Ele caminhou até minha mesa, com um sorriso leve e natural, e disse:
— Então… você estava na feira hoje, né? Vi você passando pelos stands, pegando folhetos… sua amiga parecia um pouco dramática.
Engoli em seco, tentando soar calma.
— Ah… sim. Ela… exagera às vezes — respondi, desviando o olhar, tentando controlar o formigamento que percorria meu braço.
Ele assentiu, mantendo aquele sorriso tranquilo, e se aproximou da mesa. Era impossível não olhar para ele; cada detalhe parecia perfeito, hipnotizante.
— Escolher uma faculdade é complicado — continuou ele, sem pressionar — tantas opções, tantos caminhos… mas você parece saber o que quer.
Meu estômago deu um nó. Ele se lembrava da feira, me viu lá… e, de alguma forma, meu corpo reagia a ele sem que eu entendesse.
— Ah… sim… — murmurei, tentando soar natural — Só estava olhando algumas faculdades.
Ele sorriu de leve, como se entendesse minha timidez, e perguntou:
— Quer um café?
Assenti, ainda sem palavras.
— Sim… gostaria.
Enquanto esperávamos nossos cafés, nossos olhares se cruzavam repetidas vezes. A sensação estranha no meu braço insistia, e o formigamento na marca dentro dele também. Algo inexplicável pairava no ar, algo que nenhum de nós compreendia, mas naquele instante eu soube: nada seria como antes.
Ele pegou dois cafés do balcão, a fumaça subindo delicadamente, e se aproximou da mesa. Meu coração parecia querer sair do peito.
— Aqui — disse ele, colocando um dos copos à minha frente — Espero que esteja bom.
Assenti, ainda sem conseguir tirar os olhos dele, e agradeci com um sorriso tímido. Ele se sentou em frente a mim, e por um instante, ficamos só nos olhando, como se o mundo lá fora tivesse desaparecido.
— Eu… sou Joseph — disse ele, finalmente, estendendo a mão.
— Scarlett — respondi, apertando sua mão. A sensação era estranhamente familiar, mesmo sendo a primeira vez que nos apresentamos.
— Prazer, Scarlett — disse ele, sorrindo. — Então… você quer cursar qual faculdade?
Suspirei, tentando organizar minhas palavras.
— Biologia… sempre gostei de entender como as coisas funcionam, como a vida acontece… — respondi, olhando para ele por um segundo antes de voltar ao café. — E você?
— Eu? — ele sorriu de leve — Faço história na faculdade local. Hoje estou aqui como representante, já que meu professor não pôde comparecer.
— Ah, legal. Nem todos os alunos querem ajudar, não é? — ri, tentando soar casual.
— Sim, mas pontos extras me motivaram — respondeu ele, piscando. — Você é nova por aqui, nunca te vi antes.
— Sim, cheguei há cerca de um mês. Vim de Nova Jersey — respondi, tentando não entrar muito nesse assunto, mas ele parecia curioso demais.
— Sério? E o que te trouxe à nossa pequena cidade? — perguntou, surpreso.
— Meu irmão e eu… viemos morar com nosso tio por um tempo. Meus pais precisaram viajar a trabalho, são médicos — falei rápido, para encerrar o assunto.
— Então você gosta de história? — perguntei, tentando mudar o assunto, curiosa.
— Muito — respondeu ele, com um sorriso leve — Especialmente quando envolve pessoas curiosas que aparecem do nada.
O barulho do café desapareceu. Ficamos só nós dois, em meio a xícaras, fumaça de café e olhares que diziam mais do que palavras.
Quando terminamos, levantei-me, ainda perdida nos pensamentos sobre ele.
— Foi ótimo conversar com você, Scarlett — disse ele, sorrindo — Espero te ver de novo por aqui.
Assenti, sentindo meu coração acelerar, enquanto ele se afastava.