Capítulo 14

2166 Palavras
Angelina Hoje o dia foi muito divertido. Eu consegui até me esquecer da discussão feia que tive com Thomas pela manhã. Foi uma conversa difícil, eu fui acusada até de traição. Pra mim explicar que só queria me divertir sem preocupações, e por isso estava com o telefone desligado, foi complicado demais, e até agora ele não deve ter entendido tudo como deveria. Mas por outro lado, eu percebi que se não tivesse feito isso, não ia estar me divertindo tanto quanto estou agora. Ia está lendo suas mensagens emblemáticas a tempo integral, ligações em 15 e 15 minutos e não curtiria nada das minhas férias. Agradeço a Deus pelo celular da minha madrinha ser número restrito, e ele não poder ficar enchendo o saco dela. Decidi que com ele eu resolvo depois, quando voltar para casa, e por enquanto, enquanto estiver aqui, vou viver tudo que tiver que viver. Já me anulei o bastante para fazer as vontades de Thomas, agora vou viver para mim, nem que seja só essas semanas. Nosso almoço foi delicioso. Churrasco e peixe na brasa, até camarão teve. A comida da dona Elizabeth é maravilhosa, assim como a da minha madrinha, elas arrebentaram. Passamos a maior parte do tempo em casa, na maravilhosa área de lazer da casa da dona Anahi, curtimos muito a piscina. Brincamos com as crianças, descansamos o almoço, e decidimos ir à praia aproveita o máximo do dia. Marcelo disse que quer me levar para passear mais tarde, e até agora eu não parei de pensar nisso. Estou ansiosa, me sintindo um pouco estranha. Não é que eu espero que aconteça algo, longe de mim pensar assim, sou uma mulher comprometida! Mas a ideia de ficar sozinha com ele outra vez me deixa animada. Nunca me senti tão a vontade assim com ninguém antes, mesmo seu olhar me intimidando tanto. Só de pensar me dá um calafrio, mas preciso parar com isso imediatamente. — Nossa, olha essa areia como é branca.- Olívia diz animada, olhando para o chão de boca aberta.- Parece até neve.- ela comenta admirando inocentemente, e todos sorrimos com seu entusiasmo. Montamos nosso acampamento na praia, mas nada muito bagunçado. Os meninos colocam os guarda-sol fincados na areia, e logo depois nós começamos a colocar as cadeiras na sombra dos mesmos. Izabela logo me chama para brincar de castelinho de areia, e eu não consigo dizer não para aquela bonequinha, nem para aqueles olhos verdes lindos que ela tem. — É claro meu amor.- respondo aos pulinhos, e palminhas que ela faz ao me chamar, e logo estou sentada no chão, fazendo vários montinhos de água e areia dentro do moldes de castelo. — Tá ficando lindo.- ela diz arrumando uma montanha de areia que acabou de fazer. — Esse castelo é da princesa Izabela Segunda de Genebra, ela tem vários soldados a sua disposição, súditos que a idolatram e um príncipe que a ama.- eu falo apontando para ela, e para o castelo. — E ela tem uma mamãe e um papai que é rei e rainha do castelo.- diz ela entrando na brincadeira.- papai Marcelo, e mamãe Angel.- meu coração congela na mesma hora. Eu fico imóvel. Sei que é apenas imaginação da cabeça dela, mas aquilo consegue mexer comigo, e com todos os sentidos do meu corpo. Meu coração vem a garganta e volta rasgando. Meus olhos vão direto para Marcelo, e não sei se ele conseguiu ouvir a história que Izabela inventou, mas ele me encara fixamente, me deixando ainda mais nervosa com tudo aquilo. — A mamãe Angel estava perdida, mas foi encontrada pelo rei Marcelo, e agora, eles vão viver felizes para sempre.- Iza continua com sua história, e Marcelo continua me encarando. Deus, por que é tão difícil desviar daqueles olhos enormes? Fico completamente perdida nele, na boca maravilhosa que ele tem, no jeito que ele mexe no queixo quando está pensando em algo. Só posso está ficando louca! Eu tenho um noivo, eu tenho um noivo, eu tenho um noivo! Repito varias vezes para isso se fixar em minha mente, porque muito provavelmente, a essa hora Thomas está arrancando os cabelos em algum lugar por aí, somente por não conseguir contato comigo. E eu estou aqui, pensando como seria beijar a boca do Marcelo. Deus! Isso deve ser pecado. A maneira como ele me olha é intensa, e me deixa completamente hipnotizada, fazendo o ar começar a faltar dos meus pulmões a cada segundo mais. — Angel?.