Capítulo 5

2258 Palavras
Marcelo Abro meus olhos ainda sonolentos, sentindo algo sacudir a cama de um lado para o outro, e logo depois caindo em cima do meu peito, tirando todo o ar dos meus pulmões. - Papai, papai, acorda.- a voz da minha filha me desperta, e eu tenho que agarrar ela ainda no ar, antes que caia de novo em cima de mim. A coloco deitada ao meu lado, e a cubro com meus braços, da onde ela não consegue mais sair. - Oi filha.- respondo dando beijinhos no rosto dela, e ela solta aquela risada gostosa que eu mais amo ouvir. - Quero ir pra rua papai, vamos pra rua? A vovó não quer ir pra rua.- ela pede fazendo biquinho, e eu começo a ri. - A vovó tá velhinha tadinha, ela não aguenta o seu pique não filha.- eu falo e ela balança a cabeça negando. - A vovó não é velhinha papai, ela não tem cabelos brancos.- diz, e eu me afasto para encarar seu rosto com as sobrancelhas enrugadas de surpresa. Quando foi que a minha filhinha cresceu tanto, ao ponto de ter as respostas na ponta da língua assim? - Ok, não está mais aqui quem falou, agora vamos tomar café.- levanto ela da cama, e deu um tapinha no seu bumbum, e ela desce da cama toda serelepe. Eu ainda estou um pouco cansado da viagem, cheguei de Washington tem 2 dias, trouxe minha filha e minha mãe para passa as férias da escola, aqui na nossa casa de praia que acabamos de construir. Essa casa era o sonho da minha esposa, só que infelizmente ela não viveu para ver se realizar. Há quase um ano, minha mulher foi morta em um acidente de carro, quando estava voltando de uma reunião de negócios. Ela ainda ficou dois dias internada, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos, e acabou falecendo. Nossa filha tinha acabado de completar dois anos de idade, e isso foi um choque para todos nós. Mas na realidade, não foi bem isso o que aconteceu. Na época, eu tinha acabado de me desligar do controle da máfia que comanda boa parte do leste dos Estados Unidos, a onde havia comandado muitas missões. Me juntei a eles assim que sai do exército, e quando Smith ficou sabendo das minhas habilidades em confronto, não perdeu tempo para me recrutar para ser um dos seus capanga. Eu fiz milhares de missões ao comando dele, e quando ganhei sua confiança, comecei a coordenador as minhas próprias missões. Foram coisas terríveis que eu vi e fiz naquela época, e fui bem sucedido em todas. Com isso, fui subindo na hierarquia da organização. Eu já não era só um saco de músculos para eles, e diferente dos outros, eu também tinha cérebro. Ganhei acordos, planejei estratégias, ganhei muito dinheiro para eles, apesar de já sermos milionários, eu deixei eles ainda mais milionários do que já eram. Quando conheci minha esposa e decidimos nos casar, Smith não concordou com isso, ele desconfiava que eu iria deserdar da organização. Ele me fez prometer que minhas escolhas não implicariam com as nossas atividades, e então não faria nenhuma objeção sobre meu relacionamento. No entanto, quando minha filha nasceu, eu decidi que sairia da empresa, e ficaria no Brasil apenas com a herança da minha família. Na época, eu já exercia a medicina a alguns anos, e já tinha um consultório próprio. Essa profissão me permitia salvar vidas sem ter que arriscar a minha na máfia. Não queria que nada me acontecesse, agora que eu tinha pessoas que precisavam de mim. A minha família. Foi aí que Smith ficou louco, e arrumou um plano meticuloso para me trazer de voltar, e dessa vez, me manter para sempre em seu poder. ◆◆◆ Chego no escritório já sabendo que a conversa não será nada amigável. Smith tem tendência a jamais aceitar as condições impostas por outra pessoa, sua palavra é uma só, e ele não volta atrás em uma decisão. Porém, se eu não tiver voz aqui, nós entraremos em guerra, e eu sei que não é isso ele quer. Abro a porta de seu escritório, e ele está em uma reunião com alguns acionistas, onde todos se viram para me encara. - Oh, acho que a nossa reunião acaba de ser adiada senhores, peço mil perdões, nós nos veremos outra hora.