FBI - CAPITULO II

1302 Palavras
FBI - CHAPTER 02 O segurança apertou o botão, a cancela levantou com um som metálico e o estacionamento da sede abriu-se como boca de um animal que engole e devolve rotinas. Os carros oficiais ficavam em galpões separados, discretos; o meu R8 era apenas um dos corpos reluzentes estacionados ali — máquinas prontas para serem acionadas quando a cidade chamasse. Desci, ajeitei a mochila nas costas e passei a mão nos fios rebeldes do cabelo. Cumprimentei rostos conhecidos no caminho: Parker, que sempre carregava um caderno de anotações; Lucy, cujo sarcasmo escondia uma generosidade incômoda; Ramirez, já com a cara amassada de quem vive à base de café. O prédio em si exalava ordem: vidro, aço escovado e o som rítmico de teclados que funcionavam como um coração coletivo. Peguei o elevador até o andar da Interpol que mantínhamos em segredo — um centro de controle entre tantos outros no mundo, invisível para quem não precisasse conhecê‑lo. As portas deslizaram e eu saí para um salão onde telões imensos mapeavam rotas, rostos e coordenadas. O ar vibrava com dados; eu podia quase sentir a corrente elétrica das informações atravessando a sala. Jordan levantou os olhos quando me avistei. — Mia! — chamou, tirando os óculos e esboçando aquele sorriso de quem já tinha uma solução antes mesmo de ouvir o problema. Jordan Lewis era nosso prodígio tecnológico: conseguia rastrear um IP atrás de um proxy, montar um dossiê completo de um indivíduo a partir de um fragmento de código. As mulheres suspiravam; os homens respeitavam. Para mim, Jordan era tática pura, um mapa invisível colocador de armadilhas digitais. — Onde está o diretor? — perguntei, enquanto íamos a andar. — No escritório. Parece que te espera. — respondeu ele. A porta do escritório de Ethan teve a batida precisa que a vida em comum nos deu: ele sabia que uma batida significava que eu e ele sempre sorríamos quando entrava. Ali, por trás daquela mesa de madeira e da janela que dava sobre o salão de operações, havia fotografias: nós crianças, nossos pais, momentos de calmaria que pareciam quase anacrônicos diante do que éramos agora. Cássio e Rebecca foram mortos por criminosos num assalto — Nessa época o meu irmão tinha acabado de entrar para a CIA e ele fez de tudo para que o criminoso pagasse, rapidamente vim morar com ele aqui em Nova York e aprendi muito com Ethan na nossa convivência Acabei querendo ser igual a ele que sempre demonstrou a sua força, corajosa, além de ajudar outras famílias, assim como as pessoas muitas vezes ficavam nas mãos de criminosos, desde da minha decisão ele deu a maior força e criei uma tremenda determinação para ser a melhor no que faço. — Diretor Sanders. — Anunciei, por hábito, por respeito; por costume. Sempre o chamava pelo nosso sobrenome por ser meu chefe e dependendo da sua resposta saberia se posso ser informal. Ao ver‑me, Ethan transformou a rigidez do diretor quando sorriu e deu um abraço rápido, a lembrança de que antes de tudo era meu irmão. — Miazinha. — Murmurou, o apelido que me arrancava um revirar de olhos e o sorriso que ele esperava. — Você sabe que detesto esse apelido. — Reclamei. Ele riu, atenuando a tensão daquele momento. — Sei disso, mas tenho que comentar o quanto sempre é pontual — Falou sarcástico e dei um leve tapa de brincadeira nele. — Claro que tem que ser pontual e sabe disso — Comentei e ele bagunçou o meu cabelo. Ethan agia assim quando éramos somente nos dois para não causar conflito de falta de profissionalismo. — Qual é a missão? — Perguntei arrumando o meu cabelo e Ethan abriu às cortinas da janela, como quem convoca a realidade lá embaixo, e depois encaminhou‑me para a sala de reuniões. Ali já nos aguardavam os demais agentes: Ashley, pequena loira consciente de cada palavra que proferia; Parker, distraído nas anotações e acho que vi Terry no canto da sala sempre em