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1388 Palavras
Vincent Chego cedo ao restaurante, com os nervos à flor da pele. Esse jantar com Melissa é uma péssima ideia. Preciso de informações, mas não posso baixar a guarda outra vez. A ligação que tenho com ela — essa atração imprudente e perigosa — me diz que o sentimento é mútuo, que não preciso me preocupar com flertes ou joguinhos. Isso não me tranquiliza nem um pouco. Sou tão cúmplice quanto ela do encontro m*l planejado da noite anterior, e minha libido, traidora, não para de me lembrar disso. Do jeito que foi. Do quanto foi fácil perder o controle. Do quanto eu não devia querer repetir aquilo — e, ainda assim, querer mais do que qualquer outra coisa. Ajeito a gravata pela terceira vez e observo a entrada do restaurante. Quando Melissa surge no vão da porta, prendo o fôlego. Ela está deslumbrante. Um vestido preto justo delineia cada curva, elegante e provocante na medida exata. O cabelo escuro cai em cascata sobre um dos ombros, revelando o pescoço longo e exposto. Por um instante — só um — esqueço completamente por que estou ali. Então ela me vê. Melissa se aproxima com passos seguros, embora um sorriso hesitante dance em seus lábios. — Detetive. Levanto-me imediatamente. — Sra. Mancini. Obrigado por se juntar a mim. Ela assente e se senta na cadeira que puxo para ela. Não me corrige. Não pede que eu a chame de Melissa. É como um soco no estômago. Recosto-me no assento, hiperconsciente de cada movimento dela, de cada centímetro de espaço entre nós. — Espero que não se importe — digo, apontando para a mesa —, tomei a liberdade de pedir um vinho. Ela me observa por um instante longo demais. — Esperando que isso solte minha língua? A lembrança dela ajoelhada diante de mim, lambendo o pré-g**o com uma calma deliberada, atravessa minha mente como um golpe baixo. Merda. — Achei que poderia relaxar nós dois. — Então não está interessado em repetir o que aconteceu ontem à noite? — ela pergunta, com um arqueio de sobrancelha. — Devo dizer que você tem um jeito… pouco convencional de interrogar mulheres. Ela brinca, mas algo mudou. O humor leve da noite anterior não está ali por inteiro. Não sei se é cautela ou arrependimento. — Acho que concordamos que a noite passada foi… pouco profissional da minha parte. Não vai acontecer de novo. Ela suspira e se recosta na cadeira no exato momento em que o garçom chega com o vinho. Ele serve as taças, e bebemos quase ao mesmo tempo, como se precisássemos desesperadamente daquele intervalo. — Então — diz ela —, hoje à noite é para garantir que eu não esteja por aí causando problemas? Ou seu parceiro está ocupado assaltando outro negócio da minha família? A leveza voltou à sua voz, e é perturbador o quanto isso me agrada. Sorrio. — Alguém precisa ficar de olho em vocês, Mancini. Ela ri — um som rico, melodioso, que me provoca um arrepio involuntário. — Ah, claro. E você se voluntariou para o trabalho, pelo visto. — Os olhos âmbar brilham com malícia. — Que dedicação exemplar. Dou de ombros, fingindo indiferença. — É um trabalho difícil, mas alguém precisa fazê-lo. — E me diga, Vince — ela inclina a cabeça —, esse seu “trabalho” normalmente envolve jantares íntimos e… atividades noturnas? Quase me engasgo com o vinho. — Aparentemente, só quando você está envolvida. — Então sou um caso especial? — Pode-se dizer que sim. Por dentro, quero levá-la para longe daqui. Para qualquer lugar onde possamos conversar, rir… e fazer tudo aquilo de novo. O que há nessa mulher que me atrai como uma mariposa em chama? Respiro fundo. É hora de lembrar por que estou aqui. — Melissa — começo, deixando o tom mais sério —, tenho pensado no desaparecimento do seu irmão. Lorenzo tinha algum inimigo específico? Alguém que quisesse vê-lo fora de circulação? Ela ri, e a reação me pega desprevenido. — Ah, Vince… — balança a cabeça. — A pergunta certa seria: quem não era inimigo de Lorenzo? Inclino-me