Riba Narrando Acordei antes do despertador tocar. Não sei se foi o barulho dos rádios lá fora, o cachorro latindo na rua de baixo, ou só o peso dos últimos dias que não me deixa descansar direito. O corpo deita, mas a mente continua em guerra. Fiquei alguns minutos olhando pro teto, ouvindo o silêncio pesado da casa. A gente sobreviveu à invasão, mas parecia que o morro inteiro ainda respirava com dificuldade. Fechei os olhos um segundo, mas logo escutei o barulho da chaleira na cozinha. Era minha irmã. Levantei, joguei água no rosto no banheiro, escovei os dentes e fui até a cozinha. Ela estava sentada à mesa passando manteiga no pão. Um cheiro de café fresco tomava conta do espaço. — Bom dia, Riba. — disse ela, com um sorriso pequeno, mas verdadeiro. — Bom dia, pequena. — respondi,

