CAP. 5

1855 Palavras
Assim que o sol nasceu e se fez presente entre as janelas do quarto eu me levantei, me aprontei com algumas roupas simples que Aramita e Penélope haviam me dado e sai do quarto. Era claro que eu ficaria perdida ali, mas por sorte acharia o Rei em algum momento. Eu caminhei longos minutos pelo corredor imenso, o único barulho que podia ser ouvido era o dos meus sapatos batendo na madeira enquanto eu andava. - Posso ajudá-la em algo? .- Ouvi a voz de Hunter atrás de mim. Eu abri um sorriso vitorioso antes de me virar para ele. - Eh ... - Gaguejei. - Estava a sua procura, mas ... O palácio é tão grande. Ele abriu um sorriso doce para mim e colocou as duas mãos no meu ombro. - O que deseja? Eu fitei o chão. - Agradecer. - Sussurrei. Eu sabia que quanto mais inocente eu parecesse aos seu olhos, mais interessante eu seria. O Rei apertou um pouco o toque me fazendo arfar. Ele era alto demais e para olhá-lo nos olhos tive que olhar para o alto. Sua presença era intimidadora e imponente, qualquer outra garotinha no meu lugar se lançaria em seus pés. - É um imenso prazer poder ajudá-la de alguma forma. - Devo ir embora. Eu diria retornar para casa mas ... Hãm ... Bom, isso não importa. - Falei torcendo os lábios. Ele tinha que me convidar para ficar, ele tinha que me conceder um lugar ali ou tudo estaria arruinado. Talvez e provavelmente eu tinha me arriscado muito dizendo que ia embora, mas algo dentro de mim tinha certeza que ele não deixaria. - Tem para onde ir? .- Ele perguntou com os olhos preocupados presos em mim. Eu balancei a cabeça em negação com os olhos ainda fixos no chão. - Eu posso me virar. - De maneira alguma a deixaria desamparada. Eu respirei aliviada tentando disfarçar o alívio que crescia dentro de mim. - Eu não quero incomodar. - Falei em um tom manso. O Rei acariciou minha bochecha. - Não irá. Eu senti meu rosto queimar, era Hunter, o Rei de Warkatopia, o motivo do meu ódio, mas era um belo homem, era um homem me tocando e meu corpo reagiu estranho aquilo ... - Então permita-me ser útil para vossa alteza de algum modo. - Respondi. Seus olhos se acenderam como uma chama. - Tenho certeza que será. Permita-me apresentá-la o palácio? - O senhor não deveria estar cuidado de assuntos reais? .- Perguntei confusa. O Rei olhou através da janela, ainda era cedo demais. - Creio que tenhamos pelo menos uma hora até o início dos meus serviços. Aceita o meu convite? .- Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada, um sorriso nos lábios e o braço estendido para mim. Eu enlacei meu braço ao seu com um sorriso tímido nos lábios. Nós caminhamos pelo imenso corredor em silêncio, até que ele abriu uma porta a minha direita. - Aqui é a biblioteca. Pode ficar à vontade para visitá-la quando sentir vontade. Eu assenti antes que ele fechasse a porta e voltasse a caminhar. Logo, o Rei abriu outra porta. - Aqui era a sala favorita da minha vida. - Disse nostálgico. A sala estava repleta de quadros de pinturas, alguns pintados e outros tampados com panos brancos. Eu passeei os dedos por uma pintura esplêndida, era a natureza, um jardim lindo que fora muito bem representado em um majestoso quadro. - Ela os fez? .- Perguntei admirada. Ele assentiu com um sorriso fraco nos lábios. - Nunca deixei que mexessem. - Eu entendo sua dor. - Falei pousando minha mão sobre seu peito. Ele me olhou nos olhos e foi como se pudesse ver minha alma, visto que haviam tantas mentiras em nosso meio decidi dar de ombros. Passei pela porta e voltei ao corredor, segundos depois, o Rei estava atrás de mim. Me guiou até uma imensa escadaria, levamos cerca de cinco longos minutos para chegar ao fim dela. Ele abriu uma última porta, a porta que dava acesso ao jardim. O sol ainda estava fraco demais, então pude sentir o vento frio em contato com a minha pele enquanto o mesmo balançava meu vestido e cabelo. - O seu palácio é verdadeiramente incrível vossa majestade. Ele me olhou de soslaio. - Me chame apenas de Hunter, e eu me dou a liberdade de chamá-la apenas de ... Atena. - Ele arfou. - Nunca conheci alguém com um nome tão diferente e inusitado. Eu sorri para ele antes de voltar minha atenção ao maravilhoso terebinto que fora plantado no meio do jardim. Eu senti o perfume da árvore exalar e entrar em minhas narinas, a sensação era mágica. Era uma das árvores mais belas que eu já tinha visto em toda minha vida, não só por sua aparência robusta, mas também pelo cheiro maravilhoso que ela distribuía em todo o local. - Terebinto. - Hunter falou plantando as mãos na cintura e analisando a árvore. - Uma árvore esplêndida. - De fato alte... Hunter. - Respondi rubra. Ele tocou meu ombro e me encarou. - Desculpe-me pelo modo que sai do quarto ontem, fiquei um tanto quanto atordoado com a sua história. Queria lhe desejar meus sinceros sentimentos. Eu engoli em seco. Maldito seja ... O motivo de toda a minha dor estava me desejando seus sujos sentimentos. - Obrigada. E obrigada também por me conceder um lugar para ficar. - Eu tomei a mão de Hunter. - Prometo que muito em breve irei embora e não lhe incomodarei mais, meu senhor. Abaixei o rosto fitando o chão. Senti Hunter tocar meu queixo e ergueu meu rosto. - Quantas vezes terei que lembra-la de que não é um incômodo? Hunter ergueu a vista para o céu e tomou minhas mãos novamente. - Lamento que minhas obrigações estejam me chamando. Posso levá-la para jantar à noite? .