PRIMEIRA CONVERSA

590 Palavras
Ele caminhou até minha mesa, com um sorriso leve e natural, e disse: — Então… você estava na feira hoje, né? Vi você passando pelos stands, pegando folhetos… sua amiga parecia um pouco dramática. Engoli em seco, tentando soar calma. — Ah… sim. Ela… exagera às vezes — respondi, desviando o olhar, tentando controlar o formigamento que percorria meu braço. Ele assentiu, mantendo aquele sorriso tranquilo, e se aproximou da mesa. Era impossível não olhar para ele; cada detalhe parecia perfeito, hipnotizante. — Escolher uma faculdade é complicado — continuou ele, sem pressionar — tantas opções, tantos caminhos… mas você parece saber o que quer. Meu estômago deu um nó. Ele se lembrava da feira, me viu lá… e, de alguma forma, meu corpo reagia a ele sem que eu entendesse. — Ah… sim… — murmurei, tentando soar natural — Só estava olhando algumas faculdades. Ele sorriu de leve, como se entendesse minha timidez, e perguntou: — Quer um café? Assenti, ainda sem palavras. — Sim… gostaria. Enquanto esperávamos nossos cafés, nossos olhares se cruzavam repetidas vezes. A sensação estranha no meu braço insistia, e o formigamento na marca dentro dele também. Algo inexplicável pairava no ar, algo que nenhum de nós compreendia, mas naquele instante eu soube: nada seria como antes. Ele pegou dois cafés do balcão, a fumaça subindo delicadamente, e se aproximou da mesa. Meu coração parecia querer sair do peito. — Aqui — disse ele, colocando um dos copos à minha frente — Espero que esteja bom. Assenti, ainda sem conseguir tirar os olhos dele, e agradeci com um sorriso tímido. Ele se sentou em frente a mim, e por um instante, ficamos só nos olhando, como se o mundo lá fora tivesse desaparecido. — Eu… sou Joseph — disse ele, finalmente, estendendo a mão. — Scarlett — respondi, apertando sua mão. A sensação era estranhamente familiar, mesmo sendo a primeira vez que nos apresentamos. — Prazer, Scarlett — disse ele, sorrindo. — Então… você quer cursar qual faculdade? Suspirei, tentando organizar minhas palavras. — Biologia… sempre gostei de entender como as coisas funcionam, como a vida acontece… — respondi, olhando para ele por um segundo antes de voltar ao café. — E você? — Eu? — ele sorriu de leve — Faço história na faculdade local. Hoje estou aqui como representante, já que meu professor não pôde comparecer. — Ah, legal. Nem todos os alunos querem ajudar, não é? — ri, tentando soar casual. — Sim, mas pontos extras me motivaram — respondeu ele, piscando. — Você é nova por aqui, nunca te vi antes. — Sim, cheguei há cerca de um mês. Vim de Nova Jersey — respondi, tentando não entrar muito nesse assunto, mas ele parecia curioso demais. — Sério? E o que te trouxe à nossa pequena cidade? — perguntou, surpreso. — Meu irmão e eu… viemos morar com nosso tio por um tempo. Meus pais precisaram viajar a trabalho, são médicos — falei rápido, para encerrar o assunto. — Então você gosta de história? — perguntei, tentando mudar o assunto, curiosa. — Muito — respondeu ele, com um sorriso leve — Especialmente quando envolve pessoas curiosas que aparecem do nada. O barulho do café desapareceu. Ficamos só nós dois, em meio a xícaras, fumaça de café e olhares que diziam mais do que palavras. Quando terminamos, levantei-me, ainda perdida nos pensamentos sobre ele. — Foi ótimo conversar com você, Scarlett — disse ele, sorrindo — Espero te ver de novo por aqui. Assenti, sentindo meu coração acelerar, enquanto ele se afastava.
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