Luana Narrando Eu comecei a gritar, e o Sombra também gritou, a voz dele ecoou pelo lugar, grave e intensa, como se quisesse me engolir. Meus nervos estavam à flor da pele, meu coração disparado, ele avançou na minha direção, e eu senti o impulso de recuar, mas meu orgulho não deixou. Estávamos parecendo um casal brigando em um daqueles dramas de novela, onde a esposa grita que vai embora e o marido responde; Vai! Já vai tarde! A diferença é que, no nosso caso, não somos um casal, e sim um babaca e uma maluca. Meu corpo tremia, mas eu não sabia se era de raiva, medo ou pura adrenalina. Meu peito subia e descia rapidamente, e eu estava prestes a gritar de novo quando, de repente, tudo ficou escuro. Não escuro como um quarto sem luz, mas um breu absoluto, como se alguém tivesse apagado a