- Perguntou com uma voz rouca. Eu assenti. Isso provavelmente seria muito mais fácil do que eu tinha imaginado. - Será um prazer, meu senhor. - Falei enquanto fazia uma curta mensura a ele. Hunter deu de ombros e saiu do jardim me deixando sozinha com toda aquela beleza. Eu admirei mais um pouco o lugar antes de retornar para dentro do palácio. ~ Me dei a liberdade de pegar um livro qualquer na biblioteca e levá-lo para o quarto. m*l havia lido vinte páginas quando Aramita e Penélope entraram animadas no quarto. - Oh Deus ... Temi que já tivesse partido. - Disse Aramita se aproximando de mim. - O Rei permitiu que eu fique aqui como sua convidada por um tempo. O rosto de Penélope ganhou um tom avermelhado e um brilho surgiu em seus olhos. - Quanta benevolência. Eu bufei e revirei os olhos. - De fato. - Respondi seca. Penélope e Aramita se entreolharam e sentaram-se na beirada da cama. - O Rei a deseja? .- Aramita perguntou em um sussurro me fazendo engasgar com a própria saliva. - Eu ... Eu não sei. - Eu poderia morar em sua cama se ele quisesse. - Ela falou por mim. Penélope continuou imóvel ao nosso lado. - E quanto a você? .- Perguntei curiosa. Ela torceu os lábios. - Eu já diverti o Rei por uma noite. E foi a melhor noite de toda a minha vida. - Respondeu rubra. Meu queixo caiu e minha boca formou um pequeno "o". - Preciso mesmo saber detalhes. - Falei gargalhando. Ela se acomodou um pouco mais na cama e se aproximou mais de nós duas. - O Rei não quer se casar ... Ele sabe que um dia terá que fazê-lo, mas ele abomina a ideia, é um libertino terrível. - Falou com um tom de decepção. - Logo quando o pedi um emprego ele me deu de bom grado, começou a me cercar pelo palácio à vezes... Até que certa noite ele bateu na porta dos meus aposentos. Ele me levou para um quarto, não era o dele, ele nunca leva ninguém no quarto dele. - Você foi obrigada? .- Perguntei assustada. Penélope e Aramita gargalharam. - Querida, um homem daquele precisa obrigar alguém? .- Aramita perguntou risonha. - Eu fui com minhas próprias pernas e fiz tudo o que ele queria de muito bom grado. - Respondeu Penélope em meio a um suspiro. - Você não é ... é? .- Ela me perguntou assustada. A resposta era : sim, sou virgem e estou arriscando nunca ser digna de homem algum por uma vingança que o meu noive julgava loucura e que meu pai provavelmente pensaria o mesmo. - Claro que não. - Menti. - Já conheci vários homens. Creio que não tantos quanto você Penélope. - Falei arrancando uma gargalhada de ambas. E aquele momento foi o mais constrangedor e estranho de toda a minha vida. Penélope começou a falar com detalhes de tudo o que Hunter havia feito com ela. Cada lugar que ele tinha tocado e cada sensação que sentiu em cada momento. - Vejo que foi mesmo uma ótima experiência. Agora, o que acham de darmos uma pausa do assunto que há dentro das calças do Rei? As duas riram de maneira escandalosa antes de concordarem. - Soube que haverá um baile? Será que o Rei que convidará? .- Penélope perguntou curiosa o que evidenciou para mim que talvez ela nutrisse sentimentos por Hunter. - Hãm ... Não tenho certeza. Ele me convidou para jantar essa noite. - Falei observando a expressão de Penélope. Vi sua garganta subir e descer em seco provavelmente. - Irá? .- Aramita perguntou animada. Eu assenti. - Penélope, nutre algum tipo de sentimento pelo Rei? .- Perguntei tomando sua mão. - Você foi tão receptiva comigo, não gostaria de magoá-la. - Falei. E não era mentira, eu não gostaria mesmo de magoá-la, mas nem mesmo isso seria capaz de limitar meu plano. Hunter seria meu marido, eu me tornaria sua rainha e o mataria para tomar o Reino, isso já estava decidido. - Não devemos levar isso em consideração Atena. - Ela falou com um sorriso nos lábios. - Sou uma serva e jamais teria a chance de jantar com o Rei, se você tem, por favor não desperdice essa chance. - Penélope nutre gratidão pelo Rei, e apenas isso. Não é querida? .- Aramita a perguntou em um tom sério. Como resposta ela assentiu sorrindo. - Creio que devamos arrumar uma roupa para o jantar então, o que me dizem? - Acha coerente que vá a vila? Depois de tudo ... Meus olhos marejaram-se quando a cena me invadiu em lembranças. Elas não sabiam a história inteira ou a verdadeira, claro, mas podiam mensurar a dor que eu sentia com a história que eu as havia contado. - É necessário. - Respondi seca. - Sendo assim ... - Aramita disse animada. - Vou deixar que a acompanhe Aramita, o baile será para receber a futura noiva do Rei. E devo preparar seus aposentos. Eu a olhei de soslaio com os lábios entreabertos, noiva? Maldição!!! - Sinto muito ... Todos sabíamos que hora ou outra o Rei não teria outra opção.
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