Marcelo
Sinto uma angústia estranha no peito* enquanto assisto o carro de Noah levar Angelina para longe de mim. Aquela garota que tirou todo o meu juízo esses dias. É como se tivesse faltando algo que precisasse ser preenchido dentro de mim. Espero que ela faça uma boa viagem...
Resolvo entrar de uma vez, antes que minha cabeça comece a doer* ainda mais.
Chego na sala de casa e meu celular começa a tocar no bolso. Pego o aparelho em minhas mãos, já adivinhando quem seja.
— Marcelo?- Smith diz assim que eu atendo a ligação.
— Pode falar Smith.
— Você vem ainda hoje?- Sua pergunta é quase uma indução e eu percebo a ansiedade em sua voz.
Não queria ter que voltar aos Estados Unidos por enquanto, queria esperar Angelina voltar para casa e resolver sua situação com o i****a* do ex. Com certeza me sentiria melhor para partir. Mas, eu também preciso sondar as coisas por lá, saber como que vou conseguir escapar desse casamento com Mikaela e como vou me livrar de Smith para sempre, e para isso, preciso está muito bem calçado.
— Pego o jatinho às 14h, horário de Brasília.- o tranquilizo e arrisco dizer ter ouvido um suspiro de alívio da parte dele.
— Ótimo.- Smith não consegue esconder o entusiasmo na voz.- me deixe saber se precisar de alguma coisa, ligue para Carolina, tenho umas reuniões marcadas, mas ela encontrará tempo.- diz por fim.
— Até logo Smith.- o dispenso o mais rápido que eu posso.
— Até logo meu garoto, nós veremos em breve.- declara antes de desligar.
Smith não vê a hora de me ter de volta e eu imagino a zona que aquilo deve estar. Moretti, o concierge, provavelmente deve está arrancando os cabelos por Smith não leva a sério nenhum dos seus conselhos, mas isso não me surpreende, se levar em conta o fracasso que foi todas as operações da organização quando eu estava fora. Moretti já está velho demais para o cargo e Smith sabe disso. Talvez seja esse o motivo dele me querer de volta tão desesperadamente assim.
— Papai?.- a voz sonolenta da minha filha me tira de meus pensamentos e eu me sento no sofá para pegá-la no colo.
— Oi meu amor.- a coloco sentada na minha coxa e encaro sua carinha triste.- o que foi? Teve pesadelo de novo?.- pergunto alisando seus cabelos.
— A vovó falou que a Angelina foi embora.- ela faz beicinho ao contar.
Sinto uma pontada no peito* ao ouvir esse nome, ainda mais na voz da minha filha. Uma coisa sobe pelo meu corpo e não sei se gosto da sensação.
— Filha, ela precisou ir pra casa dela, seus pais estavam morrendo* de saudades, ela foi visitá-los.- tento reconforta-la, mesmo estando na mesma situação.
— Mas ela vai volta?.- Izabela me olha com os olhinhos cheios de lágrimas e eu engulo antes de responder. Agora sei que foi bem melhor Angelina não ter se despedido, seria ainda mais doloroso para as duas.
— Um dia, talvez ela volte.- digo com a voz arranhando a garganta.
— Mas ela tem que voltar, papai.- Iza insiste.
— Eu também quero que ela volte, filha.- dou um pequeno sorriso para minha filha e me levanto, indo para a cozinha com ela no colo.
Tudo que eu mais quero é que Angelina volte logo para mim, mas eu preciso resolver minhas coisas antes de me preocupar com isso.
◆◆◆
— Senhora Sabino.- o segurança cumprimenta minha mãe e ela lhe dá um sorriso forçado ao passar por ele.- Senhor.- me cumprimenta também e eu apenas balanço a cabeça.
— Saudades de ser apenas a dona Anahi.- minha mãe murmura quando já estamos longe do segurança.- vai ser difícil me acostumar com toda essa formalidade novamente, depois da liberdade que tivemos nesses últimos dias.- ela fala ao entrar na nossa casa em Washington.
Preciso concordar com ela, lá eu podia manter nossos seguranças mais afastados, mas aqui é diferente, muita gente sabe o que eu faço, tenho muitos inimigos por aqui, então temos que estar sempre em alerta máximo.
— Tenho que trabalhar.- digo colocando a mala no chão.
— Mas você m*l chegou filho, são 23h da noite.- minha mãe protesta.
— Eu sei mãe, mas tenho muitas coisas para resolver no escritório. Não se preocupe, mais tarde estarei de volta.- a tranquilizo e dou um beijo em Izabela que está dormindo em meu colo, logo depois a entrego para minha mãe.
