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1233 Palavras
Cecília Não preguei o olho a noite toda. Fiquei pensando na minha mãe, fiquei pensando na proposta do Sombra e fiquei pensando em outra forma de conseguir esse dinheiro. Mas não tinha outra forma. Eu não conheço ninguém que seja milionário e ninguém que seja rico o suficiente pra me dar essa grana ou pra eu pagar parcelado. E se eu pedir empréstimo no banco, ele vai rir da minha cara, perguntando se eu tô ficando maluca. Respirei fundo, mandei uma mensagem pra minha gerente falando que eu não ia conseguir trabalhar porque eu tava me sentindo muito m*l. Ela reclamou pra c*****o, mas eu não dei confiança, porque eu tinha um problema maior pra resolver. Subi pra boca e falei pro vapor que eu precisava conversar com o Sombra. Ele mandou eu esperar do lado de fora e eu fiquei esperando durante alguns minutos, até que finalmente me deixaram entrar. Quando eu tava chegando na porta, duas putas saíram de dentro da sala dele. Elas me olharam de cima a baixo e eu olhei pra elas com cara de nojo. Pamela: Eu sei que eu sou bonita, gata, mas não precisa ficar me analisando, não. Eu não gosto da fruta. Cecília: Hahaha, e eu não gosto de p**a. Mesmo se eu fosse sapatão, eu não te comeria nem com o dedo, porque ele ia ficar podre. Pamela: Escuta aqui, sua vagabunda. Olha bem como você fala comigo. Eu sou a preferida dos chefe e, se eu mandar, ele vai raspar o seu cabelo. Juliana: Amiga, deixa essa p*****a pra lá. Ela tá se achando só porque ele chamou ela aqui, mas ele sempre vai me preferir e te preferir. Ela só tá aqui porque a mãe dela é uma cracuda safada que deu um golpe no dono do morro. Hahaha. Quando ela falou da minha mãe, eu avancei nela. Eu sei que não deveria, mas eu avancei. Joguei ela no chão, subi em cima e dei um soco na cara. Quando eu ia dar outro, a amiga dela me puxou pelo cabelo. Quando ela veio pra cima de mim, eu dei uma pesada na barriga dela e me levantei. Depois, voltei pra cima da Juliana, que também veio pra cima de mim. Nós rolamos na porrada. Os vapores começaram a gritar: “Briga! Vão pagar peitinho!”, e foi aí que o Sombra saiu. Ele deu um tiro pro alto, os vapores olharam assustados, separaram a briga na hora, e ele me encarou sério. A Juliana foi correndo na direção dele, como a boa p**a que ela é. Juliana: Amor, eu tava saindo daqui de dentro e ela começou a me perturbar. Acredita que ela me chamou de p**a e ainda me olhou com cara de deboche? Cecília: Eu falei alguma mentira? Você realmente é uma p**a. Uma marmita de merda que transa por qualquer cinquenta reais. Ah, desculpa, você é a valorizada, tem que ser cento e cinquenta, né? Você falou da minha mãe e tomou o seu. E se falar de novo, eu vou dar de novo na tua cara de p**a safada. A tua cara vai ficar mais feia do que já é. — Falei, voltando pra cima dela, mas ele me pegou pelo braço e me jogou dentro da sala. Eu escutei ele gritar com elas. Sombra: Saiam da minha frente agora, senão eu vou raspar o cabelo das duas. Juliana: Mas, amor, foi ela que começou! Sombra: Eu já falei que não quero briga no meu morro, c*****o! Juliana, às vezes tu dá uma de maluca legal pra cima de mim, né? Mas eu não tô nem um pouco afim de ficar me estressando contigo hoje. Tô de saco cheio da tua cara. Juliana: Qual foi, Sombra? Agora você vai ficar brigando comigo por causa daquela vagabunda? Ela não tem nada de especial que eu não tenha. Eu sou a sua favorita e eu quero que você me defenda pelo menos uma vez na sua vida! Agora ela vai chegar aqui, vai me esculachar, e você quer que eu fique quieta? É isso que eu tô ouvindo? Sombra: Mano, se adianta. Eu tô perdendo a paciência contigo. Só quero ficar na paz do Senhor, papo reto. Tô cheio de bagulho pra fazer hoje. Final de semana tem baile, tem pagode amanhã, e eu quero ficar na paz de Deus. Então, não começa a me tontear. Tu já fez tudo que veio fazer aqui, não fez? Agora vaza. Coloquei a cara na porta e ela saiu com os braços cruzados. Eu queria sorrir de deboche, mas, quando ele virou, eu voltei pro local onde eu tava, perto do sofá, mas fiquei em pé. Ele entrou e me encarou com os braços cruzados, com cara de bolado, e falou: Sombra: Precisava dessa p***a de show? Tu tá achando que tá onde, c*****o? Na Disney? Da próxima vez que tu arrumar confusão na boca, eu vou te deixar careca, tá ouvindo? Tá pensando que a vida é um morango, filha da p**a? A tua mãe já ficou a noite toda tonteando os vapores, gritando, tendo crise de abstinência, e agora tu vem de manhã surtar também? Cecília: Foi a sua p**a que começou. Ela me olhou com cara de deboche, eu olhei com cara de nojo. Ela podia ter passado suave, mas jogou piadinha pra mim. E eu não vou ficar aturando piadinha de p*****a. Eu sou trabalhadora pra c*****o, entendeu? Eu acho bom você colocar a língua dela dentro da boca, porque eu posso até ficar careca, mas eu quebro a cara dela. Hoje foi só aperitivo. Ele respirou fundo, passou a mão no rosto e olhou de cima a baixo. Parou nos meus s***s, desceu o olhar e depois voltou pros meus olhos. Sombra: Pelo visto, você já tem uma resposta pra me dar, né? Então passa logo a tua visão. Qual foi? Vai aceitar ou não? Cecília: Eu aceito a sua proposta. Até porque eu não tenho escolha e não tenho como arrumar vinte mil. Mas eu quero te falar uma coisa antes da gente t*****r. Sombra: Fala. Cecília: Eu sou virgem. Com toda a confusão que aconteceu na minha vida, com a minha mãe cracuda, eu nunca tive tempo de t*****r com ninguém. Eu só tô te falando isso porque eu não sei como vai ser. É claro que eu sei como se faz sexo, eu só não tava preparada pra perder a minha virgindade em troca de uma dívida. Ele ficou analisando minhas palavras durante alguns segundos. E eu tava orando pra Deus tocar no coração desse homem e pra ele falar “não, não vou te comer porque tu é virgem”. Mas, ao invés disso, ele falou: Sombra: Mais tarde eu vou mandar um vapor te buscar. E agora eu vou mandar dar o p*u na tua mãe. Depois eu vou mandar ela pro postinho. Pode ter certeza que ela vai ficar suave depois das madeiradas que ela vai tomar. Eu espero que ela ande na linha depois disso, Cecília. Porque, se não, ela vai morrer. Cecília: Pode ter certeza que ela vai andar. Agora eu vou embora porque tô com dor de cabeça. Sombra: Fica ligada, porque o vapor vem na tua direção umas 20 horas. Cecília: Tá bom. Eu vou ficar aguardando por ele. Seja o que Deus quiser, né... — falei, saindo com os olhos cheios de lágrimas.
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