Capítulo 20

1736 Palavras

Martelo Narrando Acordei com a cabeça pesada, mas não era só pelo ferimento da noite passada. Era pelo peso do morro inteiro, pelo cheiro de pólvora que ainda parecia grudado na pele, mesmo depois do banho rápido que tinha tomado antes de deitar. O corpo pedia descanso, mas o morro não deixava. A guerra não dá trégua. Me levantei devagar. O sol atravessava a cortina fina do meu quarto, iluminando metade da parede com um tom amarelado. Escutei vozes baixas vindas da cozinha, o som de panelas, cheiro de café misturado com pão quente. Era coisa da minha mãe. Dona Fabiana não deixava a rotina morrer, nem que o mundo lá fora tivesse virado escombro. Fui até o banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes. Olhei meu reflexo no espelho: a cicatriz recente na perna, o corte fechado com pontos na t

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