No caminho para a rodoviária, Clara sentia o corpo inteiro vibrar com a pressa. O Uber parecia mover-se devagar demais — cada curva era uma tortura, cada farol vermelho, uma afronta ao desespero que pulsava no peito. O motorista falava algo sobre o trânsito, mas as palavras se dissolviam no ar; tudo o que ela conseguia ouvir era. Ela fechou os olhos e respirou fundo, tentando dominar o tremor das mãos. Mas o ar parecia pesado, e o simples ato de respirar doía. O medo tinha gosto — amargo, metálico, como se impregnasse a língua e a garganta. “Por favor, Deus… deixa ele viver.” Repetia mentalmente, como uma oração que nascia de dentro e se quebrava antes de chegar aos lábios. O carro dobrou a esquina da rodoviária, e Clara já empurrava a porta antes O ônibus para o interior partia e

