Capítulo 21

1064 Palavras
Aléssio Romano, Assim que o carro estacionou na frente da mansão, saí rapidamente, minha mente focada em uma única coisa: tomar um banho e tentar relaxar. O peso do dia estava sobre meus ombros, e eu precisava de um momento para organizar meus pensamentos. Caminhei direto em direção ao meu quarto, determinado a me livrar daquele cansaço que parecia me consumir. Mas, enquanto passava pelo corredor, algo me fez parar. Um som de choro. O som vinha do quarto de Bianca. Ele me paralisou por um instante, antes que eu percebesse o que estava acontecendo. Algo dentro de mim reconheceu a dor naquele choro. Não era o choro de alguém com raiva ou aborrecida. Era profundo, quase desesperado. Imediatamente, o cansaço que me dominava desapareceu, substituído por uma preocupação súbita. Fui até o quarto dela, meus passos rápidos, mas silenciosos. Quando entrei, Bianca estava deitada na cama, se debatendo, como se estivesse lutando contra algo invisível. Seus murmúrios eram quase incompreensíveis, mas, aos poucos, consegui captar o que ela dizia. — Eu não tive culpa... — ela balbuciava, as palavras saindo entrecortadas pelo choro. — Eu não tive culpa da morte dele, mamãe. Provavelmente estava tendo pesadelos, e algo me dizia que eram sobre seu irmão. O que eu sabia de sua história com ele ainda era fragmentado, mas, sem dúvida, aquele era um peso que ela carregava. Me aproximei devagar, sentando na beira da cama. Toquei o ombro dela com cuidado, tentando trazê-la de volta à realidade sem assustá-la. Ela estava quente, ardendo em febre. Sua pele brilhava com o suor, e seu corpo se mexia de maneira inquieta. Eu a chamei com cuidado, mantendo minha voz baixa, mas firme. — Bianca, acorda. — falei, enquanto observava seu rosto se contorcendo em dor. Aos poucos, ela foi se acalmando, mas a febre ainda era evidente. Ela tremia, mesmo dormindo, como se estivesse lutando contra o sonho. Sem pensar duas vezes, me levantei e fui até a cozinha, pegando um remédio e um copo de água. Quando voltei, ela já estava com os olhos abertos, mas ainda parecia desorientada. Assim que me viu, seu corpo reagiu por instinto, e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bianca se lançou em meus braços. O impacto foi tão forte que quase me sufocou. Ela me apertava, o corpo pequeno tremendo contra o meu. — Obrigado... Obrigado, senhor Romano. — disse ela, ainda chorando. Seu corpo tremia descontroladamente, como se o pesadelo tivesse deixado marcas profundas. O calor de sua febre irradiava em mim, e por um segundo, eu hesitei em abraçá-la de volta. Não era algo que eu fazia, mas algo naquele momento me fez envolvê-la com meus braços. — Por que está me agradecendo, Boneca? — perguntei, a voz mais baixa do que o normal. Eu precisava entender o que se passava na mente dela. Ela se afastou um pouco, o suficiente para me olhar nos olhos. Havia algo vulnerável em seu olhar, algo que eu ainda não havia visto antes. — Porque no meu sonho r**m com meu irmão... — começou ela, a voz ainda tremendo, mas com menos força. — O senhor estava lá, e me salvou das mãos dos meus pais. Eu sei que foi só um sonho, mas o senhor estava lá. Eu não sabia o que dizer por um momento. Não estava acostumado a ser visto como alguém que salva. Meu papel sempre foi de proteger, sim, mas de uma forma prática, sem envolver tantas emoções. Mas, de alguma forma, para ela, eu me tornei essa figura no meio de sua dor. — Shh... Tá tudo bem agora. — falei, tentando acalmar seus soluços, algo que eu não fazia normalmente. — Você está aqui, e está tudo bem. Mas, Bianca, você está com febre. Precisa tomar o remédio que eu trouxe. Ela assentiu, ainda se afastando devagar. Sentei-me ao lado dela, entregando o comprimido e o copo de água que tinha trazido. Ela tomou o remédio com um gesto lento, e nesse momento, notei algo que me fez virar o rosto por um segundo. A camisola de seda que ela vestia deixava pouco à imaginação, o tecido marcando nitidamente os contornos de seu corpo. Os b***s de seus s***s estavam endurecidos pelo frio, ou talvez pela febre. Olhei para o lado, tentando manter a compostura. Eu não podia perder o controle ali. Levantei-me da cama, pronto para deixar o quarto e dar-lhe o espaço que precisava para descansar. — Tou indo descansar agora. — falei, com a voz mais firme. — Tenha uma boa noite. Eu estava prestes a sair do quarto quando senti sua mão agarrar a minha. O toque era suave, mas insistente, como se ela estivesse se agarrando a algo que precisava desesperadamente. — Fica comigo — disse ela, quase num sussurro. — Estou com muito medo... Por favor. Juro que não farei nada, só quero que você fique aqui. Dormiremos, só isso. Eu parei na porta, a mente dividida entre a razão e algo que não conseguia identificar. Eu nunca havia ficado em uma situação assim, e a ideia de estar tão próximo de Bianca me causava um desconforto que eu não sabia explicar. Ela era complicada, problemática, e, ao mesmo tempo, havia algo nela que mexia comigo de um jeito que eu não entendia. Olhei para trás, vendo-a sentada na cama, a mão ainda segurando a minha, o olhar fixo em mim. Ela estava vulnerável, algo que eu sabia que ela não admitiria em outro momento. — Dormir com você na cama? — Indaguei. — Sim, não vou morder você. — confirmou me olhando com aquele olhar penoso. Não confio nessa diabinha astuta, ainda mais ela com essa camisola de seda. — Eu juro — respondeu ela, com um sorriso cansado. — Só durma comigo, se quiser pode até ficar no sofá, não tem problema. Só quero que não me deixe sozinha por hoje. — Vou ficar aqui, até que você durma. Vou só tomar banho e já volto. Sai do quarto dela indo para o meu, tomei banho, me vesti em uma calça moletom e uma camiseta branca básica e retornei para ela. Soltei um suspiro profundo e me acomodei sobre o sofá que havia no quarto. Coloquei o braço atrás da cabeça e fechei os olhos. A noite seria longa, mas eu ficaria ali, porque de alguma forma, eu também precisava estar ali.
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