CAPÍTULO 144 VALÉRIA NARRANDO Cheguei na minha casa já com o finalzinho de tarde pintando o céu de laranja. O sol descia devagar, queimando as nuvens no horizonte e deixando aquele ar pesado de obra, poeira e cimento no ar. Encostei a moto no canto de sempre, tirei o capacete e respirei fundo. O barulho de marretada e serra já tava sumindo; os pedreiros estavam guardando as ferramentas, alguns limpando a sujeira, outros se ajeitando pra ir embora. — Boa tarde, dona Valéria! — um deles falou, acenando com a mão suja de massa. — Boa tarde, meus queridos. — respondi, com um sorriso leve. — Já vão indo? — Já sim, amanhã a gente continua. — outro disse, arrumando o carrinho de mão carregado de entulho. Assenti, observando a movimentação. O chão da frente tava cheio de restos de tijolo, ci

