Capítulo 10

1465 Palavras
(Ella) Fiquei em silêncio por um longo tempo, o peso das palavras de Ethan ainda ecoando em minha mente. Eu sabia que ele estava esperando por uma resposta, mas eu simplesmente não conseguia processar tudo o que estava acontecendo. Eu precisava de mais tempo para organizar os pensamentos, para entender se aquilo tudo era real ou apenas um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Sem dizer nada, me levantei da mesa e comecei a tirar a louça, tentando me distrair, encontrar algum tipo de normalidade no simples ato de lavar os pratos. Mas, não importava o que eu fizesse, a presença de Ethan era esmagadora. Ele me seguiu com o olhar, como se estivesse observando cada movimento meu. Seus olhos não saíam de mim, e eu sentia cada segundo de sua atenção como se fosse uma pressão constante. O calor subiu pelo meu corpo de forma inesperada. Como se ele estivesse mais perto de mim, mesmo sem me tocar. Uma onda de desejo misturada com confusão tomou conta de mim, e tudo o que eu consegui fazer foi me concentrar na água fria que escorria das torneiras. Era como se o contraste entre o calor que ele irradiava e a água gelada me deixasse sem ar, e minha mente começasse a girar. Eu me forcei a focar na louça, tentando ignorar a maneira como meu corpo reagia à presença dele. Mas era impossível. A cada movimento que fazia, a sensação de sua presença aumentava, e, quanto mais eu tentava me afastar da intensidade que ele provocava em mim, mais a sensação de desejo se intensificava. Minha pele parecia ardente, e a respiração estava cada vez mais irregular. Ele não disse uma palavra. Apenas permaneceu lá, recostado contra a pia, observando-me com aqueles olhos intensos. Sua presença marcante preenchia o espaço ao redor de nós, e eu sabia que ele aguardava uma resposta. Algo dentro de mim queria recuar, correr para longe de tudo aquilo, mas outra parte de mim estava intrigada, até mesmo atraída. Eu me sentia dividida, e isso me deixava ainda mais confusa. Depois de mais alguns segundos de silêncio constrangedor, minha voz saiu em um sussurro, mas eu não conseguia segurar a pergunta que já estava na minha cabeça. — Você realmente não vai tocar em mim? — perguntei, sem coragem de olhar para ele, ainda com as mãos na louça, mas a tensão entre nós era palpável. Ethan pareceu hesitar por um instante, mas logo sua voz grave preencheu o ambiente novamente. — Só enquanto estivermos em público — ele respondeu, a frieza em sua voz contrastando com o calor que se formava entre nós. — Beijos, andar de mãos dadas, coisas que façam o acordo parecer convincente. É o suficiente para mostrar que estamos... envolvidos. Mas, fora isso, não vou tocar em você. Eu senti o coração acelerar com sua resposta. De alguma forma, aquilo aliviou a tensão que se formava em mim, mas, ao mesmo tempo, ainda havia uma sensação de desconforto, como se houvesse algo mais que ele não estava me contando. Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. Era uma loucura, uma oferta de loucos, e eu não sabia o que fazer. Eu assenti com a cabeça, tentando absorver tudo. Tudo aquilo parecia tão irreal, tão fora de controle, mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim sabia que não tinha muitas alternativas. — Eu... preciso pensar mais sobre isso — disse, minha voz vacilante. — Mas, de qualquer forma, ainda preciso ir ao bar. Tenho que pedir demissão. Ethan não protestou. Ele ficou ali, quieto, observando-me, e, por um momento, a sensação de desconforto se instalou novamente. Ele sabia que tudo isso estava me esmagando, e, por algum motivo, parecia satisfeito em me ver assim, vacilante. — Eu vou te buscar quando sair de lá — ele disse, a voz firme, como se fosse uma decisão já tomada. — Vamos conversar mais sobre o acordo depois, quando você tiver mais claro em sua cabeça o que deseja fazer. Eu assenti mais uma vez, sentindo que estava perdendo o controle de tudo. Mas, mesmo assim, sabia que não poderia fugir. Havia algo em Ethan, algo que me atraía e, ao mesmo tempo, me assustava profundamente. E, de alguma forma, eu sabia que estava prestes a dar um passo em um