O sol começava a nascer, tingindo o céu de laranja e rosa, enquanto Isadora sentava no chão do galpão, observando a filha dormir nos braços. O choro da noite passada havia dado lugar a uma paz frágil, mas suficiente para que ela pensasse com clareza. Por anos, havia sido arrastada para o mundo de Kauan: a adrenalina, o perigo, os segredos, os tiros e a constante incerteza. No começo, parecia excitante, até romântico — até que o medo se tornou rotina, e a violência, parte da vida diária. Mas agora, segurando a filha, sentiu algo mais forte do que qualquer paixão ou desejo: responsabilidade. Amor genuíno. — Kauan… — murmurou, hesitante, olhando para ele que dormia encostado em uma pilha de caixas, exausto, ainda com o corpo marcado por pequenas feridas das últimas semanas. Ela sentiu a mão