para a frente. — Pode explicar? — Lorenzo nunca foi conhecido por seu tato ou diplomacia. Era mais do tipo “atirar primeiro, nunca perguntar depois”. Estou exagerando, claro… mas nem tanto. — Entendo. — Tirando a família, ele não era exatamente querido. Assinto, encorajando-a a continuar. — Depois que Lorenzo desapareceu, Matheo passou meses investigando cada pessoa que ele já tinha passado para trás. A lista era… extensa. — E isso levou a alguma coisa? Ela dá de ombros. — Nada concreto. Muitas ameaças, muita gente apavorada… mas nenhum resultado. É por isso que Matheo acredita que Lorenzo está morto. Se alguém o tivesse levado, já teria feito exigências. Ou se gabado. — Não se gabariam de tê-lo matado? — Não necessariamente. — Ela me encara. — No nosso mundo, silêncio também é uma mensagem. Franzo a testa. — Você concorda com ele? Ela suspira, longa e lentamente. — Não. Não sei explicar. Só sei que Lorenzo está vivo. Eu sinto. — Sente? — Somos gêmeos fraternos. Talvez seja só isso… ou talvez seja mais. Mas eu sei que ele está lá fora. Penso por um instante. — E você? Descobriu algo que Matheo não descobriu? Ela hesita. — Investigávamos juntos. Mas ele disse que eu estava perdendo tempo ao tentar envolver a polícia. — Seus olhos se fixam nos meus. — Não parecia que vocês estavam se esforçando muito para encontrá-lo. Decido mudar de abordagem. — Há quatro anos, um policial foi morto perto de uma das propriedades da sua família. Você se lembra de algo? A mudança nela é imediata. O flerte desaparece. O sorriso some. O olhar se fecha numa máscara fria e impassível, capaz de congelar o inferno. — Você acha que alguns orgasmos e vinho caro vão me fazer trair minha família? — Eu… — Os orgasmos foram bons, admito — ela continua, cortante —, mas achei que já tivéssemos superado esse jogo de gato e rato. — Não é um jogo. A decepção nos olhos dela me atinge em cheio. — Você propôs um acordo, Vince. Algo mútuo. Mas agora parece que é só físico. Você não compartilhou nada comigo. Achei que fosse diferente. Ela joga o guardanapo sobre a mesa e se levanta. — Você trabalha para os Barone? Ou para alguém pior? — avalia meu terno. — Um homem que pode pagar por isso tudo sempre está a serviço de alguém. Engulo a irritação. — Você despreza os policiais que trabalham para o seu irmão? — Não. — Ela cerra os lábios. — Mas eles não tentam me usar. Ela dá meia-volta. Seguro seu pulso, ciente do risco. — Melissa. Por favor. Me desculpe. Ela para. — Houve um boato — continuo — de que Lorenzo poderia estar ligado à morte daquele policial. Mas não é por isso que estou perguntando. Ela me encara, desconfiada. — Então por quê? — Porque acho que pode haver uma ligação entre esse assassinato e o desaparecimento do seu irmão. Ela se senta lentamente, os braços cruzados. — Explique. — Um policial morto. Um ano depois, Lorenzo desaparece sem deixar rastros. Pode não ser coincidência. — Você está sugerindo que Lorenzo o matou… e que alguém o levou em retaliação. — É uma teoria. Só isso. Mas é uma possibilidade que ainda não foi explorada. Ela pensa. — No nosso mundo, ninguém espera um ano para se vingar. — Talvez quisessem algo dele. Informação. Ou sofrimento. Algo passa pelos olhos dela — raiva, medo — antes da máscara voltar ao lugar. — Se encontrarmos Lorenzo — pergunta, finalmente — o que acontece? — Primeiro, encontramos a verdade. Depois… vemos o resto. Ela me observa, olhar demorado. Vejo o conflito ali. A lealdade. O medo. A esperança. Enquanto espero sua resposta, uma certeza amarga se forma em mim: quero tirá-la disso tudo. Salvá-la do destino que a família pode impor — prisão ou morte. Mas isso é mentira. A verdade é mais simples e mais perigosa. Quero que ela fique longe porque é a única razão pela qual desejá-la é errado. E porque sua devoção ao irmão desaparecido me diz que eu nunca — nunca — serei mais forte do que isso.
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