis seguranças atrás de mim. Os funcionários me observam sem entender nada, mas a minha postura passa a eles que sei exatamente o que estou fazendo, e por isso, ninguém se atreve a se aproximar de mim.
Chego na porta da presidência e uma secretária totalmente atordoada se levanta para me cumprimenta.
— Se…senhor.- ela gagueja.
— Acho que a senhorita está a minha espera.- eu digo e ela balança a cabeça concordando.
A mulher abre a porta da sala e a mesma ainda está vazia. Me sento na cadeira do topo da mesa e a secretária parece se tremer inteira. Consigo ver sua testa suar.
A garota parece está no auge de seus 25 anos, cabelos presos em um coque bem alto, um óculos estiloso, mas que aparenta ser realmente de grau. Ela veste um terninho cinza e tem nos pés um sapato de salto curto quadrado. Suas curvas não ficam tão evidentes por dentro de seu terno discreto e sua aparência é mediana. Vejo como tenta não cair em minha frente.
— É… o senhor a… aceitaria um chá?.- ela quase não consegue se manter em suas próprias pernas.
Querida, é apenas um rosto bonito!
— Aceito algo mais forte.- digo sentindo meu celular vibra em meu bolso.
Pego o aparelho em minhas mãos e olho o e-mail que acabou de chegar. Emerson que o enviou, acho que sei exatamente do que se trata.
A secretária volta com o meu uísque e deixa o copo com as mãos trêmulas em minha frente.
— A senhorita pode se retira, assim que meus convidados chegarem, pode pedir para que entrem. A senhorita também deve participar da reunião.- ela só consegue acenar com a cabeça e logo depois se retira da sala rapidamente.
Abro o anexo e ele contém várias fotos que me tiram de mim.
Angelina e o bastardo* abraçados, Angelina e o bastardo* passeando, Angelina pensativa enquanto o bastardo* tagarela em seu ouvido, Angelina olhando para o lado enquanto o bastado* sorri para ela, e… um beijo.
Sinto o ar me faltar.
Eu não entendo. Ela parecia tão decidida, parecia realmente acreditar que poderíamos ir enfrente com o que sentíamos um pelo outro. O que será que aconteceu para ela mudar de ideia tão rapidamente? Tudo não passou de uma distração? Eu realmente queria saber.
Dou uma golada do líquido, sentindo queimar em minha garganta enquanto escorrega.
Será que no final, tudo que queria era voltar para aquele merda*? Não consigo entender. Quero que ela me diga, que diga olhando dentro dos meus olhos.
Meus pensamentos são interrompidos quando uma dúzia de pessoas desconfiadas entram pela porta da sala de reuniões. Me endireito na poltrona e coloco o telefone no bolso.