Alex
A livraria está lotada. Eu encontro um lugar no estacionamento, mas há uma fila que sai pela porta. São quase todas mulheres, embora eu veja alguns caras de aparência entediada por perto. Tenho a sensação de que são namorados ou maridos que foram arrastados. Eu passo direto pela fila, já que não estou planejando ter um livro autografado, então não preciso esperar. Só quero ver como é esse tipo de evento.
Posso não ser especialista nisso, mas parece estar sendo um sucesso. Claro, Amy Aurora é uma autora extremamente popular agora. Eu tenho lido seus livros para pesquisa e posso ver por que seus leitores os amam. Eu adoraria conhecê-la e conversar, mas não posso fazer isso pessoalmente sem me dedurar como um cara.
E isso é algo que eu absolutamente não posso fazer.
Quando comecei essa coisa, me certifiquei de que não haveria conexões entre minha identidade real e meu pseudônimo. Muita coisa depende disso, não posso deixar meu segredo ser descoberto. Não é apenas o que mudaria na minha vida pessoal, embora eu me encante com o pensamento de pessoas que conheço descobrindo que escrevo romance. Se os leitores soubessem que sou homem, tenho certeza de que meus livros não venderiam da mesma maneira. Claro, eu preciso pagar minhas contas, mas o mais importante, preciso pagar as contas do meu pai. Isso tem sugado todo o meu dinheiro extra, mesmo considerando o quanto tenho vendido bem.
Talvez, quando as coisas se acalmarem com a saúde do meu pai, e eu tenha o suficiente para ter certeza de que ele será cuidado a longo prazo, possa afrouxar minha vigilância e admitir ser Lexi Logan. Até então? Eu não posso arriscar.
Há um grande display com o último romance de Amy Aurora na frente da loja. Um funcionário está ocupado reabastecendo a vitrine de exibição. Enquanto as mulheres da fila passam, a maioria pega um livro para ser autografado. Esta parece ser uma ótima maneira para vender muitos livros físicos.
Eu me dirijo para dentro da loja e perambulo por um tempo. Olho através da seção de ficção científica, e há um livro que chama minha atenção. Destruidor. Não é um que eu já tenha lido antes, e a capa é ótima. Eu não trabalho no meu projeto de ficção científica há anos, estou muito envolvido em escrever como Lexi – mas ler um bom livro de ficção científica parece uma boa mudança de ritmo. Eu tenho lido e escrito muito romance, preciso de um tempo.
Enfio o livro debaixo do braço e caminho de volta em direção à fila para o autógrafo do livro. Há portas duplas abertas para uma sala separada onde Amy está autografando. Eu me inclino um pouco para poder ver o interior. Ela está sentada em uma mesa dobrável com pilhas de livros em ambos os lados. Ela sorri e acena para o leitor na sua frente. O leitor passalhe um livro e ela assina-o com um floreio, depois devolve-o e a próxima pessoa na fila avança.
Quando me viro para pagar meu livro, esbarro em alguém. Livros se espalham pelo chão e eu m*l consigo pegar o copo de café dela antes que caia.
Eu me agacho para ajudá-la a pegar seus livros.
— Eu sinto muitíssimo.
Ela se ajoelha na minha frente, seu longo cabelo escuro cobrindo seu rosto, e murmura algo que não consigo entender.
— Deixe-me pegar isso. — Eu pego seus livros, que são quatro, e os seguro para ela.
Seu rosto se ergue e sou repentinamente atingido por um par de enormes olhos azuis, óculos de aros escuros que estão muito abaixo do seu nariz, e lábios cheios que se abriram em surpresa. Assim que estou me recuperando, sinto o cheiro dela e isso faz minha cabeça girar. Visões de beijar essa mulher inundam meu cérebro, obscurecendo cada pensamento racional. Volto à realidade e percebo que estou olhando para ela como um lunático.
Nós dois estamos de pé, nossos olhos presos um no outro, como se estivéssemos magnetizados. Sua boca se move, como se ela fosse dizer alguma coisa, mas ela olha para os livros que estou segurando em sua direção e os pega.
— Obrigada.
Eu ainda tenho o café dela na minha outra mão, e meu próprio livro debaixo do meu braço.
— Sinto muito por isso. Eu acho que está lotado aqui.
— Sim — diz ela. — Quero dizer… você não precisa se desculpar. Quero dizer... está tudo bem.
Eu seguro seu café e ela tenta colocar seus livros debaixo de um braço, mas eles quase caem novamente. Ela revira os olhos e murmura alguma coisa enquanto finalmente equilibra os livros, para que possa pegar seu café.
— Obrigada — diz ela. — Desculpa.
— Hey, fui eu quem esbarrou em você. Nenhum pedido de desculpas é necessário. — A fila se agrupa atrás de mim, então eu levemente toco a mulher no braço e guio-nos mais profundamente na loja. — Você está aqui para o autógrafo?
— Sim, eu estou. Ou estava. Quero dizer, já autografei. — Ela fecha os olhos por um segundo e solta um suspiro. — Você está aqui para o autógrafo?
Eu olho de volta para a longa fila de mulheres.
— Ah, não. Apenas pegando algo novo para ler.
— Não, eu não achei que você estaria aqui para conseguir um livro autografado — diz ela. — Embora eu ache que você poderia estar, alguns de seus leitores são homens. Talvez alguns gays leiam romances. Não quero dizer que você seja gay. Se você é, tudo bem, mas não é por isso que eu disse isso. — Ela levanta a mão como se estivesse cobrindo o rosto, mas está segurando um copo de café. Ela olha para ele como se apenas se lembrasse que estava lá agora. — Deus, por que eu... O que eu quis dizer foi, você está aqui com alguém que veio para o autógrafo?
