Nós sorrimos um para o outro. Ele se afastou para me limpar com a jaqueta dele. - Então como foi que viemos parar aqui? - Ele perguntou rindo. - Você bateu no meu carro. - Eu me sentei me vestindo. - Verdade, será que quebrei algo? - Espero que não... não me importo. Ele sorriu se sentando e buscando cigarro no bolso. Permaneci o observando acender o cigarro para fumar com a ponta dos dedos polegar e indicador, sem a jaqueta de couro, com os cabelos bagunçados. Era lindo. O nariz afilado fazia um conjunto simétrico com os olhos. A barba bem-feita, sem falhas, descia um pouco até o pescoço. Eu reparava em tudo, sem parar, sem conseguir tirar os olhos de cima dele. Ele também não conseguia ficar muito tempo sem me olhar. - Então, fazemos com trinta anos o que devíamos ter feito aos de

