O dia estava ensolarado, mas frio. Eu dirigia meu Volvo preto pelo estacionamento da escola, com Steven ao lado, reclamando sobre a feira de faculdades.
— Eu não sei por que vocês fazem toda essa coisa de faculdade — resmungou ele, ajeitando a mochila. — Ainda bem que eu não preciso me preocupar com isso.
— Steven! — revirei os olhos, tentando não rir.
— Eu nem preciso disso. Como nós somos caçadores, nosso caminho é outro. Não é como se eu fosse seguir uma vida “normal”, igual vocês querem. Faculdade, provas, tudo isso… não faz sentido pra gente.
— Suspirei, lembrando que ele estava certo, de certo modo. — Só porque nossa família é diferente, não significa que você pode ignorar tudo. Você ainda precisa aprender, se preparar…
— Aprender? — ele sorriu travesso — Estou aprendendo todo dia, Scar. Só que do meu jeito. Correndo, lutando, treinando com tio Robert… Quem precisa de faculdade quando você sabe se virar com armas, estratégias e se manter vivo?
— Seu jeito é tropeçar em tudo e reclamaram depois — retruquei, ainda sorrindo. — Vamos logo, temos uma feira para conferir.
Na entrada da escola, Luna já estava nos esperando, toda animada, acenando e sorrindo. Luna é minha única amiga aqui.
— Scar! — gritou, correndo até nós — Que bom que vocês chegaram! Vamos aproveitar cada stand!
— Ei, Luna! — respondi, sorrindo de volta. — Achei que você ia estar atolada com os preparativos da feira.
— Nah — deu de ombros, rindo — Eu tinha que garantir que você não ia ficar só olhando os panfletos sozinha, né?
Começamos a andar pelos estandes, pegando folhetos e conversando com representantes. Luna puxava meu braço, animada, me fazendo rir e me distrair um pouco da sensação estranha que tinha desde que acordei.
— Scar, olha isso! — Steven apontou para um folheto de engenharia — Poderia ser legal pra você se cansar de biologia…
— Biologia é meu caminho, Steven — respondi, mas um formigamento percorreu meu braço. Algo dentro de mim reagia, sem motivo aparente. Eu sacudi a cabeça, tentando ignorar.
Então chegamos ao estande da universidade local. E lá estava ele.
Meu peito disparou antes mesmo de perceber. Ele estava atrás da mesa, alto, cabelo castanho acobreado que brilhava sob a luz do ginásio, olhos intensos que pareciam ver tudo ao redor. A lembrança da cafeteria voltou, e o formigamento agora se espalhou pelas veias de verdade.
— Olá! Posso ajudá-las? — disse ele, com voz firme e calma, que me fez estremecer de novo.
— Uh… oi — consegui responder, desviando o olhar rápido.
Luna, sem perceber minha reação, cutucou meu braço:
— Melhor nem pegar esse folheto, eu não quero ficar nessa cidade. — disse, rindo e saindo.
— Desculpa, ela não pensa antes de falar! Falei para ele morrendo de vergonha pela grosseria da Luna, peguei um panfleto, dei um sorriso para ele e sai.
Ele assentiu, educado, mas firme, enquanto me afastava. Eu não consegui parar de olhar. Meu coração estava acelerado e a sensação em meu braço só aumentava.
Visão de Joseph
Quando cheguei ao ginásio para meu dia sendo o coordenador do stand da faculdade local, eu senti algo estranho — como um chamado, algo que percorria meu peito.
Foi então que ela entrou. A lembrança dela na cafeteria surgiu de repente.
— Quem é essa garota? — pensei, intrigado, tentando manter a postura enquanto atendia outros estudantes.
O formigamento percorreu a marca dentro de mim, intenso, e eu não sabia o motivo. Ela era… diferente. Quando nossos olhares se cruzaram por alguns segundos, eu percebi que tinha algo nela que não conseguia ignorar.
Olá! Posso ajudá-las? — eu disse, com voz firme e calma, mesmo estando sentindo minha marca arder e pulsar.
— Uh… oi — ela respondeu, desviando o olhar rápido.
Amiga dela a cutucou e disse.
— Melhor nem pegar esse folheto, eu não quero ficar nessa cidade. — disse, rindo e saindo.
— Desculpa, ela não pensa antes de falar! Ela falou envergonhada pela grosseria da amiga.
Eu apenas assenti, educado, mas firme, enquanto ela se afastava.
Eu não consegui parar de olhar. Estava acelerado e minha marca queimava em minha pele como o sol. Precisava descobrir quem era essa garota.
A feira continuou. Luna puxava conversa comigo e Steven, que estava distraído examinando cada panfleto, nem percebeu nada do que estava acontecendo. Nós passamos por mais alguns stands, mas nossos olhares se cruzavam várias vezes, sem falar nada, apenas sentindo o mesmo estremecer inexplicável.
Quando a feira acabou, deixei Luna em casa. Steven pegou carona com um colega, e eu fui para o café, levando os panfletos comigo. Sentei em uma mesa perto da janela, ainda pensando nele, o formigamento em minhas veias constantes, uma sensação que não sabia explicar.
E então ele entrou.
Novamente, o formigamento subiu, quando nossos olhares se encontraram. Eu soube naquele instante que nada seria como antes.