O amanhecer chegou cinzento, coberto por nuvens pesadas, como se o próprio céu pressentisse a guerra que se aproximava. O carro de Kauan estacionou em frente a um galpão abandonado, um dos refúgios que ele usava quando as ruas se tornavam perigosas demais. Isadora desceu primeiro, sentindo o corpo ainda trêmulo pelo que viveram naquela noite. O gosto do beijo dele ainda estava em seus lábios, mas o cheiro de pólvora e gasolina no ar não deixava esquecer a realidade. Kauan desceu em silêncio, a mão firme sobre a arma, os olhos vasculhando o entorno. Ele estava mais fechado do que nunca, o rosto tenso, os músculos rígidos. — Aqui ninguém entra sem minha permissão. — disse, abrindo a porta pesada de ferro. O galpão era amplo, com poucas luzes funcionando, caixas empilhadas e um colchão jo