abismo do qual talvez não fosse possível voltar. Depois que Ethan me fez entrar no carro do Uber, ele se afastou sem dizer mais nada. Ele havia dado alguns dólares para cobrir a corrida, mas a sua ausência fez com que o peso da situação caísse sobre mim ainda mais. O que eu acabei de ouvir — o que ele me oferecia — não parecia real. Era tudo tão surreal. Eu não sabia como lidar com aquilo. Como poderia aceitar ser parte de algo tão falso? E, ao mesmo tempo, como poderia recusar uma oferta que poderia, de alguma forma, me tirar da situação complicada em que estava? O carro me levou até a kitnet que aluguei. Ficava em um prédio. Era um apartamento simples. Durante o trajeto, olhei pela janela, mas nada parecia fazer sentido. A cidade, as ruas, as pessoas que passavam… tudo parecia distante, como se eu estivesse em um filme e não em minha própria vida. Quando entrei no pequeno apartamento, tomei um longo banho, sentindo a água quente correr sobre mim e deixando que a tensão saísse do meu corpo aos poucos. Fechei os olhos por um momento, mas a imagem de Ethan, seus olhos intensos, seu cheiro, sua presença, não saíam da minha mente. Ele estava invadindo meus pensamentos de uma maneira que eu não conseguia controlar, e o que mais me incomodava era que, de certa forma, eu não queria que aquilo acabasse. Queria mais, queria entender o que estava acontecendo comigo. Depois de me vestir me preparei para o trabalho. Quando cheguei lá, o clima estava tenso. Mack estava furioso, seus olhos brilhando de raiva, e ele estava discutindo com o outro funcionário, o cozinheiro. Ele parecia ainda mais impaciente do que o normal. O que teria acontecido? Quando me aproximei, Mack me viu e veio até mim com um semblante ameaçador. — E você, onde estava? — ele gritou, irritado. — Já está atrasada de novo, Ella! Eu me mantive quieta, com a bolsa pendurada no ombro e o casaco nas mãos. A raiva começou a crescer dentro de mim, mas eu sabia que não podia deixar transparecer. — Tive problemas para chegar aqui, Mack — respondi, tentando manter a calma, mas a minha voz estava tensa. Ele não queria saber. Começou a me cobrar, sem medir palavras, e a irritação cresceu dentro de mim. O que mais me incomodava era a forma como ele se comportava com Jack. Sempre protegendo-a, sempre passando a mão sobre os erros dela e nunca me dando sequer uma chance. E ali, no meio daquela discussão, eu não aguentei mais. — Sabe, já estou cansada disso — disse, deixando a raiva transparecer. — Você protege demais a Jack, e nunca me dá uma chance, Mack! Parece que tudo o que faço é errado para você, enquanto ela continua fazendo o que quer e você não fala nada! Mack se aproximou de mim com um olhar ainda mais furioso. Ele estava cercando-me, como se estivesse tentando me intimidar. — Coloque o uniforme logo — ele ordenou. — Não se meta comigo, Ella. Sou o patrão aqui! Eu senti o sangue ferver. Ele achava que poderia me intimidar assim? Eu não estava mais disposta a ser tratada daquele jeito. — Sabe o que mais? Eu quero pedir demissão — falei, sentindo a frustração tomar conta de mim. Ele parou por um segundo, surpreso com minha resposta, mas logo voltou a se exaltar. — Como você vai pedir demissão, sendo que você precisa desse dinheiro? — ele perguntou com desdém. — Você vai embora e como vai se sustentar? — Isso não é da sua conta — eu disse, com a voz firme, encarando-o. — Você sabe que terá que trabalhar hoje, eu fui o único que aceitou você trabalhar aqui sem terminar seus estudos. — Não vou deixar você na mão. — Disse irritada, indo vestir meu uniforme. Mack me olhou com raiva, mas não disse nada mais. Ele se virou e foi para trás do balcão, sem antes lançar um último olhar fulminante na minha direção. O clima estava pesado, e eu sabia que esse dia seria difícil de suportar. Mas eu não queria mais ser tratada como um peão nesse jogo, e esse trabalho já não fazia mais sentido para mim. Eu sabia que precisava seguir em frente, precisava tomar uma decisão, e a proposta de Ethan, por mais absurda que fosse, era, de alguma forma, a única saída que eu tinha.
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