- Smith diz me olhando por um momento, e depois virando para seus companheiros de reunião. Eles se levantam meio zangados, recolhem suas pastas e papéis que já estavam em cima da mesa, vindo todos em fileiras na minha direção, até chegarem na porta. Cada um me dá uma olhada raivosa, e saem do lugar com relutância. - Marcelo meu amigo, sente-se por favor.- diz Smith convidativo, e eu me sento em sua frente.- vamos conversar.- ele se endireita em sua cadeira. - Quero ouvir sua proposta, para saber se vou precisar colocar tudo isso aqui a baixo ou não.- eu falo de uma vez só, mostrando a ele toda a minha indignação. - Calma meu amigo, aquilo foi uma infeliz fatalidade.- ele diz calmamente, fazendo o meu sangue ferver. - Está chamando o assassinato da minha esposa de infeliz fatalidade?.- eu já aumento o tom de voz. - Sim, veja bem, nós não queríamos que o pior acontecesse, nós só queríamos chamar sua atenção para algo muito importante, que era toda a nossa causa aqui meu jovem. Você é o meu braço direito Marcelo, sua partida me custou milhares de dólares com homens incompententes, e trabalhos m*l feitos.- ele diz se explicando. - Smith, um homem como eu jamais esquece de uma coisa como essa.- digo o encarando sério, deixando ele ciente do monstro que ajudou a criar dentro de mim. - É claro que sim, e por isso tenho um ótimo acordo pra lhe oferecer.- diz ele com um leve sorriso nos lábios.- lhe entregarei os nomes dos agentes que participaram daquela missão fatídica, que resultou na prematura morte de sua bela esposa. Você terá livres poderes para lidar com eles da maneira que desejar. E em troca, você se casará com a minha filha.- ele diz, e eu só agora percebo o seu verdadeiro plano desde o início. - E por que eu me casaria com a sua filha? Isso não faz sentido para mim.- digo atônito, e ele balança a cabeça. - Veja meu rapaz, daqui a pouco eu sou um homem velho, e infelizmente, tive apenas uma linda filha, aquela que eu pretendo que faça um ótimo casamento, antes que eu me aposente, o homem perfeito para isso é você.- ele insiste presunçoso.- Marcelo, minha organização é a maior da costa leste do país, e pretendo expandi-la para vários outros lugares, mas para isso, eu preciso de um braço forte ao meu lado, alguém que cumpra com êxito o que lhe pedem, alguém que eu confie de olhos de fechados, alguém que não tenha só um elo profíssional, mas tambem familiar. Não existe homem nessa organização com essas qualidades, além de você. Quero que seja o meu capô, o melhor que podemos oferecer para uma empresa tão grande como essa, e consequentemente, dar a minha filha um excelente casamento.- ele diz com um sorriso imenso nos lábios. Smith é um homem muito perigoso, tem uma inteligência impressionante. Ele conseguiu derrubar uma máfia que dominava a Carolina do Sul, Carolina do Norte, a Geórgia e a Flórida a décadas, e se tornou o maior Don do território. Não posso deixar de me lembra do grande poder que ele tem nas mãos. Sei como sua mente funciona, e sei também que tudo isso provavelmente foi seu plano desde o início. Com a morte da minha esposa, ele teria o caminho livre para me empurrar para sua filha, Smith sabia que mesmo com todo o meu ódio, os meus conhecimentos, e minhas ablidades, ele continuaria intocável para mim. Só poderia ir contra suas vontades outra vez, se quisesse minha filha, e minha mãe mortas como minha esposa. Por mais que eu queira, sei que esse acordo é quase impossível de se recusar, então faremos isso do meu jeito. - Preciso de um ano, não posso me casar agora. Como você sabe bem, a minha esposa acabou de ser enterrada, tenho uma filha para cuidar, que agora mais do que nunca vai precisar da minha total atenção nesse momento.- tento arramar tempo para me livra dessa situação.- Eu quero os nomes dos filhos da p**a que estavam no caso da Emily, e não quero que Mikaela saiba desse no nosso acordo.- exijo, e ele concorda.- quero ter a liberdade para exercer minha profissão, ter meu próprio hospital, onde não quero o seu nariz metido nenhum sentimetro nele, quero que tire minha família dos seus registros, e se alguma coisa acontecer a elas, eu juro que queimo todo o seu castelo, com todos vocês dentro.