Patrícia Narrando A semana parecia não ter fim. Cada dia na escola era mais cansativo que o outro. De manhã cedo, eu já sentia o peso do corpo, mas levantava mesmo assim. A sala de aula me distraía um pouco: quadro, giz, voz alta, alunos inquietos… era o meu mundo antes de tudo isso, antes da fuga, antes do medo. Mas agora nada era igual. Eu não entrava mais no colégio como a Patrícia de antes, tranquila, só preocupada com lição e prova. Hoje, cada passo era um lembrete de que eu não estava segura. Que tinha alguém lá fora que queria me caçar. Mesmo assim, eu fazia de tudo para fingir normalidade. Corrigir exercícios, sorrir para os alunos, responder a perguntas bobas. Bianca, sempre por perto, me olhava com aquele ar de cumplicidade que só ela tinha. Era minha âncora. Mas eu sabia que,