- Izabela me chama, e eu volto imediatamente para o meu corpo. — Oi princesa.- respondo ela um pouco rouca. — Você quer nadar?.- ela pergunta. Eu olho para o corpinho dela cheio de areia, e começo a rir. O maiô dela é todo rosa e tem uns babadinhos na cintura. É a coisa mais linda e fofa que provavelmente verei hoje. — Você quer ir lá? A água deve está gelada.- abraço meu corpo me tremendo, com os dentes serrados e ela começa a rir da minha cena. — Vamos nadar Angel.- insiste e como eu já disse, não consigo dizer não para essa coisinha fofa. Então me levanto do chão, passando a mão no bumbum para tirar a areia, e vou caminhando de mãos dadas com ela para a água. — Angelina?.- viro para traz, e a Linda esta em pé chamando minha atenção.- espera, eu vou com vocês.- ela pega a Eva no colo, que também está cheia de areia e vem andando ao nosso encontro. — Aí Evita, que frio.- eu falo sorrindo para a Eva, quando a água bate na minha barriga. Ela e Izabela se esbaldão, parecendo nem se importar com a temperatura congelante da água. — Hum, essas criança não sente frio não garota.- Linda diz também se tremendo. Claro que estamos exagerando um pouco, é que o sol não está tão quente assim, e por isso, a água se torna mais gelada. Mas é um gelado que a gente se acostuma. As meninas nem ligam, e querem nadar de qualquer jeito. O bom dessa praia é que não tem ondas, fica perfeito para as crianças brincarem. Mas o que me dá aflição mesmo, é que conseguimos ver até o nosso dedo do pé. A água é tão cristalina, que o mar se torna transparente. É a coisa mais linda, e assustadora ao mesmo tempo. — Olha filha, o peixinho.- Linda aponta para a água, mas Eva só falta subir na cabeça dela de tanto medo que fica e logo começa a chorar. — Ai meu Deus, eu também tenho um pouco de medo, vamos sair?.- falo com nervoso de ficar perto de tanto peixe assim. — Não Angel, ele não morde.- Izabela diz colocando a mão na água, tentando pegar o peixe, e eu fico impressionada do quanto ela é corajosa. Já eu não tenho tanta coragem assim… — Eu vou ter que sair, se não a Eva vai arrancar todo o cabelo da minha cabeça.- Linda reclama, e eu começo a rir, vendo a cena da menina tentando sair da água de quase jeito. — Vai lá, daqui a pouco eu vou também.- aviso a ela enquanto sai às pressas. Fico na água por mais um tempo com a Izabela que se identificou com os peixes, me obrigando a perder o medo de qualquer jeito, e ficar com vários deles ao nosso redor. — Você não tem medo!.- ela afirma. — Eu tenho sim Iza, só estou sendo corajosa por você.- falo sincera. — Mas a gente brincava com os peixinhos quando íamos nadar.- ela diz franzindo a testa, parecendo confusa. — Mas a gente só nadou na piscina do seu pai, você lembra? Lá não tem peixinhos.- explico a ela. — Não Angel, quando você era a minha mamãe, eu e o papai íamos nadar, e você vinha atrás da gente, você não lembra disso?.- ela pergunta e agora entendo tudo. Ela está se lembrando da mãe dela, deve ser a aparência, está confundindo sua cabecinha. Oh meu Deus, tadinha da bichinha. — Belinha, aquela era a sua mamãe Emily, você lembra? Eu não sou ela, eu sou a Angelina, sua amiga.- tento ser o mais delicada possível, mas não quero confundi-lá e nem bagunça as lembraças que tem com a mãe. — Nãaaao Angel, foi quando você era a minha mamãe, antes da mamãe Emily ser.- ela diz convicta e eu prefiro deixar isso pra lá. — Aaah ta, eu não sabia.