Era inacreditável como eu precisava me ausentar de tudo ao meu redor para parar de sentir tudo tanto. Então me levantei para pagar a conta, quando o vi se levantar e vir em minha direção. Não era possível!
- Obrigado pelo bolo...
Olhei para ele como quem olha para seu algoz antes da morte certa. Pode me matar logo de uma vez, vamos, não enrole.
- Me mata logo de uma vez, Eric...
- Do que está falando?
- Daquelas duas piranhas com quem você está! Você me beijou hoje à tarde!
Ele riu.
- Certo, vim ver se você está bem e já vi que está. Você me negou e não tem direito a reclamar nada!
- Eu sei que não tenho, mas não tenho culpa de estar morta de ciúmes!
Ele sorriu parado me olhando como quem recebe uma surpresa agradável. Então cruzou os braços.
- Mas olha só, a mulher da cidade grande sentindo ciúme do roceiro...
- Tem um pequeno detalhe meu amor, eu fui roceira também e sim, estou claramente morrendo de ciúme e se você fez de propósito, pode se gabar disso!
Ele deu uma gargalhada gostosa.
- Bem, eu fiz tanto de propósito que vou voltar lá e ficar com as duas na sua frente para aprender a não dar fora em um Castro Garcia.
- Eric...
Ele deu as costas a mim e voltou a mesa com aquelas duas. Eric acendeu um cigarro que já estava sobre a sua mesa e abraçou uma das mulheres, uma loira. Quando vi o primeiro beijo, dei as costas e saí do bar sem pagar. O garçom ainda me gritou, mas eu não queria ouvir mais nada de ninguém. Os beijos dele vieram a minha mente, a suavidade dos lábios, a quentura, o gosto; E agora estavam sendo trocados com outra e eu só queria chorar de raiva. Alcancei meu carro com a visão embaçada de tentar não derramar as lágrimas. Dei partida no carro e saí dali o mais rápido possível. A estrada estava um breu como na ida, eu acelerava mais que podia, queria estar logo em casa. De repente um farol alto me cegou pelo retrovisor.
- Passa filho da p**a! - Gritei pela janela.
Ele não ultrapassou e acelerou mais até encostar no meu carro. Senti o tranco no pescoço.
- Ô filho da p**a, desgraçado, quer me matar?!
Os faróis piscavam desesperadamente, até que ele me empurrou de novo. A minha decisão foi de parar mesmo temendo pela minha vida. Encostei o carro ao lado do mato alto e olhei pelo retrovisor sentindo minha respiração acelerada pelo pavor. A figura ainda não era conhecida por causa da luz forte do farol até que eu o reconheci quando se aproximou mais. Eric meteu a mão na minha maçaneta da porta a abrindo.
- Você me fez de palhaço, Alice!
Ele segurou meu braço e me tirou do carro. Por um instante me lembrei do meu sonho.
- Eu não fiz você de palhaço, eu mandei mensagem!
Ele me encostou no carro e apoiou as mãos na lataria dos dois lados da minha cabeça com aquele rosto bonito a centímetros do meu. Eu só queria beijar e colocar minhas mãos por baixo daquela camisa dele, mas precisava me conter.
- Fez, eu ia embora e você me segurou e me beijou...nenhuma mulher me faz de idiota...
Ele segurou meu rosto apertando as minhas bochechas, entretanto nada machucava. Ele não parecia querer me machucar, apenas se mostrar dominante. Eu entendi, ele estava se sentindo enganado por um dos Oliveira.
- Me perdoa, eu não queria... na verdade eu queria muito você. - Aquilo saiu como um espirro, de repente - Mas eu não posso.
- Por quê? - Ele encostou o corpo no meu e me fez sentir seu perfume delicioso. Aquilo me embriagou como vários copos de um bom destilado.
Eric roçou a barba no meu rosto deixando os lábios a centímetros dos meus, enquanto me olhava nos olhos. Não estava muito claro, a luz do farol alto só mergulhava a nós dois numa penumbra e eu via a silhueta do corpo dele na escuridão.
- Porque ...Porque - Eu lembrei da namorada falecida - Porque eu não quero brincar de me apaixonar e acabar me apaixonando.
- Mas me humilhar pode?
- Eu não te humilhei, Er..
- Cala a boca.
