Bianca Santoro,
A noite estava tranquila demais, e isso só fazia com que eu me sentisse mais alerta. Depois de tudo que havia acontecido, eu finalmente estava me acalmando quando ouvi aquele som estranho. Era um chiado, algo que fez minha pele arrepiar imediatamente. A febre já tinha passado, mas agora parecia que outro tipo de pânico tomava conta de mim.
Aléssio estava no sofá, claramente tentando pegar no sono. Ele não parecia estar nem um pouco à vontade, mas cumpria o que tinha prometido: ficar ali comigo, pelo menos até eu adormecer. Ele não era do tipo de homem que ficava por perto, ainda mais em situações assim, mas, por eu ter pedido, ele estava. E, para ser sincera, eu me sentia mais segura com ele ali.
Estava quase cochilando quando ouvi o barulho de novo. Dessa vez, tinha certeza de que não era minha imaginação.
— Você ouviu isso? — perguntei, me sentando na cama de repente, o coração disparado.
Aléssio resmungou, abrindo um olho apenas, com a expressão de quem não queria lidar com aquilo.
— É só o vento, Bianca — ele murmurou, com um tom irritado. Claramente, ele estava a ponto de dormir, e eu estava atrapalhando isso.
— Não, não é o vento. — insisti, agora me mexendo inquieta na cama. — Tem alguma coisa aqui no quarto, e não vou conseguir dormir desse jeito.
Antes que ele pudesse responder, o barulho aumentou, e dessa vez tive certeza: era um rato. Eu odeio ratos, e só de imaginar um correndo pelo quarto, meu corpo entrou em pânico. Sem nem pensar, pulei da cama e corri direto para o sofá.
— Tem um rato aqui! — gritei, enquanto me jogava em cima de Aléssio, segurando firme em seu corpo. O medo era real, e eu nem me importava com o quão patética eu deveria estar parecendo naquele momento.
— Cazzo, Bianca! — ele quase gritou, acordando de vez, seu corpo enrijecendo quando eu me agarrei a ele com força. — Que droga é essa?
— É um rato! Eu vi, tenho certeza! — falei, minha voz trêmula de puro pavor. Meus olhos estavam arregalados, e meu coração batia tão forte que parecia que ia explodir. Afundei meu rosto na camisa dele.
Aléssio suspirou, claramente frustrado. Ele se levantou do sofá com um movimento brusco, e eu me encolhi, ainda sem coragem de descer para o chão. Ele começou a procurar pelo quarto, os olhos examinando cada canto.
— Onde você viu esse rato? — perguntou ele, num tom meio sarcástico, mas sério ao mesmo tempo.
Eu apontei para o canto do quarto onde tinha visto um pequeno vulto passar.
— Ali! Ele passou correndo ali! — disse, me segurando firme no sofá, como se aquilo fosse a única coisa entre eu e uma invasão de ratos.
Aléssio vasculhou o lugar, movendo algumas coisas com os pés e até se abaixando para olhar debaixo da cama. Ele procurou por um bom tempo, mas no final, não encontrou nada.
— Não tem rato nenhum aqui. — Ele finalmente disse, se endireitando e cruzando os braços. — Você deve ter imaginado.
— Eu não imaginei! Eu juro que vi ele! — insisti, o medo ainda me segurando no sofá, sem coragem de voltar para a cama.
Ele soltou um longo suspiro, cruzando os braços e olhando para mim com aquele olhar impassível, como se não conseguisse acreditar no que estava acontecendo.
— Já pode ir para a sua cama, o rato não vai subir para dormir com você. — Ele disse, rindo baixo da minha reação exagerada.
Eu cruzei os braços e olhei para ele, indignada.
— Não me tire daqui! — resmunguei, me apertando mais no sofá. — Deixa eu ficar com você. Me deixa dormir aqui com você no sofá.
Aléssio ergueu uma sobrancelha, claramente não gostando muito da ideia.
— Então, você fica aí e eu vou para a cama. — Ele respondeu, já se virando para ir em direção à cama.
Eu me senti desesperada. Não queria ficar sozinha, e muito menos na cama, imaginando que o rato poderia estar em qualquer canto do quarto.
— Não! — falei, quase num grito. — Eu tô com medo... quero dormir com você.
Ele parou no meio do caminho, me olhando com aquele ar de quem não acreditava no que estava ouvindo. Ele soltou um suspiro profundo, como se estivesse prestes a perder a paciência, mas por algum motivo, ele cedeu.
— Droga... — murmurou, voltando para o sofá. Se jogou nele com um suspiro cansado, e me olhou de lado. — Então deita logo e vamos acabar com isso.
Eu não precisei de mais convite. Me encolhi ao lado dele no sofá, ainda um pouco nervosa, mas aliviada por não estar sozinha. O sofá era grande o suficiente para os dois, mas mesmo assim, o espaço parecia apertado. Eu me aconcheguei contra ele, sentindo o calor de seu corpo, enquanto tentava não me mexer muito.
Ele ficou em silêncio, claramente tentando lidar com a situação da melhor maneira possível. Eu também não queria incomodar mais, então me limitei a fechar os olhos, tentando ignorar o fato de que estava deitada com ele. O sofá parecia seguro, e aos poucos, o medo do rato foi desaparecendo, substituído pelo cansaço.
— Amanhã, vou mandar uma equipe para fazer uma limpeza de insetos na mansão. — Ele disse, com a voz abafada, já quase pegando no sono. — Assim, você para de ver coisas.
— Não estou vendo coisas... — murmurei, mas minha voz saiu baixa, mais sonolenta do que irritada.
Ele riu baixinho, mas não disse mais nada. O sofá, que inicialmente parecia desconfortável para ele, agora parecia ser um bom lugar para descansar. Eu estava me acalmando, e o sono estava finalmente me vencendo.
De repente, tudo parecia um pouco menos assustador. A febre havia passado, e o rato, mesmo que fosse real, parecia uma preocupação distante agora que eu estava ali, deitada ao lado de Aléssio.
Ele deu um último suspiro profundo, e em poucos minutos, eu já conseguia ouvir sua respiração ritmada, indicando que ele tinha adormecido. Eu o segui logo depois, o calor do corpo dele ao meu lado me trazendo uma sensação de segurança que eu não esperava encontrar naquela situação.
O perfume masculino impregnando na camisa dele, misturado com o cheiro bom de sabonete em sua pele. Me ajeitei mais um pouco, diminuindo mais um pouco do espaço.