alerta; Ramirez com um semblante que desmentia o humor. — Jordan, coloque as imagens no telão, por favor — Ordenou Ethan. Fiquei a olhar o meu irmão de forma intrigada por ele ainda não ter dado um resumo da missão. A sala mergulhou num silêncio clínico quando o rosto projetado tomou o telão. Era um homem alto, moreno, com barba fechada e olhos que pareciam calcular cada gesto. Ramirez começou a falar, sua voz firme, medidas e frieza necessárias. — Recebemos ontem informações sobre um aumento nos desaparecimentos de turistas em Manhattan. Perfil: mulheres, geralmente sozinhas, com idades variando entre vinte e trinta e cinco anos. Várias pistas apontam para uma rede organizada. Conseguimos, com dados fornecidos pela CIA e cruzamentos feitos por Jordan, identificar um elo: um homem chamado Martin, 38 anos. Ele é o braço direito de um suposto chefe — coordenador de logística. — Esse é Martin parece ser um peixe pequeno que faz o trabalho sujo — Comentei e Jordan exibiu imagens de transações, localizações, e, por fim, um mapa que reunia pontos de aparição. Minha respiração, por um segundo, tornou‑se um instrumento que mediria a gravidade dos fatos. — O que sabemos sobre o método? — perguntei, inclinando‑me para a frente. — Ele e a sua quadrilha atuam em áreas turísticas: observam, identificam um alvo, o isolam e transferem para locais de recolhimento antes de enviar as vítimas para rotas de tráfico internacional. Usam táxis e falsos guias. — explicou Parker. — Temos registros de câmeras perto da Times Square, do High Line e de bairros onde turistas costumam se perder. Há também uma possível conexão com uma rede que usa aplicativos de translado com contas falsas — Enquanto Jordan falava, a minha mente fez o que sempre fez em situações como aquela: costurou possíveis rotas, pontos de intersecção, agentes que poderiam ser colocados em campo. Pensei nos disfarces que Ashley poderia preparar, na capacidade dos nossos de infiltrarem‑se nos circuitos de transporte, nas entrevistas que precisaríamos fazer com taxistas, entregadores, garotos de hostel. — Qual a nossa prioridade? — perguntou Ethan, olhando para mim como se esperasse que eu me tornasse ponte entre pensamento e ação. — Interceptar Martin. Identificar o seu círculo próximo e proteger possíveis alvos potenciais — respondi e continuei — Montamos uma vigilância integrada em aeroportos: câmeras móveis, patrulhas disfarçadas, e um esquema com aplicativos para interceptar chamadas e contas falsas. — Jordan, você consegue bloquear as contas e monitorar transações em tempo real? — Pergunta Ethan. — Já estou no processo. — Jordan respondeu. — Posso isolar os IPs, rastrear e inserir armadilhas digitais. Também tenho um contato no app de translado que pode nos fornecer logs internos operarmos-se rapidamente. — Excelente. Ramirez, iremos precisar de um relatório de campo sobre os pontos com maior incidência, além dos aeroportos — instruiu Ethan. — Já abordamos motoristas dos aeroportos e recebemos relatos pontuais. Vou consolidar e enviar em uma hora. — Ramirez respondeu, olhos no caderno. Parker fechou a pasta e, com sua ironia costumeira, comentou: — Alguém quer se voluntariar para ser meu parceiro de guia fake na Times Square? — A sala sorriu, pois o humor sempre aparece como recurso para enfrentar o absurdo. — Sanders, você será a agente principal desta missão — disse Ethan, com a segurança. — Entendido, Diretor! Que tipo de serviço estarei envolvida? — Perguntei-me encostando na cadeira, enquanto via imagem desse homem em alguns lugares onde foi visto. — Temos uma pista positiva, e com os parâmetros de Jordan conseguimos ligar os desaparecimentos através deste homem que tem ligação com o crime organizado — Argumenta e virei o meu corpo na sua direção e o mesmo parecia tenso. — Esses criminosos negociam... venda de mulheres.
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