Pego um terno, uma blusa preta* de manga longa, a calça do terno e vou para o banho. Se eu não for ainda hoje para casa do Smith, provavelmente ele virá me buscar aqui.
Quando termino de me arrumar, o carro já está me esperando na entrada da residência. Meu motorista e Emerson me aguarda dentro do veículo. Quando me junto a eles, o motorista da partida no carro.
— Quem ficou no Brasil cuidando daquele assunto?.- pergunto quando já estamos na estrada.
— A equipe B senhor, Marcos está de frente da situação.- Emerson responde.
— E está tudo bem por lá?- me endireito no assento antes de perguntar. Me aterroriza pensar que algo de errado possa ter acontecido.
— Sim senhor, está tudo sob controle.- ele diz e sinto meu corpo relaxar.
— Ótimo, me avise se algo mudar.- digo e ele acena com a cabeça.
Sinto uma vontade enorme de ligar, ou apenas mandar uma mensagem pra Angelina, mas quero dar-lhe espaço para sentir minha falta, quero que ela sinta essa saudade que assim como em mim, a deixe sem ar, como se tivesse faltando algo dentro do peito*, acho que assim ela terá mais coragem para fazer o que tem que ser feito.
A entrada da fortaleza de Smith se aproxima e consigo vê o imenso muro que cerca a mansão de longe. Os guardas do portão vê as luzes do carro e apontam as armas em nossa direção. Meu motorista sinaliza o código com os faróis e eles as baixam rapidamente.
— Senhor.- acena um dos soldados do portão quando passamos por eles.
Charles, meu motorista, estaciona na entrada e os dois saem do carro para me acompanhar. Cruzamos o limiar da mansão, caminhado até a porta do escritório de Smith.
Ativo o modo mafioso só de pisar nesse lugar, me sinto completamente diferente de uns dias atrás. Relmente Marcelo Sabino e Marcelo Teófilo são pessoas completamente difirerentes.
— Podem me aguardar aqui.- digo e os dois sinalizam com a cabeça.
Abro a porta do escritório e Smith levanta os olhos para ver quem é. Quando me vê, ele relaxa as costas na cadeira na mesma hora.
— Meu garoto.- levanta os braços.- sente-se.- ele pede.
Caminho calmamente para a cadeira em sua frente e me acomodo abrindo meu paletó.
— E então Smith, onde é o incêndio*?.- pergunto o encarando.
Smith acaba soltando uma gargalhada relaxada, provavelmente muito mais tranquilo por me ter de volta.
Consigo vê uma nova ruga de exaustão em seu rosto, provando que os dias sem minha ajuda não foram fáceis de suportar.
— Nós mesmos lugares de sempre meu amigo. Aqui, pegue isto.- me oferece um copo de sua bebida.
Realmente ele tinha razão, o caos está nos devedores e nos cobradores como sempre. Não que Smith tenha que se preocupar com isso, porém, ele sempre quer deixar claro o seu poder em tudo que se mete.
Gente para o trabalho é o que não falta, mas o recado que o meu jeito de executar a tarefa transmite é bem mais forte, e é o resultado disso que Smith gosta.
Meu jeito sanguinário*.
Colocamos em ordem de urgência tudo que ele precisa que eu faça e também colocamos em pauta a história do Rocco. Quero resolver esse problema antes de fazer o que eu tanto quero fazer.
Terminar essa p***a* de noivado com Mikaela!
— Smith, você sabe muito bem qual a minha prioridade, enquanto não colocar minhas mãos nesse cara, eu não vou sossegar.- digo firme.
— O banho de sangue que derramou não foi o suficiente? Sabe quantos inimigos acumulou com aquele extermínio*?- diz calmamente, porém me olhando firme.
— Não me importo em repetir. Posso queimar esse país inteiro pra acabar de vez com tudo isso.- rosno e ele balança a cabeça entendendo o recado.
— Eu sei, eu sei. Homens como nós não medem esforços para conseguirem o que quer.- completa bebendo de seu copo.
— Sim, você sabe bem do que estou falando.- o provoco. Smith levanta a sobrancelha finjindo surpresa, mas matém seus olhos fixos em mim.
— Achei que tínhamos nos resolvido sobre esse assunto.- diz ele desconfiado e eu suavizo o olhar que lançava a ele.
— É claro que sim e é por isso que espero que entenda a minha posição.- ele concorda com minhas palavras.
— Mas é claro que sim, por isso estarei aqui para o que precisa.- diz abrindo os braços e eu concordo.
Smith é um homem muito perigoso* pra se ter como inimigo, mas ele sabe que eu também sou, e é por isso que me quer tanto ao seu lado.