O sol da tarde atravessava as cortinas da sala, criando faixas douradas sobre o chão de madeira. Clara ajustava o elástico do cabelo e preparava o material para mais uma sessão. Heitor, no sofá, esperava em silêncio — os olhos acompanhando cada movimento dela, o som suave das embalagens, o toque rápido dos dedos no cronômetro. Tudo era quase normal… até a voz de Bianca quebrar o equilíbrio. — Vocês dois vivem nesse ritmo, hein? — ela disse, encostando-se ao batente da porta, com um copo de suco na mão. — Parece até que ele é o único paciente do mundo. Clara levantou o olhar, sem se abalar mas não respondeu a provocação. — Você é muito dedicada, Clara. Aposto que seu namorado morre de ciúmes. Heitor desviou o olhar, sentindo o ar mudar, a lembrança do beijo no dia anterior o invadiu

