O apartamento estava silencioso naquela tarde. O som distante da cidade se misturava ao tique-taque preguiçoso do relógio na parede, e o sol filtrava pelas cortinas, riscando a sala com listras de luz e sombra. Heitor permanecia deitado no sofá, o olhar perdido no teto. Desde que voltara do hospital, os dias pareciam longos demais. Tudo o que antes era familiar agora parecia ter mudado de lugar. Até os sentimentos. Bianca entrou na sala, o perfume doce que sempre deixava o ar pesado. Trazia nos olhos o brilho de quem já vinha planejando cada palavra. — Amor... — começou, sentando-se ao lado dele. — Podemos conversar um instante? Ele apenas assentiu, sem muita disposição. Bianca pegou as mãos dele entre as suas, com aquele toque calculado que fingia afeto, mas pesava como uma corr

