CAPÍTULO 143 MORTE NARRANDO Voltei pro barraco com o envelope grudado no peito como se fosse um mapa do tesouro — só que esse tesouro podia me custar mais caro do que eu queria admitir. Desci da moto devagar, sem pressa, olho na contenção, as manhas do morro me cumprimentando com olhar. Entrei pela porta, o cheiro do uísque ainda no ar, mas a casa parecia diferente: mais silenciosa, como se todo mundo soubesse que algo tinha mudado. Joguei o envelope na mesa, sentei, e fiquei olhando pra fita que lacrava o papel. A mão tremia só um pouco; aquilo não era medo, era cálculo. Abri com cuidado, rasgando devagar pra não rasgar nada importante. Dentro, papéis, atestados, um monte de folha: registros de atendimento, fichas, umas anotações meio amassadas com nomes e datas. Tudo junto formava um