Minha boca foi tomada repentinamente por um beijo ávido e delicioso. Não era mais possível ficar longe dele, então me agarrei em seu pescoço, morrendo de t***o. Aqueles pelos da barba arranhavam meu rosto do jeito que eu me lembrava do dia anterior. Eu sabia. Eu já estava apaixonada por ele, mas em que momento se deu aquilo? Eu não sabia em que segundo aquele caminhão desgovernado e lindo tinha me atropelado, mas estava gostoso sentir aquilo de novo. Eric só se afastou do meu corpo para me empurrar para dentro da caminhonete e me fazer deitar no banco traseiro. Não havia mais palavras a serem ditas. Nós só queríamos um sexo gostoso e selvagem, do jeitinho que ele era. Gostoso e selvagem. Ao se debruçar sobre meu corpo, Eric puxou meu cropped para baixo com fúria e abocanhou meu seio. Soltei um gemido sôfrego de quem esperava há dias por aquilo. Na verdade, esperava desde a hora em que o vi na porta quando cheguei de São Paulo. Desci minhas mãos por seu peito, enfiando ambas sob a camisa de gola V e apertei seus músculos do peito e barriga, eles eram do jeitinho que eu mais gostava, durinhos. Eric enfiou o rosto entre meus longos cabelos enquanto se enfiava no meio das minhas pernas, fazendo com que eu me abrisse para ele, ainda vestida. Então ele mordeu meu pescoço e deslizou a língua quente sobre a minha pele, o que me fez arrepiar inteira.
- Eric...
- Quer que eu pare?
Ele me olhou, preocupado.
- Te mato.
Ele sorriu e desceu o corpo sobre o meu para abocanhar mais os meus dois s***s, já rígidos e arrepiados ao menor toque daquela língua molhada. O filho lindo do Narciso me levava a loucura. Podia sentir já sua ereção sob a calça roçar na minha perna mesmo sobre a minha calça jeans. Acariciando todo o meu corpo, sua mão esquerda chegou ao zíper da calça dele.
- Você faz...
Aquela ordem era muito bem-vinda. Eu amava receber ordens na hora do sexo. Fazia me sentir tão cadelinha, tão serviçal e submissa. Embora na vida eu detestasse obedecer aos homens e lutasse tanto pelos direitos feministas, na hora do sexo eu adorava a sensação de pertencimento, de ser ordenada, de ajoelhar, de engatinhar pedindo mais. Que dualidade! Estava eu ali, tão entregue, como uma mulher submissa que nunca fui abrindo a calça dele para expor seu belo e grande falo. E adorando tudo. Mas o que foi mais delicioso foi quando ele segurou meu pulso esquerdo contra o estofado do banco do carro enquanto me beijava. Masturbei seu pênis grande repetidas vezes até ele dizer que bastava. Os olhos verdes me encaravam, como se ele quisesse impor a visão do seu olhar enquanto eu o masturbava, numa clara posição dominante.
- Eu quero...
- Eu vou te dar... tudo...
Ele murmurou no meu ouvido quando eu já não aguentava mais esperar. Aquela era a brincadeira de gato e rato que eu queria, não de amor e ódio porque nossos pais não se gostavam muito. Eu estava pouco me importando com nossos pais, eu só o queria. Apenas ele em cima de mim. Eric baixou minha calça assim que já estava com o m****o rígido, rosa do lado de fora daquela calça incômoda. Quando me penetrou, fez questão de que eu o olhasse nos olhos. A todo momento queria mostrar sua força, sua pegada, seu poder sobre mim. E eu estava entregue, totalmente. O barulho ritmado do banco do meu carro naqueles socos dentro de mim eram sons deliciosos. Eu segurava na porta para não bater a cabeça e nossas respirações ofegantes embaçavam todos os vidros. Eric gemia baixo, eu gemia alto. Ele era bom no que fazia, era gostoso e experiente. Roçava a pelve no meu c******s me deixando louca de desejo, me fazendo gemer mais alto sem me importar com o barulho dos grilos lá fora ou com as luzes teimosas dos vaga-lumes procurando acasalar.
- Goza, minha gata, goza para o seu mouro...
Em alguns segundos, eu estava molhando o estofado do carro e quando ele disse aquilo, como se conhecesse meus pensamentos e até meus sonhos eróticos com ele, eu gozei. Senti minha boca abrir mais e os gritinhos quase contidos saíam da minha boca sem esforço. Eu não podia mais olhar para aqueles olhos verdes na penumbra do carro, eu só consegui fechar os olhos e imaginar ele em cima do cavalo, de armadura brilhante, empunhando uma espada, cheio de autoridade e poder. O orgasmo explodia em meu c******s e pelve na sensação mais gostosa que um ser humano pode experimentar. O cavaleiro mouro ainda esperou que eu terminasse, se regozijando do meu prazer para só então começar a gozar sobre a minha barriga. Nós suávamos, satisfeitos, mas não muito. O que poderia vir a seguir? Eu não tinha casa para onde levar aquele homem e muito menos ele. Talvez um motel no centro da cidade? Onde todos nos conheciam? Aquilo deveria ainda ser mantido em segredo por muito tempo.