Alice Albuquerque
Hoje eu acordei muito animada, também estou muito ansiosa, pois eu tenho uma entrevista de emprego na hora do meu almoço. Eu estou buscando novos desafios, estou cansada da rotina da clínica em que trabalho.
Me levanto e faço as minhas higienes, me arrumo e vou para o trabalho. As coisas correm tudo bem, até na hora do meu almoço, quando eu saio para ir até a entrevista de emprego.
Estou a cada segundo mais nervosa com essa entrevista, é uma das empresas mais conhecidas do pais, ela é muito renomada e abrange vários ramos diferentes. Embora a fama do poderoso CEO, Pedro Reis, não seja uma das melhores, eu não estou me importando com isso, pois eu não terei contato com ele, além do mais o que ele faz ou deixa de fazer não é problema meu.
Me inscrevi para a vaga de auxiliar administrativo, fui mais a fundo e fiz algumas pesquisas para saber como é o funcionamento da empresa, eu descobri que ficarei em um setor com mais ou menos umas cinco pessoas.
Quando eu chego na empresa, fico de boca aberta com a fachada deslumbrante, toda de mármore preto, com as letras douradas escrito Grupo Reis. Paro na recepção para me identificar, uma moça muito simpática, chamada Julia pergunta o meu nome e me mostra por onde seguir.
Eu me dirijo para onde ela falou e quando chego no elevador, para subir até o nono andar, onde me foi passado que seria a entrevista, uma pessoa acaba trombando em mim, eu acabo ficando muito irritada. Eu falo umas boas verdades para a pessoa, que nem me dei ao trabalho de olhar antes de ficar brava.
A: Você não olha por onde anda não?
- A senhorita é quem precisa, prestar mais atenção por onde anda. Eu já estou com problemas demais por hoje e não tenho tempo para lidar com pessoas desastradas como você.
A: Pessoas como eu?! Eu estou aqui parada esperando o elevador e você está mexendo neste celular, nem se quer olha para frente. Quem você pensa que é, para tratar as pessoas deste jeito?
Quando eu olhei para o rosto dele, me subiu um leve arrepio pelo corpo e senti um frio na barriga, ele é um homem jovem, alto, todo de terno, cabelos negros bem penteados, com um olhar penetrante.
Eu tive a impressão de o conhecer de algum lugar, mas não me recordava ao certo de onde. Ele também me olhou rapidamente e deu uma risadinha sarcástica, depois continuou mexendo no seu celular.
Me senti um pouco intimidada e desconcertada, me senti também nervosa pela maneira que ele se acha o dono do mundo, mas resolvi continuar calada e esperar que chegasse até o andar que eu desceria.
Durante a subida do elevador, nós não trocamos mais nenhuma palavra e eu nem me atrevi mais, a olhar para a cara dele.
O elevador abriu as portas no nono andar e eu caminhei para fora dele, mas não me aguentei de curiosidade e antes que as portas se fechassem, eu o encarei para tentar lembrar de onde o conhecia, nesta mesma hora ele largou o celular e me olhou da mesma forma. Novamente eu senti um frio na barriga, não sei explicar o que está acontecendo comigo, essas sensações estão me assustando.
As portas do elevador começaram a se fecharem, mas antes eu pude ver o sozinho no rosto dele. Minha santa das malucas... que homem é esse?! Ele conseguiu me intimidar e ao mesmo tempo me provocar somente com o olhar. Quem será ele?
Eu procurei tirar isso da minha cabeça e me concentrar na minha entrevista. Sigo caminhando pelo departamento, até que vejo uma senhora muito elegante, bem concentrada e bem atrapalhada com muitos papéis.
Vou até ela e lhe ofereço ajuda, ela me olha confusa e me pergunta quem eu sou. Me apresento e digo que vou fazer uma entrevista, ela também se apresenta, diz que era eu mesma, quem ela estava esperando, mas teve algumas mudanças no que estava programado.
Ela falou que iríamos fazer a entrevista junto com o Sr. Pedro, pois a secretária dele se demitiu e ele precisa de uma substituta com urgência, dona Marlene disse que o meu currículo, tem todos os requisitos necessários e perguntou se eu aceitaria a nova oferta.
Eu confesso que fiquei meio indecisa, pois eu sei a fama que esse tal de Sr. Pedro Reis tem, mas estou confiante que darei conta do trabalho. Eu gosto de novos desafios e também o salário que ela me passou, foi irrecusável. Eu aceito a proposta.
Então nós duas subimos para o décimo andar, chegando lá encontramos a recepção vazia e ouvimos uma voz masculina gritando. A dona Marlene me chama e nós seguimos de encontro a aquela voz, que para mim, soava meio familiar.
Quando eu paro na porta da grande sala, eu quase tenho um infarto quando vejo quem é o Sr Pedro. Nada mais, nada menos, que o rapaz do elevador. O homem que eu acabei de discutir e questionar a sua autoridade, dentro da própria empresa dele.
Eu tive a certeza que ele não me contrataria, vi as minhas esperanças de mudança, indo embora. Quando ele me encarou, tinha um olhar muito imponente, mas tive a impressão de ver um pouco de confusão, de raiva e de surpresa. Eu não sei ao certo, mas acho que foi só impressão mesmo, pois ele não deixou sua pose de durão cair e continuou com um olhar fixo em mim enquanto a dona Marlene me apresentava.
M: Olá, meu querido! Eu nem vou perguntar como você está se sentindo, mas eu trouxe a solução dos seus problemas. Essa é a senhorita Alice Albuquerque, ela é a candidata que falei para você, mais cedo. Ela tem todas as qualificações necessárias para ser a sua… secretária.
Dona Marlene falou de um jeito sarcástico e parecia querer provoca-lo, eu confesso que ela conseguiu, pois, a sua fisionomia ficou ainda pior. Ele pediu que ela se retirasse da sala e assim ela fez, nos deixando a sós.