Eu sorrio para ela. Acho que ela está tentando descobrir se estou aqui com uma mulher.
— Não, estou aqui sozinho.
— Eu também — diz ela.
Fico feliz em ouvi-la dizer isso. Estendo minha mão.
— Alex Lawson.
Ela olha para os livros que está segurando debaixo do braço e o café na outra mão. Leva alguns segundos para descobrir como soltar uma mão para que possa apertar a minha, e fico aqui com a mão estendida por tempo suficiente para começar a me sentir um pouco desajeitado.
— Desculpe — diz ela, finalmente pegando minha mão. — Eu sou Mia. Mia Sullivan.
Sua mão é delicada e macia na minha e eu a aperto suavemente antes de soltar.
— Prazer em conhecê-la, Mia.
— O prazer é todo meu — diz ela.
Ela encontra meus olhos novamente, e tenho essas visões de beijá-la. Que p***a é essa? Sim, ela é atraente, mas eu geralmente não tenho devaneios incontroláveis sobre mulheres que acabei de conhecer.
Ok, ela não é apenas atraente. Ela é linda. Não de uma maneira tradicional, mas talvez seja por isso que não consigo parar de encará-la. Ela está vestida com uma camiseta azul escura com um trocadilho, N’amastay in Bed, que quer dizer vamos permanecer na cama, um cachecol que se parece com papel de jornal e uma calça jeans com buracos nos joelhos. Seu cabelo é cheio e um pouco bagunçado, e seus olhos são lindos. Ela empurra os óculos mais para cima em seu nariz e não posso evitar o pequeno sorriso que contorce meus lábios.
Nem me faça começar a falar de como ela cheira. Eu me inclino em sua direção, apenas um leve movimento dos meus pés para me aproximar, e sinto seu cheiro novamente. Ela não tem cheiro artificial, como se estivesse usando muito perfume. É fresco e natural. Como uma brisa morna na primavera.
Merda, eu estou olhando para ela por muito tempo. Seus olhos estão arregalados, como se ela estivesse com medo de eu arrastá-la para o meu carro e jogá-la no porta-malas.
— Desculpe — ela diz novamente, como se eu não fosse o único sendo assustador. — Estou indo.
— Espere — digo quando ela se vira, mas paro porque não tenho certeza do que estava prestes a dizer em seguida. Tudo o que sei é que não quero que ela se afaste de mim. Algo que minha amiga LV me disse uma vez passou pela minha cabeça. Se pagar uma bebida no bar é considerado flerte, porque comprar um livro na livraria não é?
Mia olha para mim com as sobrancelhas levantadas.
— Sim?
— Posso comprar seus livros para você?
Sua boca se abre e seus olhos se arregalam, como se eu dissesse algo chocante. Ela olha para os livros debaixo do braço.
— Ah, claro. Eu acho. Quero dizer, sim, isso é... — Ela faz uma pausa novamente, fechando os olhos por um segundo e respirando fundo. — Obrigada, isso é muito amável.
Eu sorrio de novo e estendo minha mão. Ela desloca os livros de novo, quase derrubando-os, e minha mão se lança para pegá-los antes que caiam.
— Peguei — digo com outra risada.
Nós ficamos juntos na fila, Mia trocando de pé. Eu a observo pelo canto do olho, tentando manter o sorriso afastado do meu rosto. Não sei por que ela está tão nervosa, mas é muito cativante. Nós chegamos ao caixa e dou meu livro primeiro.
— Este aqui, por favor — digo para a garota atrás do balcão. Eu coloco os livros de Mia ao lado dos meus. — E estes para a senhorita.
— Claro. — O caixa finaliza a minha compra, ensaca os livros separadamente, e passa as duas sacolas para mim. — Tenha um ótimo dia.
— Obrigado, você também. — Eu entrego à Mia sua sacola e saímos do caminho para que o próximo cliente possa pagar. — Aqui está, Mia. Espero que você goste deles.
— Obrigada. Isso é realmente... bem, é muito fofo.
Eu levemente toco em seu braço novamente para nos guiar ao redor da fila – que não diminuiu em nada – enquanto nos dirigimos para a porta da frente. Nós passamos pela fila e saímos para a calçada do lado de fora.
— Então, obrigada novamente. — Ela hesita, seus olhos em todos os lugares, menos em mim.
Eu definitivamente estou no banco do motorista aqui, então se eu quiser que algo mais aconteça, vou ter que correr disso. Mas, tudo bem. Prefiro dessa maneira.
— Notei que seu café está frio. Gostaria de ir pegar outro?
Ela finalmente encontra meus olhos novamente.
— Mesmo?
Eu rio. Esta menina é outra coisa.
— Não, estou brincando com você. Sou um mestre do m*l e convidá-la para um café faz parte do meu plano diabólico.
Ela curva a boca com um pequeno sorriso.
— Ah, eu entendo. Você é esse tipo de cara.
— Que tipo?
— O tipo que compra livros para uma mulher em uma livraria e a deixa com esperanças, e depois as despedaça na calçada do lado de fora com falsas promessas de bebidas quentes com cafeína.
— Você me pegou — eu digo. — Mas talvez hoje seja o dia em que serei corrigido. Além disso, com café não se brinca.
— Isso não é questão para brincadeira.
Sorrio para ela novamente.
— Então, nós dois concordamos. Vem, eu pago.
Ela sorri, e parte da tensão parece deixar seu corpo. Meu celular me notifica de uma mensagem de texto. É provavelmente Kendra, mas ela vai ter que esperar pelo meu relatório sobre o evento de autógrafos. Pela primeira vez em muito tempo, estou muito mais interessado na mulher que caminha ao meu lado do que em qualquer coisa relacionada a livros ou escrita.