Capítulo 13 - Run, baby, Run

979 Palavras
Kalie desceu os últimos degraus com cautela, Cada passo ecoava como um aviso, A casa era silenciosa, envolta por uma penumbra suave, A parede de vidro deixava ver o mar lá fora, as ondas calmas demais, misteriosas demais. Na cozinha aberta, ele estava ali. Damon, Suéter preto justo, mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços largos, veias saltadas e tatuagens que pareciam dançar a cada movimento. Ele mexia uma panela com uma mão e segurava uma caneca de café com a outra, Calmo, Firme, Quase… domesticado Mas Kalie sabia, ele era uma fera fantasiada de lar. — Dormiu bem, princesa? — perguntou sem virar o rosto, a voz tão grave que fez o chão vibrar sob os pés dela. Ela cruzou os braços, altiva, tentando manter o controle. — Dormiria melhor se soubesse onde estou. — E ainda assim desceu pra comer comigo… — ele virou levemente o rosto, os olhos mel brilhando sob a máscara preta. — Adoro isso em você, Brava mas curiosa. Kalie estreitou os olhos. — Estou aqui porque você me sequestrou. — Não, pequena… — ele caminhou até a bancada com uma tigela e dois pratos. — Você está aqui porque o mundo é podre demais pra te merecer. Ela se manteve firme, apesar do coração disparado. — Você fala como se fosse meu herói, mas age como meu vilão. — Talvez eu seja os dois. — ele a encarou agora, completamente. — O herói que salva… e o monstro que mata quem te ameaça. Silêncio. O cheiro da comida quente preenchia o ar, mas o que queimava era a tensão entre eles. Kalie deu um passo à frente, ousada. — E o que você quer, Damon? Além de me manter presa como um troféu? Ele sorriu por baixo da máscara, Lentamente, Com gosto. — Quero que você se apaixone por mim. — Isso não vai acontecer. — Vai sim. Porque eu conheço você mais do que qualquer um. — Você me observa. Isso não é amor. É doença. — Pode chamar do que quiser. Mas me diz uma coisa, princesa… — ele se aproximou, a voz baixa e quente — se fosse doença, por que sua pele arrepia quando chego perto? Ela ficou muda por um instante. O calor dele, a presença, o magnetismo perigoso. — Você me assusta. — E ainda assim, está aqui. — Ele segurou um dos pratos e estendeu pra ela. — Coma, Não precisa fingir força agora, Comigo, você pode só… existir. Ela pegou o prato com relutância. — Isso é manipulação. — Não, isso é cuidado. — Cuidado doentio. — Mesmo assim, cuidado. Ela sentou, Ele também, Ambos na mesa de frente pro mar escuro. Kalie o encarava como quem observa um abismo E o abismo sorria, apaixonado. Ela viu Um reflexo discreto no metal da panela, No canto do balcão, encostado numa prateleira: uma chave E ao lado, um celular. O mundo congelou por um segundo, Ela disfarçou, olhou para o prato, depois para ele, fingindo encanto e rendição. — Você cozinha bem… — disse em tom suave, enquanto terminava a última garfada. Damon sorriu de leve por trás da máscara, orgulhoso. — Achei que merecia algo bom. — Eu mereço mais que isso — ela respondeu, se levantando, delicada e felina. — Mereço sinceridade. Ele ficou alerta, e recuou. — Estou sendo sincero… — Não com seu rosto, Nem com seu nome, Nem com suas intenções. — Kalie se aproximou, passo por passo. Damon engoliu seco, Ela era menor, muito menor porém seu olhar… aquele olhar âmbar, quente e afiado, rasgava an alma dele por dentro. Kalie parou diante dele, levantou a mão devagar e tocou o peito dele, firme, Um toque simples Mas para Damon, foi um raio atravessando as veias. Ele se levantou num impulso, Ficaram frente a frente, dois metros de sombra contra um e sessenta e três de furacão. — Kalie… — ele sussurrou, a voz rouca e falha. Ela o empurrou devagar contra a bancada, com um olhar que misturava charme e desafio, Damon recuou sem resistência, quase hipnotizado. Kalie se aproximou mais, Ele se curvou para ela e os dois ficaram nariz contra nariz, A respiração dele pesada, trêmula. Mesmo com a máscara, ela sentia o calor dele, o tremor no corpo, a submissão involuntária. — Então… você quer que eu te conheça? — ela disse, o tom doce com veneno escondido. — Quero. — Ele respondeu quase sem voz. — Mas não mostra seu rosto? — É perigoso. — Pra quem? — ela sussurrou. — Pra mim… ou pra você? Damon cerrou os punhos, A mente dele um turbilhão de coisas, Ela era tudo, Desejo, Fúria, Obsessão, Fragilidade e poder num só corpo. — Kalie… — ele disse, quase em súplica — não brinca assim comigo. Ela sorriu, Não de felicidade, mas de controle, Finalmente, estava virando o jogo. E ele… Estava caindo. A lâmina brilhou por um segundo, Um estalo seco, Um grunhido abafado. O corpo gigante de Damon recuou, curvando-se instintivamente com o impacto. O corte não foi profundo mas o bastante para acordar cada músculo dele em dor e decepção. Kalie correu. O cortador de batatas caiu no chão com um tinido metálico, agora sujo de sangue. Ela pegou a chave, Pegou o celular que estavam no balcão, Os dedos tremiam mas o olhar era feroz e Determinado. Ela Correu até a porta, Abriu com pressa, Um vento frio cortou o interior da casa, Areia n***a se ergueu como névoa. O sol ameaçava nascer, mas ainda havia trevas. A casa de vidro chorava silêncio e tensão. Damon ajoelhado, o sangue escorrendo lentamente pelo suéter preto, os olhos em brasas, Não havia fúria voltada a ela, Não, Era raiva de si, Ele caiu, Ela venceu E a praia escutou os dois corações batendo em ritmos opostos. Um pela liberdade e o Outro pelo fim da ilusão.
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