Capítulo 3

1274 Palavras
Erika Ramalho O susto foi grande, porém meus olhos estavam perdidos na beleza que se fixaram. A mão livre levei a barra da calça, dando falta da arma e me amaldiçoando por ter deixado no porta luvas do carro. O homem à frente deslizava os olhos em mim, por completo. Parecia ter passado minutos, mas foram apenas segundos até ele pegar em minha mão e por instinto eu a afastar rapidamente. —Me desculpa, te machuquei? — ele pergunta com a voz grave que me atravessava. — O que você pensa que está fazendo?! — franzo o cenho. — Colocaram droga na sua bebida, mas não consegui ver quem foi o filho da p**a! — ele olha ao redor por tempo suficiente até voltar a atenção pra mim — desculpa, não foi a intenção te machucar e nem te assustar. — Tudo bem, eu só, me assustei… obrigada — suspiro por fim limpando o sal da mão. Ele estende a mão, e eu a aperto, dessa vez não com a delicadeza de mais cedo com o boy da minha amiga, estava sozinha e não queria parecer tão indefesa. — Me chamo Kevin. — Eu sou E- Aline… — quase engasgo, e quase revelo demais — é um prazer… Meus olhos seguem seu movimento quando ele pega mais um copo, dessa vez parecia uma outra bebida, ele me entrega. A observo com atenção. — Não tá batizada, bebê… Bebo o líquido que desce queimando a garganta. — Obrigada, grandão — ele realmente é! Alto e… forte. Ele ri. Kevin Monteiro Não tava entendendo os motivos, mas depois de salvar aquela mina de uma enrascada daquelas e oferecer uma bebida longe de problemas continuei a olhando de longe. Na real que nem devia estar nessa festa… Mas era aqui que eu conseguiria algumas informações importantes. Pessoas bebadas costumam soltar a língua com mais facilidade. A preta era uma perdição por completo. os cabelos negros soltos com apenas uma trancinha na lateral, batendo no quadril e envolvendo o corpo dela enquanto dançava. Estava vestida um tanto diferente que as outras garotas, na maioria buscam olhares masculinos com o que vestem, a preta parecia não querer isso. Vestia uma calça preta, uma sandália sem salto, e uma regata preta sem decote, não revelava muito, o que me fazia imaginar como seria nua… — Don? — Não me chama assim, p***a! Basicamente rosno para meu 02, o MM. — Qual é, ninguém aqui vai escutar isso. Se liga — ele mostra uma foto na tela de seu celular, e aquilo me prende um pouco, o que me faz perder de vista a preta gostosa, que perigosamente estava sozinha nessa festa. — O Mulan já está resolvendo lá no morro, se pá não vai dar tanta dor de cabeça assim, mas ainda vamos ter que resolver essa treta com o padre da comundade. Olho ao redor e suspiro querendo acabar a conversa o mais rápido para ir atrás da garota. — Cuide do padre — dou uma piscadela, MM sabia o que significava. — Pá hora, chefe! Dou uns tapinhas no ombro dele e me afasto passando os olhos por cada canto dessa maldita festa. Sentia o peito apertar por não ver ela em lugar algum, então decidi ir lá fora. e lá estava ela, um o****o a puxando pelo braço, o que não era nada bom. Puxo um cigarro e o acendo, jogo a fumaça pelo ar e me aproximo quando o cara tenta beijar ela. —Solta ela — digo com calma, não podia arrumar confusão, não aqui… No meu morro era porrada na certa, no cara é claro. — Ela tá comigo, brother “Brother… Tinha que ser um playboyzinho desgraçado” — O que? Eu não te conheço! Já disse para me soltar! — Solta ela, vai… A garota já disse que não, tá surdo? — cruzo os braços na altura do peito, me segurando pra resolver no diálogo. — Brother, se me ajudar a colocar ela no carro, nós dois nos damos bem, que tal?! Isso foi o suficiente para meu sangue ferver. Tudo bem ser 01 da Penha, mas tem coisas que não se faz com mulheres, crianças e idosos, e essa disciplina eu tenho desde garoto. Estalo o pescoço e dou um retão na cara do muleque que sem muito equilíbrio cai no chão, seguro a garota pela cintura e a puxo pra mim para que não caisse junto. — Ela disse que não, p***a! — me ajoelho perto dele e apago o cigarro em sua testa o que o fez gritar — Pense duas vezes antes de repetir isso com outra. Vamos, preta, vou te tirar da- Corto minha frase quando ela basicamente desacorda nos meus braços, e daí ligo um fato a outro. A pressa do garoto para a levar pra longe, possivelmente conseguiu drogar a mina. Suspiro profundamente, queria pegar a taurus na cintura e encher a cara dele de tiro… Mas isso causaria muitos problemas. Pego a menina em meus braços como se fosse uma noiva. — O que eu faço contigo, hein preta? Não deve nem conseguir dizer onde mora… Caminho com ela em meus braços, abro a porta do possante e a coloco no banco do carona, dou a volta e entro ligando o carro, assim partindo pra minha base. Já em casa, com todo o cuidado e fazendo o possível para não ser desrespeitoso, tiro a camisa, e a calça dela, a deixando apenas com a calcinha e sutiã brancos. Minha garganta queima, os instintos gritando alto, mas não me colocaria no nível daquele o****o. A deito na cama e puxo um lençol para que ela não se sentisse m*l quando acordasse. Me levanto e a observo, quando viro as costas para sair dali para não dar merda sinto uma mão quase se fechar em meu pulso, a olho, estava sentada e com um olhar perdido. — Aí, se liga, um cara quase te levou, pra sabe lá onde! Não fiz nada com você, bebê. Nem vou fazer. Agora deita e descansa, quando amanhecer nós conversa e eu te levo pra casa. Tento afastar o braço, precisava afastar o braço e sair dali, ainda mais com ela me olhando inocente daquele jeito. Já já estaria de p*u duro se ficasse mais tempo aqui. — Obrigado, e desculpa te incomodar assim. — Tá tá! Deita, bebê. Descansa! — Espera, eu… Estou com a garganta queimando, acho que estou com sede. Reviro os olhos e quase bufo, não por ter que ir pegar água, mas porque teria que ficar mais tempo perto dela. E isso não era nada bom. — Beleza, eu pego. Desço as escadas para a cozinha, minha casa era um orgulho pra qualquer 01. Era confortável, tinha lá seus luxos. Três andares, sendo o terceiro um local pra festa, e reunião né segredo. Pego a água e um dipirona caso sinta dor de cabeça, subo as escadas e ao entrar no quarto a vejo sentada abraçando as pernas, sem o lençol a cobrindo. A luz do quarto fazia a pele dela reluzir, e meio que me chamar, né… — Aqui — digo apressado entregando a água e o remédio. Ela parecia querer me punir por algo, pois tomava tudo com calma, me deixando quente dos pés a cabeça. — Obrigado — diz com a voz manhosa e suave. p**a que pariu! — Agora descansa! Com toda a pressa possível saio do quarto, precisava de ar, e um banho gelado, e com certeza uma punheta daquelas! Ou sabe se lá o que seria dela quando amanhecesse! Ai ai… O que será de nós dois quando amanhecer?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR