Mia
Alex segura a porta para mim e eu entro.
Olho para ele e afasto o olhar rapidamente. Eu preciso parar de fazer isso. Ele vai pensar que sou louca. Mas estou tentando descobrir como um homem com essa aparência está me levando para um café.
Ele é extraordinário, parece saído diretamente das páginas de um dos meus romances favoritos. Seu cabelo é grosso e escuro, com alguns fios caindo na testa. Ele tem olhos castanhos profundos e uma mandíbula primorosa coberta por uma barba clara. E quando ele sorri? Me mata. Seus olhos ficam um pouco cerrados e seus lábios se separam mostrando um sorriso perfeito. Seu corpo parece em forma e musculoso, suas roupas caem nele do jeito que só fazem quando o cara está em boa forma. Eu posso ver as linhas dos músculos em seus braços, e não tenho vergonha de dizer que espiei sua b***a enquanto esperávamos na fila da livraria. Esse cara faz jeans parecerem bons.
Mas, vamos esquecer por um segundo que ele é um dos homens mais bonitos que já vi na vida real. Porque ele acabou de me comprar livros.
Quantas vezes eu disse que isso deveria ser uma cantada? Eu sempre disse que adoraria ter um homem se aproximando de mim em uma livraria e me oferecendo algo para ler. Isso ganha do comprar uma bebida para ela.
E isso aconteceu mesmo? Comigo?
E o homem tem essa aparência?
Tenho certeza de que estou alucinando, mas isso é tão bom que seguirei adiante até que a realidade me atinja. Nós ficamos na fila e Alex olha para mim com um pequeno sorriso no rosto. Meu coração não diminui o ritmo. Toda vez que ele olha para mim, é como ser atingida por um zumbido de eletricidade.
Chegamos ao balcão e pedimos latte para mim, cappuccino para Alex. O lugar está cheio, mas tem funcionários suficientes, e nossas bebidas ficam prontas em alguns minutos. Eu jogo o copo de café agora frio no lixo e Alex me entrega meu café com leite fresco.
— Há alguns assentos lá atrás — diz ele.
Concordo com a cabeça, tentando com toda a minha força não tropeçar em meus próprios pés, derramar meu café, derrubar meus livros ou me humilhar de qualquer outra forma. Estou tão nervosa com tudo o que aconteceu nos últimos quinze minutos, que m*l me lembro de como andar. Quando chego à pequena mesa nos fundos do café, sem sofrer nenhum desastre embaraçoso, levanto os olhos para o céu em um silencioso agradecimento a todos que possam estar ouvindo.
Alex parece tão relaxado, sentado em sua cadeira, uma mão tocando seu copo. Eu me sento no meu lugar, surpreendentemente sem derrubar ou derramar nada, e respiro fundo para me recompor.
— Então, Mia — diz ele. —, assumo que os livros significam que você gosta de ler. Embora me ocorreu, quando estávamos na fila, que talvez você estivesse comprando para outra pessoa.
— Não, eles são para mim — eu digo. — Na verdade, já li dois deles, mas às vezes gosto de comprar o físico para minha estante quando é algo que realmente gostei.
— E você autografou um — diz ele.
— Sim, eu o fiz. Eu amo os livros de Amy Aurora.
Ele concorda.
— A julgar pela multidão lá, entendo que ela é popular.
— Muito — digo. — Seus livros são leves e divertidos, não é muito angustiante. Não me entenda m*l, eu amo um bom romance angustiante. Mas, às vezes, é bom ler algo mais leve entre os mais pesados.
— Isso faz sentido. Parece que há muita emoção nos romances. Eu posso ver a necessidade de uma pausa entre os romances mais pesados.
Fico impressionada com o fato de ele não parecer desconcertado com o que eu leio. Estou tão acostumada com as pessoas que zombam de mim quando descobrem que tipos de livros eu amo, como se ler romance significasse que eu não sou uma leitora de verdade, porque não é literatura de verdade. Mas eu não pego essa vibração dele.
— Exatamente — digo. — E você? O que você está lendo? — Bom Deus, estamos conversando sobre o que estamos lendo. Estou tão excitada agora.
Ele puxa seu livro e me mostra a capa.
— Eu não li nada desse autor, mas parece bom. Estou com vontade de algo novo.
— Parece ótimo.
Eu relaxo, e a pior das minhas tendências desajeitadas desaparece. Saboreio meu latte, conversamos e rimos. Ele é lindo, mas é muito mais do que isso. Ele é fácil e divertido de conversar. Ele fala sobre como cresceu lendo ficção científica, e embora não sejam livros que eu leia, com a forma que ele fala sobre eles, eu sinto sua paixão pelas histórias. Isso me faz querer ler alguns desses livros, só para podermos discuti-los da próxima vez que nos encontrarmos.
Próxima vez? Devagar, garota. Você não tem ideia se haverá uma próxima vez.
Mas eu me adianto mesmo. Eu pego meu celular e abro a sss.
— Então, aquele livro que você comprou. Qual era o título mesmo?
— Destruidor — diz ele, a cadência de sua voz quase fazendo uma pergunta. — Por quê?
— Eu estava apenas pensando se talvez já tenha lido, e então nós poderíamos, eu não sei, nos encontrar e conversar sobre ele ou algo assim. — Eu fecho meus olhos novamente. Por que minha boca faz isso comigo? Meu cérebro não tinha se ligado ainda para dizer à minha boca para ficar calada.
Quando eu olho para ele, está sorrindo e segurando seu livro.
— Oh, não, eu não poderia — digo. — Você já me comprou estes e café.
— Tome isso — diz ele. — Eu vou comprar outra cópia. Como você disse, nós podemos ler e nos encontrar novamente para falar sobre ele.
Minha barriga deu meia dúzia de cambalhotas – aposto que você não sabia que a barriga poderia fazer isso. Estou tão grata por ter bebido todo o meu café, porque não há nada para derramar quando eu bato o livro contra o copo na minha tentativa de tirá-lo da mão de Alex.
— Obrigada — digo. — Isso é muito gentil.
Alex sorri novamente e meu cérebro derrete, como manteiga em uma panela quente.
— Bem, se vamos fazer um ler com um amigo sobre Destruidor, eu suponho que precise ser capaz de contatá-la quando terminarmos. — Ele puxa o telefone e levanta as sobrancelhas.
Demoro cerca de cinco segundos a mais do que uma pessoa normal para responder, e seu rosto estava começando a parecer preocupado quando eu digo meu número.
Ele encontra meus olhos, segurando meu olhar por um longo momento, e sorri de novo aquele sorriso de derreter o cérebro.
— Você prefere mensagens ou telefonemas?
— Mensagens. Eu nunca atendo meu telefone. Mas irei, se for você ligando. — Oh, Deus, eu fiz de novo. O que há de errado comigo?
Mas Alex apenas ri baixinho e digita algo em seu telefone. Um segundo depois, o meu soa com um texto.
— Aí — diz ele. — Este sou eu. Vamos ler e fazer planos para nos encontrarmos novamente quando terminarmos.
Eu levanto meu telefone e olho para o número. Em que tipo de universo alternativo estou vivendo?
— Ok, parece perfeito.
— É, não é? — pergunta ele.
Eu levanto meus olhos novamente para o teto em um apelo silencioso de que eu não esteja, de fato, sonhando. E se eu estiver, que eu nunca, nunca acorde.