Alex
Às vezes, na vida, todos nós temos momentos em que percebemos que estragamos tudo e não há saída.
Estou vivendo um desses momentos.
Mia está me olhando com os olhos arregalados, como se eu tivesse acabado de dizer a ela que matei a sua mãe. Eu não fiz isso, para deixar registrado. Mas o livro que ela está segurando cai e sua boca se move como se estivesse tentando encontrar algo para dizer. A profundidade do problema em que me meti está começando a me atingir.
Isso vai ser r**m.
— Você está falando sério? — Ela pergunta. — Você não está, né?
Como? Não. Não pode ser.
— Eu estou. — p***a, não é assim que eu queria contar a ela. — Eu sinto muito. Havia planejado te contar. Queria te contar. Apenas nunca parecia o momento ideal, e quando parecia, as coisas continuavam acontecendo.
Ela olha para o chão, a cabeça balançando lentamente de um lado para o outro. Estou em pânico, tentando pensar na coisa certa para dizer. Quais palavras dizer quando se está mentindo para a mulher por quem está apaixonado? Não faço ideia.
— Oh, meu Deus — diz ela, afastando-se de mim. — Oh, meu Deus. Eu estive... e você era... esse tempo todo... e foi... Lexi era você?
— Sim, Lexi sou eu.
— p**a merda. — Ela coloca a mão no estômago, como se fosse vomitar. — Eu disse coisas... coisas sobre você mesmo. E você esteve usando isso, não é? Você tem me manipulado esse tempo todo.
— Não — digo, levantando a mão. — Não, Mia, eu juro que não foi desse jeito.
— Como você pôde? — Ela pergunta. — Oh, Deus, isso começou na livraria. Posso comprar livros para você? Eu disse a Lexi que queria que um cara fizesse isso e você usou essa informação. Você usou minha própria dica a seu favor.
— Não. Deus, Mia, eu não sabia quem você era naquele momento. Eu só pensei em como você era atraente e que parecia uma boa ideia.
— Quando você descobriu? — Ela pergunta, finalmente me olhando nos olhos.
Fico olhando para ela, de repente incapaz de falar. Toda a minha lógica, todas as decisões que pareciam perfeitamente razoáveis até este momento desabam à minha volta. O famoso castelo de cartas.
Eu realmente fodi tudo.
— Alex, quando você descobriu quem eu era?
— Depois de jantarmos no Lift — digo, com relutância. — Você mandou uma mensagem para Lexi e falou sobre o seu encontro. Eu sabia que tinha que ser eu.
Ela me encara de boca aberta, seu queixo lá embaixo e os olhos arregalados.
Sim. Estou ferrado.
— Como você pôde esconder isso de mim?
— A única pessoa que sabe é minha irmã — digo. — Eu mantive isso em segredo de todo mundo.
— Sim? Bem, você não está dormindo com todo mundo — diz ela.
Eu estremeço.
— Mia, por favor. Não queria mentir para você.
— Claro que você queria — diz ela. — Mentir não acontece por acaso.
— Não, mas eu queria te dizer — eu digo. — Eu juro que eu iria te contar.
Ela encontra meu olhar e cruza os braços.
— Mas você não contou. Por quê?
Ok, talvez eu deva voltar e explicar por que estou em pé na frente do amor da minha vida, tentando fazê-la entender como eu também sou uma mulher chamada Lexi Logan.
Confuso?
Sim, também acho.
Tudo começou há pouco mais de um ano. Eu sei, isso é um grande salto de tempo, e você quer chegar às partes boas. O garoto conhece a garota, eles se apaixonam, fazem sexo como coelhos, são separados por algum conflito e voltam a ficar juntos para um brilhante felizes para sempre. Acredite em mim, estou muito familiarizado com essa história.
Na verdade, as escrevo para ganhar a vida.
Um ano atrás, esse não era eu. Cinco dias por semana, eu me arrastava para o trabalho, ficava sentado em um cubículo cinzento e sem graça, olhando para uma tela, escrevendo códigos de computador. Eu tinha uma merda de cadeira desconfortável, um chefe que precisava de um soco na garganta e um monte de colegas de trabalho que estavam presos tão profundamente nessa rotina quanto eu.
Mas, no meu tempo livre, eu escrevia um livro de ficção científica. Passava horas fazendo pesquisas, tomando notas, desenhando esboços. Eu trabalhava até tarde da noite, adicionando lentamente palavra após palavra. O livro ficava cada vez mais longo, mas achava que lidaria com isso quando começasse as revisões. Ou talvez transformaria em uma trilogia. Eu certamente tinha material suficiente. Muito frequentemente, o sol manchava o céu de cores e meus olhos estavam secos e ásperos, antes que eu, finalmente, caísse na cama por algumas horas.
Apenas para me levantar e ir para o meu trabalho de merda.
Para ser justo, a privação de sono provavelmente não estava ajudando a minha atitude em relação ao trabalho.
Eu queria ser escritor desde criança. Quase me graduei em inglês, mas meu pai, sempre um homem prático, me convenceu a conseguir um diploma de ciência da computação, caso a coisa da escrita não desse certo. O problema é que esse grau prático levou a uma carreira prática, que levou à minha atual existência, sugadora de alma, na qual eu estava afundado.
Eu não via uma saída. Meu trabalho era uma droga. Eu me divorciei depois de um casamento muito breve e tumultuado. Meu status de relacionamento era basicamente eu amo mulheres, mas não estou interessado em compromisso. Tudo o que eu tinha era minha escrita.
Mas, por mais que eu gostasse do processo, sabia que era mais um hobby do que uma carreira, pelo menos do jeito que eu estava fazendo. Mesmo que o produto finalizado – se algum dia eu terminasse – fosse o melhor épico de ficção científica já escrito, seria preciso um golpe de sorte para publicá-lo e ganhar dinheiro suficiente para deixar meu emprego. E, considerando que já estava trabalhando nisso há anos, sem nenhum fim à vista, não parecia que esse seria o caminho para uma vida melhor.
Até que minha irmã, Kendra, disse algo que alterou o curso da minha vida para sempre.