- aviso sem nenhum pudor, sendo bem claro com as palavras. Smith balança a cabeça sem objeção as minhas exigências. - Não tenho dúvidas da sua capacidade meu amigo.- ele diz se levantando da cadeira.- foi ótimo vê-lo novamente Marcelo Teófilo.- estende suas mãos bem a minha frente. - Não me teste novamente Smith, eu não sou um dos seus brinquedinhos.- digo dando um aperto firme em sua mão. ◆◆◆ E foi assim a assinatura do meu acordo com o d***o, e agora, eu lhe devo minha alma. Mas isso tudo foi pela minha filha, sabia que Smith não pararia por aí, ele me queria de qualquer jeito, pois ele sabe que para fazer o que ele quer, do jeito que ele quer, ter um homem como em ao seu lado torna todos os seus planos mais fáceis. Minha esposa Emily, vivia dizendo que queria ter uma casa em Unamar, mesmo nós já tendo casas em Arraial do Cabo e Búzios, ela cismou que queria construir uma casa do zero em Unamar - Cabo Frio, região dos lagos do Rio de Janeiro BR/. Eu no início não gostei muito da escolha do lugar, afinal, nesse lugar não tem nada de interessante, e para curti alguma coisa realmente boa, você precisa ir para as cidades vizinhas. Para facilitar a nossa vida então, compraríamos a casa já nas cidades vizinhas, e apenas íamos visitar Unamar quando quiséssemos, era o mais lógico a se fazer. Mas Emily não quis, ela bateu o pé e disse que tinha que ser em Unamar. Eu então concordei né, só quem tem um sonho sabe a vontade que é realizá-lo. Nós então começamos a procurar terrenos para comprar, e um dia ela virou a madrugada pesquisando, até que encontrou esse terreno aqui. Lembro até hoje o jeito em que ela ficou. ◆◆◆ - Perfeito.- Emily gritou eufórica. - O que houve amor?.- perguntei ainda sonolento, sem entender o que ela estava dizendo. - Achei a nossa casa.- ela disse virando o celular para a minha direção.- não é perfeito?.- disse ela animada. - Mas amor, aí só tem um terreno vazio.- eu disse olhando para a foto que ela me mostra. - Eu sei amor, mas eu já tenho a casa perfeita na minha mente.- diz super feliz, e a felicidade da minha mulher para mim é a coisa mais importante nesse momento. - Está bem meu amor, amanhã nós entramos em contato com o proprietário, e damos uma oferta no terreno.- digo beijando sua mão em forma de carinho. - Eu já entrei em contato com eles.- ela me olha de lado, sorrindo feito uma criança, e eu não consigo segura o riso. - Eu amo você.- falo segurando seu rosto em minhas mãos e beijo seus lábios logo depois. ◆◆◆ Essa é uma das melhores lembranças que tenho de Emily. Saudades! Lembro que ela quis resolver tudo de uma só vez, e como era uma arquiteta renomada, ela planejou a casa exatamente do jeito que queria. Mas, como o distinto dita suas próprias regras, cinco meses depois de começarmos as obras, ela foi tirada de nós. Eu queria demolir a casa, doar, ou até deixar lá parada, incompleta, assim como nossos planos ficaram depois do prematuro falecimento da minha esposa. Porém, a minha mãe não deixou, disse que seria uma lembrança dos sonhos dela, e que minha filha ia gostar de ter realizado o último sonho da mãe. E então foi o que eu fiz, tomei isso como a minha redenção, como se isso fosse diminuir a minha culpa na crueldade que fizeram com Emily, e deixei a casa do jeito que ela queria. Pelo menos isso eu consegui fazer por ela. - Iza, não corra.- Advirto vendo a pimenta virar feito um jato na entrada da cozinha. Quando entro na cozinha, minha mãe está colocando a mesa do café da manhã, e Elizabeth está a ajudando com as tarefas. - Bom dia.- eu cumprimento minha mãe colocando um braço em seu ombro, e dando um beijo em sua testa. - Bom dia meu filho.- ela responde carinhosa. - Bom dia Beth.- beijo a testa da Elizabeth, que é a nossa cozinheira a anos, e ela retribui o carinho com um sorriso tímido. - Bom dia meu filho.- diz ela assim como minha mãe. - Mãe, vamos ir um pouco à praia hoje? Izabela está a todo vapor querendo passear.- eu peço, e a minha filha já se remexe toda na cadeira. - Sim meu filho, ela acordou mesmo serelepe hoje.- diz dona Anahi, sorrindo enquando a Iza faz as gracinhas dela.
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