Capítulo 12

1317 Palavras

Gavião Narrando A porta bateu atrás de mim com força, como se aquele barulho fosse capaz de calar a voz que ainda ecoava dentro da minha cabeça: a de Viviane dizendo que acabou, jogando o celular em mim como se eu fosse nada. Aquilo queimava mais do que qualquer bala que já entrou no meu corpo. Subi a viela cantando pneu, com o sangue fervendo, o corpo latejando de ódio., e o barulho da Rocinha naquela noite parecia me irritar ainda mais: o funk estourando no beco debaixo, gargalhadas, motores de moto acelerando. Como o mundo poderia continuar igual enquanto eu era atravessado pela pior afronta que já levei na vida? Não fui pro barraco principal, não. Não ia dar o gostinho de ninguém me ver fragilizado, de fofoqueiro espalhar história no outro dia. Fui pra outra casa, a que eu mantinha

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