A madrugada descia preguiçosa sobre o morro, tingindo o céu de tons azulados, e o vento trazia um cheiro de terra molhada que precedia a chuva. Cecília acordou com um trovão distante, o peito apertado por uma angústia que não sabia explicar. Ao seu lado, Danilo dormia profundamente, o braço envolto na cintura dela, como se aquele gesto fosse a única forma que conhecia de mantê-la perto. Ela o observou por longos minutos, tentando decifrar aquele homem tão fechado, tão duro com o mundo, mas tão intenso com ela. Nos olhos dele havia guerra, mas nos toques, um tipo raro de cuidado. Cecília se perdeu em pensamentos até que ele se mexeu, os olhos se abrindo devagar. — Acordada, princesa? — Tive um pressentimento r**m — sussurrou, deitando o rosto no peito dele. Danilo passou os dedos pelos

