Erika Ramalho
O susto foi grande, porém meus olhos estavam perdidos na beleza que se fixaram. A mão livre levei a barra da calça, dando falta da arma e me amaldiçoando por ter deixado no porta luvas do carro. O homem à frente deslizava os olhos em mim, por completo. Parecia ter passado minutos, mas foram apenas segundos até ele pegar em minha mão e por instinto eu a afastar rapidamente.
—Me desculpa, te machuquei? — ele pergunta com a voz grave que me atravessava.
— O que você pensa que está fazendo?! — franzo o cenho.
— Colocaram droga na sua bebida, mas não consegui ver quem foi o filho da p**a! — ele olha ao redor por tempo suficiente até voltar a atenção pra mim — desculpa, não foi a intenção te machucar e nem te assustar.
— Tudo bem, eu só, me assustei… obrigada — suspiro por fim limpando o sal da mão.
Ele estende a mão, e eu a aperto, dessa vez não com a delicadeza de mais cedo com o boy da minha amiga, estava sozinha e não queria parecer tão indefesa.
— Me chamo Kevin.
— Eu sou E- Aline… — quase engasgo, e quase revelo demais — é um prazer…
Meus olhos seguem seu movimento quando ele pega mais um copo, dessa vez parecia uma outra bebida, ele me entrega. A observo com atenção.
— Não tá batizada, bebê…
Bebo o líquido que desce queimando a garganta.
— Obrigada, grandão — ele realmente é! Alto e… forte. Ele ri.
Kevin Monteiro
Não tava entendendo os motivos, mas depois de salvar aquela mina de uma enrascada daquelas e oferecer uma bebida longe de problemas continuei a olhando de longe. Na real que nem devia estar nessa festa… Mas era aqui que eu conseguiria algumas informações importantes. Pessoas bebadas costumam soltar a língua com mais facilidade.
A preta era uma perdição por completo. os cabelos negros soltos com apenas uma trancinha na lateral, batendo no quadril e envolvendo o corpo dela enquanto dançava. Estava vestida um tanto diferente que as outras garotas, na maioria buscam olhares masculinos com o que vestem, a preta parecia não querer isso. Vestia uma calça preta, uma sandália sem salto, e uma regata preta sem decote, não revelava muito, o que me fazia imaginar como seria nua…
— Don?
— Não me chama assim, p***a!
Basicamente rosno para meu 02, o MM.
— Qual é, ninguém aqui vai escutar isso. Se liga — ele mostra uma foto na tela de seu celular, e aquilo me prende um pouco, o que me faz perder de vista a preta gostosa, que perigosamente estava sozinha nessa festa. — O Mulan já está resolvendo lá no morro, se pá não vai dar tanta dor de cabeça assim, mas ainda vamos ter que resolver essa treta com o padre da comundade.
Olho ao redor e suspiro querendo acabar a conversa o mais rápido para ir atrás da garota.
— Cuide do padre — dou uma piscadela, MM sabia o que significava.
— Pá hora, chefe!
Dou uns tapinhas no ombro dele e me afasto passando os olhos por cada canto dessa maldita festa. Sentia o peito apertar por não ver ela em lugar algum, então decidi ir lá fora.
e lá estava ela, um o****o a puxando pelo braço, o que não era nada bom. Puxo um cigarro e o acendo, jogo a fumaça pelo ar e me aproximo quando o cara tenta beijar ela.
—Solta ela — digo com calma, não podia arrumar confusão, não aqui… No meu morro era porrada na certa, no cara é claro.
— Ela tá comigo, brother
“Brother… Tinha que ser um playboyzinho desgraçado”
— O que? Eu não te conheço! Já disse para me soltar!
— Solta ela, vai… A garota já disse que não, tá surdo? — cruzo os braços na altura do peito, me segurando pra resolver no diálogo.
— Brother, se me ajudar a colocar ela no carro, nós dois nos damos bem, que tal?!
Isso foi o suficiente para meu sangue ferver. Tudo bem ser 01 da Penha, mas tem coisas que não se faz com mulheres, crianças e idosos, e essa disciplina eu tenho desde garoto.
Estalo o pescoço e dou um retão na cara do muleque que sem muito equilíbrio cai no chão, seguro a garota pela cintura e a puxo pra mim para que não caisse junto.
— Ela disse que não, p***a! — me ajoelho perto dele e apago o cigarro em sua testa o que o fez gritar — Pense duas vezes antes de repetir isso com outra. Vamos, preta, vou te tirar da-
Corto minha frase quando ela basicamente desacorda nos meus braços, e daí ligo um fato a outro. A pressa do garoto para a levar pra longe, possivelmente conseguiu drogar a mina. Suspiro profundamente, queria pegar a taurus na cintura e encher a cara dele de tiro… Mas isso causaria muitos problemas. Pego a menina em meus braços como se fosse uma noiva.
— O que eu faço contigo, hein preta? Não deve nem conseguir dizer onde mora…
Caminho com ela em meus braços, abro a porta do possante e a coloco no banco do carona, dou a volta e entro ligando o carro, assim partindo pra minha base.
Já em casa, com todo o cuidado e fazendo o possível para não ser desrespeitoso, tiro a camisa, e a calça dela, a deixando apenas com a calcinha e sutiã brancos. Minha garganta queima, os instintos gritando alto, mas não me colocaria no nível daquele o****o. A deito na cama e puxo um lençol para que ela não se sentisse m*l quando acordasse. Me levanto e a observo, quando viro as costas para sair dali para não dar merda sinto uma mão quase se fechar em meu pulso, a olho, estava sentada e com um olhar perdido.
— Aí, se liga, um cara quase te levou, pra sabe lá onde! Não fiz nada com você, bebê. Nem vou fazer. Agora deita e descansa, quando amanhecer nós conversa e eu te levo pra casa.
Tento afastar o braço, precisava afastar o braço e sair dali, ainda mais com ela me olhando inocente daquele jeito. Já já estaria de p*u duro se ficasse mais tempo aqui.
— Obrigado, e desculpa te incomodar assim.
— Tá tá! Deita, bebê. Descansa!
— Espera, eu… Estou com a garganta queimando, acho que estou com sede.
Reviro os olhos e quase bufo, não por ter que ir pegar água, mas porque teria que ficar mais tempo perto dela. E isso não era nada bom.
— Beleza, eu pego.
Desço as escadas para a cozinha, minha casa era um orgulho pra qualquer 01. Era confortável, tinha lá seus luxos. Três andares, sendo o terceiro um local pra festa, e reunião né segredo. Pego a água e um dipirona caso sinta dor de cabeça, subo as escadas e ao entrar no quarto a vejo sentada abraçando as pernas, sem o lençol a cobrindo. A luz do quarto fazia a pele dela reluzir, e meio que me chamar, né…
— Aqui — digo apressado entregando a água e o remédio. Ela parecia querer me punir por algo, pois tomava tudo com calma, me deixando quente dos pés a cabeça.
— Obrigado — diz com a voz manhosa e suave. p**a que pariu!
— Agora descansa!
Com toda a pressa possível saio do quarto, precisava de ar, e um banho gelado, e com certeza uma punheta daquelas! Ou sabe se lá o que seria dela quando amanhecesse!
Ai ai…
O que será de nós dois quando amanhecer?