Aurora Mancini Dizem que o pior tipo de dor é aquela que vem da traição. Mas isso não é verdade. A pior dor é descobrir que você nunca foi mais do que uma peça descartável no jogo de alguém. Uma isca. O som das ondas batendo contra os pilares da casa costeira me alcançava pela varanda entreaberta. Mas, naquela noite, nem o mar conseguia me acalmar. Meu corpo ainda doía do último confronto — o sequestro frustrado que quase terminou com minha vida. O que me deixava acordada não era o susto, nem o sangue. Era o silêncio de Salvatore. O olhar dele. Frio. Distante. Calculado. Como se todo o calor, toda a tensão que havia entre nós até aquele momento fosse uma encenação perfeitamente planejada. Fui até a janela. A mansão dos Vitale se estendia imponente sob o céu escuro, rodeada de som