- falo querendo deixar que o assunto acabe. Tadinha, tão pequena e já sentiu a dor de tamanha perda, isso me deixa muito triste, as memórias e lembranças dela deve estão embaralhadas, e deve ser ainda mais difícil para a cabecinha dela, conviver com uma pessoa que é a cara de sua mãe. Eu sinto uma conexão imensa com essa criança, e isso me faz sentir coisas que vão além do que eu queria sentir, até porque, eu posso ir embora a qualquer momento quando as férias terminarem, e nunca mais vê-la na vida. E sei que quando eu me casar com Thomas, minha madrinha jamais ia conseguir conviver com a intensidade dele por muito tempo, e por isso, não iríamos viajar com ela. Na verdade, é somente eu consigo lidar com o temperamento do Thomy, é por isso que me sinto tão responsável por ele. Sei que seria difícil pra ele encontrar outra pessoa que o entenda e aceite como eu. — Curtindo a água?.- Marcelo chega ao nosso lado, me tirando dos meus devaneios e me deixando toda arrepiada. — Ah, oi. Estamos vendo os peixinhos.- a ponto para os pequenos bichinhos ao nosso redor. — Izabela adora peixes.- ele afirma e eu concordo. — É, ela está muito animada.- sorrio. — Papai, papai, me pega.- Iza pede eufórica. Eu deito ela como se fosse nadar, e a empurro para os braços de Marcelo. Ele segura a filha firme, prendendo minha mão debaixo da dele. Quando a nossa pele se toca, uma carga elétrica percorre todo o meu corpo, levando meu ar e minha sanidade mental. Nosso olhos se encontram como ímãs, sendo atraídos um para o outro. Marcelo mantem a boca meia aberta, deixando o ar escapar entre os lábios. — Me desculpe.- sussurra quando puxo minhas mãos de volta. — Nada.- balanço a cabeça sem graça. Sinto cada músculo do meu corpo tenso, e fico incomodada com a forma que ele me distrai. — Gostou daqui?.- pergunta cortando um silêncio constrangedor entre nós, enquanto Izabela brinca com a água e seus peixes. — Sim, é muito lindo.- digo sorrindo simpática, mesmo com uma brasa entre minha garganta e meu peito. — Fico feliz.- ele me dá um meio sorriso de volta, e nós ficamos nos encarando. São olhos perfeitos, lábios perfeitos, dentes perfeitos, corpo perfeito. Deus, esse homem é perfeito! Não conseguimos parar de nos encarar por um longo período de tempo. Minha respiração fica ofegante quando ele olha para minha boca, e umedece os lábios. Tenho que me controlar para abafar um gemido que quase escapa da minha garganta. Queria saber porquê que eu estou deixando ele mexer tanto assim comigo, o que isso significa? Será que não amo mais o Thomas? Será que meu elo com ele é tão frágil assim, a ponto de me interessar pelo primeiro cara bonito que cruza meu caminho? Não! Não posso fazer isso com ele, não é justo. — Vou voltar pra areia.- Saio de perto deles quase correndo, e volto para a praia como uma fugitiva. Me odeio por me deixar levar assim, odeio não conseguir parar de pensar nele desse jeito, eu deveria está pensando no Thomas, é ele que é o meu noivo, ele sim que deve ser o dono dos meus pensamentos. Preciso parar de pensar em Marcelo o tempo todo, até porque ele também tem alguém para respeitar. — A água está boa?.- pergunta minha madrinha me encarando com um pequeno sorriso irônico nos lábios, quando estou voando com meus pensamentos. — Ah sim, está sim.- respondo um pouco atordoada. — Hum…- ela responde balançando a cabeça, me observando de canto. É o que agora? Será que ela está pensando que está rolando algo entre mim nós? Não! Pelo amor de Deus, não posso nem imaginar uma coisa dessas, as pessoas aqui especulando algo assim. A vontade que eu tenho é de gritar aos quatro cantos: Eu tenho um noivo gente, não viaja. Eu o respeito pra caramba! Isso que estão pensando não vai rolar, sem chance. Faço uma nota mental de que preciso parar com essas trocas de olhares. Isso deixa a entender para qualquer um ao nosso redor, que temos interesse um pelo outro, e isso não é verdade. Eu vim aqui com um só propósito, achar um jeito de salvar o meu relacionamento, e é isso que preciso fazer!
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