Alex
— Olha, é uma pena que você não esteja escrevendo algo com um apelo mais amplo — diz Kendra. Ela empurra um envelope pardo sobre a mesa em minha direção. — Ou algo que pudesse terminar mais rápido. Você é um escritor tão bom, mas isso tem um público tão limitado.
— Eu não te dei isso para ter conselhos de marketing. — Coloco um pouco de creme no meu café e mexo. — Queria saber o que você acha sobre o rumo que a história está tomando.
Uma garçonete coloca o latte de Kendra na frente dela. Ela o leva até o nariz e cheira.
— Hum, tão bom. Eu amo o café daqui.
Estou almoçando com minha irmã no Café Presse, um pequeno café francês no Capitólio. Ultimamente tenho encontrado Kendra na maioria dos sábados, e ela tem me dado um feedback sobre o meu romance, já que ela é editora e entende do assunto.
— Você está divagando de novo — diz ela. — Até o capítulo dez é muito bom, mas depois você começa uma tangente no capítulo onze e eu não sei por que é relevante.
— Será relevante mais tarde — eu digo. — A história volta para esse ponto. Confie em mim.
Ela revira os olhos.
— Diga isso para alguém lendo. Eles vão chegar ao capítulo onze e pensar: que p***a é essa, e fechar o livro. Você não vai estar lá para dizer confie em mim.
Esfrego a barba e olho para a pasta. Ela provavelmente está certa. Ela sempre está.
— Ok, justo. Eu vou voltar ao capítulo onze. Talvez precise de mais algumas dicas no capítulo sete.
— Isso pode ajudar — diz ela.
Uma loira bonita caminha em direção à nossa mesa. Eu olho para Kendra e olho para ela, levantando um canto da minha boca em um sorriso. Ela sorri de volta, mas desvia o olhar e continua andando.
Kendra levanta uma sobrancelha.
— Você é esse cara.
— O quê?
— Devo assumir, por essa troca intensa de olhares com a garota, que você não está mais saindo com a... Qual é o nome dela?
— Brandy? — pergunto.
— É isso aí. Brandy.
— Não, eu não estou mais saindo com ela.
— Por que não? — Ela pergunta. — Eu pensei que ela tinha realmente passado da sua coisa de cinco dias.
— Que coisa de cinco dias?
Kendra encolhe os ombros.
— Talvez não sejam cinco. Eu literalmente não conto quantas vezes você sai com alguém. Eu só quero dizer que você não parece ficar com ninguém além de quatro ou cinco encontros.
Ela provavelmente está certa. Eu não tenho interesse em mais do que namoros curtos com mulheres desde o meu divórcio.
— Por que você se importa?
— Porque você é meu irmão — diz ela, como se isso explicasse a vida, o universo e tudo mais.
Tomo um gole do meu café.
— Eu terminei as coisas com Brandy algumas semanas atrás. E, antes que você pergunte, não, eu não estou saindo com mais ninguém agora.
— Não fique sensível sobre isso — diz ela. — Seria bom ver você com alguém a sério. Uma pessoa que você possa realmente apresentar à família. — Eu não tenho pressa para isso —digo. — E não quero falar com você sobre mulheres. É estranho.
— É apenas estranho porque você faz disso uma coisa estranha — diz ela.
— Você realmente quer que eu comece a compartilhar os detalhes da minha vida s****l com você?
— Deus, não — diz ela, revirando os olhos. — O que eu quero dizer é que eu não estava falando sobre sexo. Você que tornou isso uma coisa estranha.
O garçom traz o almoço e começamos a comer. Esse lugar serve sanduíches incríveis. Porém, Kendra parece distraída por algo atrás de mim.
— O que você está olhando? — Eu pergunto, depois que ela olha além de mim pelo menos pela décima vez.
— Nada.
— Obviamente é alguma coisa. Você continua olhando pra lá. — Eu olho por cima do meu ombro e vejo um casal sentado um ao lado do outro, em uma pequena mesa. O rosto da mulher está escondido pelo homem com quem ela está, eles estão se beijando, a mão dele no queixo dela. Eu volto a olhar para Kendra e dou de ombros. — É um café francês. Talvez estejam influenciados pelo ambiente. Apenas ignore-os.
— Sim, mas ... — Ela olha novamente. — Não é a Janine?
Eu congelo. Não vejo minha ex-esposa desde que nosso divórcio foi finalizado. Seattle é uma cidade grande o suficiente, não foi preciso muito esforço para evitá-la. Espio por cima do meu ombro novamente. O homem se afasta e eu tenho um vislumbre de seu rosto. Sim, é a Janine.
Isso estraga o meu almoço. Viro de costas, esperando que ela não me veja.
— Estou surpresa que ela esteja deixando alguém fazer isso com ela em público — eu digo. Janine nunca foi uma pessoa adepta a demonstrações públicas de afeto, especialmente quando estava usando batom. O que era sempre.
Kendra respira fundo.
— Desculpa. Eu a notei há um tempo e fiquei preocupada que isso pudesse te incomodar.