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A garota na estrada
James
Mais um dia como outro qualquer de trampo em Manhattan longe da ilha e da minha oficina. Era incrível como Jean conseguia ser tão sufocante ao ponto de preferir ficar quilômetros de distância para ter um pouco de paz. Pergunto-me o porquê ela insiste comigo quando pode ter o homem que quiser e do mesmo status social. Estou na estrada a caminho de New Island. Uma pequena ilha esquecida perto de Nova Iorque, minha casa. Uma das razões de estar a trabalhar longe é justamente que a minha oficina está sem trabalho a dias, não gosto de pensar que o pai de Jean tenha alguma responsabilidade por isso, afinal, a minha oficina de carros não é a única da ilha, mas é a que tem o preço mais barato com um serviço de qualidade.
Está escuro e frio, o típico frio da estrada. A lua está cheia e ilumina a estrada, estou levando as novas ferramentas para minha oficina, mesmo fazendo os trabalhos na cidade, sempre estou a renovar tudo, é o mínimo que posso fazer para que quando volte a ter um cliente, que ele tenha o melhor para ser atendido. É então que vejo na beira da estrada uma mulher, está com camisola de hospital e manquejando, as mãos em volta de sua barriga, indo em sentido contrário ao meu, penso em passar direto lembrando que já tenho problemas demais na minha vida para arrumar mais um, contudo, que tipo de pessoa seria se deixasse alguém que precisa de ajuda sozinha na meio da estrada? Um tipo pior que o meu ex-sogro que acha que pode controlar a vida de todas as pessoas da ilha, onde ele é dono de quase tudo. Dou meia volta, paro o carro e saio correndo, a alcançando em segundos.
"Ei,MOÇA." Grito.
Ela não para e continua a andar como se a sua vida dependesse disso.
"Moça?" Falo alcançando o seu braço."Para, você está bem? Precisa de ajuda? O que fez sozinha na estrada?" A moça parou ao sentir o toque das minhas mãos calejadas na sua pele.
Ela é baixa, gorda… pele alva e cabelos cacheados. Há sangue na sua camisola e quando a viro para mim, deparo-me com a sua roupa suja e o seu belo rosto tem sangue seco, há um corte considerável na sua testa. A mulher está descalça, o seu olhar é distante e vazio.
" o meu nome é James e o seu?" apresentei-me para saber que não estou aqui com más intenções.
Ela tem o olhar confuso e não responde.
"É melhor levar você para um hospital." Aquilo era a única opção tendo em vista que o seu estado é deplorável. Mesmo assim, a mulher permanece sem reação alguma, a pego pela mão, notei uma pulseira no seu pulso.
''Madeline P.''
"Esse é seu nome?" Perguntei com um fio de esperança de que não fosse uma indigente.
Mais uma vez ela não respondeu.
A guiei até o carro e a levei para o único que tenho certeza que será acolhida sem que seja feita muitas perguntas, para New Island e que está mais perto que Nova Iorque.
"Não se preocupe" garanti-lhe "vou cuidar de você…"
Já era tarde da noite quando entrei com Madeline no hospital da ilha, Cameron era o médico do lugar, na verdade, o único médico que trabalhava de fato em tempo integral na ilha, havia outros, mas que vinham sempre pela manhã e iam embora antes do pôr do sol, o meu amigo estava na luta para conseguir mais dois médicos fixos e em tempo integral na ilha. Liguei para ele quando passei pela ponte e disse ser uma emergência, o homem garantiu que já estaria a minha espera quando chegasse ao hospital e assim, ele cumpriu, uma pequena equipe já estava à nossa espera, mas quando Madeline viu aquelas pessoas vindo para cima de nós, ela desesperou-se. Os seus braços fortes atracaram-se no meu e eu fiz sinal para que não se aproximasse.
Havíamos parado devido ao seu medo de que os enfermeiros se aproximasse, ela estava de cabeça baixa, ainda em choque e provavelmente por tudo o que passou antes que eu a encontrasse. "Maddie? Posso-te chamar assim?" Pedi autorização e ela assentiu com um leve balançar de cabeça.
"Ótimo! Fico grato por escolher confiar em mim e ficarei mais grato que confie mais um pouco. Essas pessoas não querem fazer-te m*l e sim, ajudar-te. Assim como eu, se não fossem de confiança não teria trago você aqui. Pode deixar eles cuidarem de você? Por mim?" Soei o mais calmo que pude e ela olhou-me pela primeira vez, o meu choque quando os nossos olhos encontraram-se fez o meu coração bater acelerado, como se tivesse acabado de correr uma maratona e agora ele estava agitado.
Ela assentiu mais uma vez, como se dissesse "Confio em você."
Assim, Madeline permitiu que a equipe do pequeno hospital a levasse para dentro e fizessem tudo o que podiam para ajudá-la.
Maddie
Eu tenho plena e total consciência de que ter sobrevivido foi um milagre. Mas o fato de estar viva, custou um preço muito alto. Um preço que faz temer falar quem sou, assim como temo que a criança que está no meu ventre não esteja bem. Tenho medo de James levar-me de volta para a loucura que é a minha vida. Por isso não posso falar quem sou, não depois dessa noite onde perdi muito, não posso reviver todo aquele pesadelo de novo, não posso voltar e ficar segura sem Carter para proteger o meu filho e eu.
Cameron entrou no quarto com James no seu encalço. Eles se entreolham. Provavelmente porque as perguntas vão começar e nesse momento, tudo o que quero é um pouco de paz e não reviver aquele pesadelo.
"Olá, Madeline?" O médico cumprimenta, mas não respondo, no momento o silêncio é o meu maior aliado.
"Esse é seu nome não é?" Ele continua a insistir e eu permaneço calada. James está com olhar atento sobre mim, com toda a certeza buscando alguma reação. Logo comigo, depois de tudo o que venho a passar nos últimos anos, aprendi a lidar com os olhares perscrutadores sobre mim e isso deixou de incomodar-me depois de um tempo.
"Você sabe o seu nome?" O médico perguntou e engolindo a vontade de responder "Claro que sei, i****a", mantenho a postura de garota assustada, pois acabei de tomar a decisão que vai mudar a minha vida, mas essa decisão foi tomada não só pensando em mim, mas na criança que tenho que proteger no meu ventre.
"Não!" Respondo num sussurro.
"Lembra algo sobre você ou sobre como foi parar naquela estrada?" Cameron continuou os questionamentos.
Balancei a cabeça, negando.
" Você sabe que está grávida?" Aquela pergunta era boa, então aproveitei para colocar em prática as aulas de teatro que fiz na infância. O olhei assustada ao responder:
"Não."
Cameron olhou preocupado para o meu salvador e se eu não estivesse toda fodida poderia dizer que ele é um verdadeiro pedaço de m*l caminho.
"Tenho duas hipóteses" ele começou a dizer" a primeira é que o baque na cabeça causou uma amnésia, não sei o tipo agora, mas precisaremos de tempo para definir, a segunda é que passou por um trauma tão grande que o cérebro bloqueou a sua memória.
"E qual é a sua aposta?" James perguntou preocupado, que fofo.
"Amnésia, causada pelo baque na cabeça, a questão agora é o que fazer com uma mulher desmemoriada, sem identidade, sem nada e grávida?" Cameron perguntou ao amigo, deixando claro no seu tom que sou um problema, um grande problema, na verdade.
James olhou-me e sorriu.
"Bom, no momento a única opção é cuidar dela e do bebê, posso fazer isso sem problema nenhum…"