Aurora Mancini Eu sentia os olhos sobre mim como lâminas frias encostadas na pele. Cada passo que dava ao lado de Salvatore parecia um desafio. O salão onde o evento ocorria era opulento, adornado com lustres antigos e tapeçarias que provavelmente viram mais sangue do que festas. O ouro reluzia, mas havia algo de podre por trás do brilho. Eu era o detalhe fora do lugar. Salvatore mantinha a mão em minhas costas, um toque sutil mas firme. O gesto não era apenas possessivo — era protetor. Ele sabia. Sabia que eu estava sendo julgada por cada olhar, cada sussurro que nascia entre aqueles que vestiam ternos italianos sob medida e carregavam nas mãos mais do que taças de cristal: poder, morte, e histórias manchadas. Quando passamos pelo grupo dos Renzulli, percebi o olhar gélido de Carlo, um

