Aurora Mancini Há coisas que grudam na pele. Cheiros, imagens, lembranças. Há coisas que se infiltram sob a carne, até mesmo no silêncio. Como o som de um tiro. Como a imagem de um corpo caindo. E não importa o quanto você esfregue, se molhe, se esconda debaixo da água quente ou tente se convencer de que foi apenas um delírio momentâneo. O sangue… fica. O sangue nunca vai embora. Passei horas no banho. As gotas caíam como lâminas sobre minha pele. Tentei lavar os olhos, as mãos, o peito — como se a sujeira estivesse apenas do lado de fora. Mas era dentro. Tudo dentro. Cada vez que fechava os olhos, eu via o homem amarrado. Via o olhar dele, pedindo ajuda. E via Salvatore. Me entregando uma arma como se fosse um gesto de amor. Ou um teste. Ou os dois. E eu… eu fiquei para

