— “Enquanto tu não me obedecer…” — a voz dele veio como açoite, grave, lenta, maldita — “…vai viver aqui, no chão, na merda, no silêncio. E cada gota de sangue que tu derramar vai ser por tua conta.” Ele andava em volta de mim como predador entediado com a presa. A bota chutava de leve o balde, fazia barulho só pra lembrar que o terror ainda tava na sala. E eu ali, arfando, com os cabelos grudados no rosto, os olhos ardendo, a respiração aos trancos. — “Sabe o que mais me fode, Regina?” — ele parou atrás de mim. — “É que por tua maldita causa… eu perdi um pit bull dos bons.” Fiquei imóvel. Mas por dentro… travei. Sabia de quem ele falava. E ele sabia que eu sabia. — “Nilo.” O nome saiu da boca dele como veneno engarrafado. — “O melhor cão que eu tinha. Leal. Certeiro. Nascido pra

